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Como as ausências de Lula e Bolsonaro nos debates impactam as eleições

Um cientista político consultado por O POVO afirma que Bolsonaro colhe resultados mais danosos, já que, como segundo nas pesquisas, deveria aproveitar as ocasiões para diminuir a distância para Lula
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Eleições 2022: pesquisa avalia cenário (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução Eleições 2022: pesquisa avalia cenário

Dois dos principais pré-candidatos a presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) dão sinalizações de que não devem comparecer aos debates do primeiro turno das eleições presidenciais (ver abaixo).

Nas reuniões entre veículos de imprensa e representantes das candidaturas, o presidente não tem sequer enviado emissários. Bolsonaro diz que, se for aos programas no primeiro turno, será exposto a toda sorte de críticas, o que quer evitar. Afirmou, no entanto, que vai aos confrontos de segundo turno. Ao apresentador Ratinho, Bolsonaro disse que gostaria que as perguntas fossem previamente acertadas.

Lula, por sua vez, diante da ausência do principal adversário, dá sinais por meio dos membros do núcleo duro da campanha que prefere evitar os desgastes aos quais estaria exposto nos debates. O líder petista já chegou a defender que as empresas de Jornalismo se organizem em blocos para a realização dos debates. Na prática, para diminuir a quantidade deles.

Ciro Gomes (PDT) é terceiro lugar nas pesquisas e afirmou que a conduta dos dois de cima é uma "covardia inominável". "Será, Lula, que você vai mostrar ao Brasil que é igualzinho ao Bolsonaro? Por favor, não traia a democracia, não traia os valores que você tanto defendeu quando queria", pediu Ciro, diretamente interessado na alteração do quadro eleitoral, de modo que possa avançar ao segundo turno. 

Pesquisa BTG Pactual/FSB, entre 27 e 29 de maio, com 2 mil entrevistados, mostra que para 40% dos entrevistados os debates são o melhor modo de definir a candidatura preferida. Contudo, para 53% não faz diferença a ausência dos candidatos nos debates. Para 39%, os encontros entre candidatos diminuem as chances de voto. Para 7%, aumentam.

Conforme Ricardo Ceneviva, cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Bolsonaro é quem mais perde se realmente decidir que faltará aos debates. Isso porque o atual presidente está "bem atrás" de Lula nas pesquisas, razão que deveria levá-lo aos encontros, diz o professor. 

"Ele falou que tem medo de virar saco de pancadas e, de fato, dada a situação econômica do País, ele vai com certeza. Quem é governo, é vidraça. Mas, dada a situação nas pesquisas, quem mais perde e deveria ter interesse em participar dos debates é o presidente", analisa Ceneviva.

O professor avalia que, sem Lula e Bolsonaro nos debates, o que se pode projetar é a estabilização do cenário em que os dois aparecem na dianteira. "O debate é interessante porque pode ser um fato novo para mudar o rumo da campanha, isso já aconteceu várias vezes", afirmou. 

Os debates são raros momentos em campanhas em que as candidaturas estão expostas ao imprevisível, distantes dos ambientes controlados pelas equipes. Diante disso, para Rodrigo Stumpf González, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), quem primeiro perde é o público. 

Mas também os candidatos, compreende Stumpf, vez que poderiam aproveitar para fortalecer suas candidaturas atacando Lula ou Bolsonaro. Com isso, "perdem na criação de episódios de enfrentamento que pudessem usar em suas campanhas, mas vão ter a possibilidade de criticá-los sem resposta."

O professor pondera, porém, que a falta dos candidatos pode se refletir na audiência, diminuindo-a. "Sem duvida, Ciro perde ao não poder usar sua verve, em especial com Bolsonaro, que é ruim de dicção e de expressão. Lula é macaco velho e sabe se virar em debates", complementa o professor sobre os três postulantes mais relevantes.

Para Cláudio Couto, cientista político e professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), a discussão sobre a situação do País sai prejudicada com as ausências, "bem como a compreensão das propostas daqueles que têm maiores chances de serem eleitos."

Ele diferencia, contudo, a ausência absoluta da disposição de comparecer a número limitado de debates, uma das possibilidades colocadas por emissários de Lula. "Participar de dezenas deles me parece contraproducente. Daí, entendo que a proposta de pool de emissoras feitas pela candidatura de Lula tem um sentido totalmente diferente da mera recusa de Bolsonaro a comparecer", afirma.

Confira todas as datas de debates promovidos pela imprensa

Primeiro turno
- 06 de agosto: CNN.
- 09 de agosto: Jovem Pan.
- 14 de agosto: Band.
- 02 de setembro: RedeTV.
- 08 de setembro: O Globo, Valor e CBN.
- 13 de setembro: TV Aparecida.
- 22 de setembro: Folha de S.Paulo e UOL.
- 24 de setembro: SBT, Estadão, Veja e Rádio NovaBrasil FM.
- 29 de setembro: TV Globo.

Segundo turno
- 03 de outubro: CNN.
- 06 de outubro: Band.
- 11 de outubro: Jovem Pan.
- 24 de outubro: SBT, Estadão, Veja e Rádio NovaBrasil FM.
- 28 de outubro: TV Globo.

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