A morte do escritor Olavo de Carvalho, aos 74 anos, repercutiu entre os políticos. O "guru" do bolsonarismo morreu em um hospital no Estado americano da Virgínia na noite de segunda-feira, 24, o que foi informado em suas redes sociais nas primeiras horas de terça.
O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), lamentou a morte "de um dos maiores pensadores da história" do Brasil, segundo ele. "Olavo foi um gigante na luta pela liberdade e um farol para milhões de brasileiros. Seu exemplo e seus ensinamentos nos marcarão para sempre", escreveu o presidente em uma rede social. A Presidência decretou luto oficial de um dia.
Filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador do Rio, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), também enalteceram a trajetória do escritor. Carlos afirmou que Olavo teve uma "vida dedicada ao conhecimento, que semeou em uma terra arrasada chamada Brasil e fez florescer em muitos de nós um sentimento de esperança, de amor pela verdade e pela liberdade". Eduardo disse que os "livros, vídeos e ensinamentos" do ideólogo do bolsonarismo "permanecerão por muito tempo".
O vice-presidente, Hamilton Mourão, e membros do alto escalão do governo federal também emitiram notas de pesar. Mourão definiu Olavo como "defensor intransigente da liberdade e livre iniciativa" e disse que ele "sustentou valores conservadores caros à nossa sociedade". Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente, disse que "perdemos um grande brasileiro".
Muito ativo nas redes sociais com um discurso de ódio desinibido, no qual não poupava insultos, nem comentários polêmicos, o escritor exerceu muita influência, principalmente, durante a chegada de Bolsonaro ao poder em 2018. Um exemplo disso é que vários ministros nomeados pelo presidente, entre eles o agora ex-chanceler Ernesto Araújo, foram propostos por ele.
Ferrenho anticomunista e adepto de teorias da conspiração, o escritor, que no passado também foi jornalista e astrólogo, era cético em relação à pandemia, assim como o presidente, e chegou a chamar o coronavírus de "vírus chinês".
Há cerca de uma década, o escritor, que tinha inúmeros "discípulos" e milhões de seguidores nas redes sociais, oferecia aulas online pagas nas quais misturava filosofia e política.
Enquanto representantes do governo e parlamentares de direita enalteciam a atuação de Olavo em publicações nas redes sociais, algumas figuras da oposição relembraram polêmicas envolvendo o escritor. Relator da CPI da Pandemia, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse que "Olavo de Carvalho negou o vírus, escarneceu dos mortos, não se vacinou, morreu do vírus e será sepultado na Terra redonda".
Ex-bolsonarista, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) lembrou polêmicas envolvendo Olavo e afirmou que "não tem motivo algum para lamentar".
"Morreu o ideológico guru Olavo de Carvalho, a informação foi confirmada nas famigeradas redes sociais, que ele tanto usou para atacar, criar problemas e fake news. Foi diagnosticado com Covid-19 em janeiro. Eu não tenho motivo algum para lamentar nada, zero emoção", publicou no Twitter.
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) questionou sobre a causa da morte do escritor lembrando que ele testou positivo para o coronavírus no dia 16 de janeiro.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que Olavo influenciou com seu discurso e "levou muitos a minimizar a pandemia". "Morte não se comemora. Nunca. Nem de figura abjeta que influenciou milhões com discurso antivacina e difundiu fake news que levaram muitos a minimizar a pandemia. Lamento pelos que perderam suas vidas por acreditar nessas mentiras.
A causa mortis ainda não oficialmente divulgada, apesar de uma das filhas de Olavo, Heloisa de Carvalho Martin Arribas, ter afirmado que ele morreu de Covid-19. (Com Agência Estado e AFP)