Redes sociais, rádio e TV influenciam mais o voto do eleitorado cearense do que apoios de prefeitos e outras lideranças, concluiu a segunda rodada da pesquisa Ipespe, divulgada pelo O POVO na última semana. Segundo o levantamento, plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Twitter respondem, juntas, por 17% do peso que o eleitor local atribui na escolha do voto para governador do Estado em 2022.
Para o público consultado, noticiários veiculados por rádio e TV respondem por 13% do grau de importância no processo de definição do voto. Somadas, as redes, além de rádio e TV, contabilizam 30% da influência que incide sobre o eleitor na disputa pelo Executivo estadual.
Se se incluir nessa conta a propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV (10%) e noticiários na internet (9%), o percentual total chega a 49%. Ou seja, quase metade do eleitorado ouvido na pesquisa apontou que as mídias, sejam digitais ou tradicionais, desempenham forte papel nessa escolha.
Apenas para efeito de comparação, o apoio do prefeito ou de outras lideranças políticas municipais na corrida para o Governo representa 14%, ainda conforme o Ipespe. Sindicatos ou entidades de classe, que se encaixam noutro tipo de influência, são citados como elemento importante por apenas 6% dos pesquisados.
O Ipespe entrevistou 1.000 eleitores de todas as regiões do Ceará entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95,45%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04538/2022 e no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), com a identificação CE-07968/2022.
Embora tenha indicado preferências do eleitorado num quadro de acirramento, a sondagem apontou que 26% dos ouvidos alegaram que nenhum desses fatores importam na hora de definir o voto, enquanto 15% disseram que outras variáveis são levadas em conta. Não sabem ou não responderam foram 7%.
O instituto também questionou os eleitores de cada um dos principais candidatos ao Governo do Estado sobre o peso que esses aspectos mencionados têm para eles. Quando o tópico apresentado é o apoio do prefeito ou de outras lideranças políticas, 17% dos eleitores de Capitão Wagner (União Brasil) afirmaram que isso é um ponto importante na definição do voto.
Para os eleitores de Roberto Cláudio (PDT), esse percentual foi de 9% e os de Elmano Freitas (PT), 13%. Wagner, portanto, detém a maior fatia do eleitorado para o qual ter prefeitos aliados é uma condição relevante na briga pelo Governo. Esse quadro constitui desafio para o deputado federal, que precisa ampliar a base de adesões de gestores no Interior do estado.
Candidato apoiado por Camilo Santana (PT), Elmano vem conseguindo costurar esses apoios com mais facilidade, em parte por herdar capital político-eleitoral do ex-governador, em parte por ter proximidade da máquina estadual. Com ajuda de Camilo, hoje postulante a uma vaga no Senado, o petista tem intensificado a agenda fora da Capital cearense e de sua Região Metropolitana.
Em resposta, Wagner também vem marcando mais presença no Interior. Neste fim de semana, por exemplo, o candidato tinha compromissos em Juazeiro do Norte, região vital na geografia do voto cearense. O mesmo movimento tem sido feito por RC, cujo nível de conhecimento é maior entre eleitores de Fortaleza, cidade governada por ele durante oito anos.
Em relação aos demais elementos de influência mensurados na pesquisa, Wagner, RC e Elmano pontuam da mesma maneira, de acordo com o Ipespe.
Sobre o valor das redes sociais no voto, 18% dos eleitores de Wagner assinalaram a sua importância no cálculo final, enquanto o mesmo percentual do eleitorado de RC e Elmano, que foi de 17%, destacou que as redes desempenham papel crucial na hora de bater o martelo.
Se o tema é a importância do horário eleitoral no rádio e na TV, os índices de Wagner, RC e Elmano são 10%, 11% e 8%. Já quando o tópico é a influência dos noticiários de rádio e TV no voto, os três têm 14%, 12% e 12%, respectivamente. Influentes nas eleições de 2018, os grupos de WhatsApp ou de Telegram foram considerados como importantes por 1% do eleitorado de Wagner, 3% do de RC e 1% do de Elmano.
Outro recorte feito pelo Ipespe comparou o peso dessas categorias no Interior e na Região Metropolitana. Redes sociais, informou o levantamento, têm mais importância para o eleitorado próximo a Fortaleza (20%) do que de municípios interioranos (14%).
Noticiários de rádio e TV, por sua vez, influenciam mais o voto do eleitor do Interior (15%) do que do eleitor da RMF (10%). Já o valor do apoio do prefeito ou de outra liderança é equilibrado: 13% na RMF e 15% no Interior.
Eleitores de Bolsonaro são mais influenciados por redes
A pesquisa Ipespe atesta o que já era uma suspeita: os eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL) são mais influenciáveis pelas redes sociais do que os eleitores de Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT), adversários na corrida ao Planalto. Para 21% dos eleitores do presidente, Facebook, Instagram, TikTok, Twitter e outras plataformas são mais importantes na hora de decidir o voto.
Entre eleitores de Lula, por exemplo, esse percentual é de 14%. Na base de Ciro, o índice é um pouco mais elevado: 17%.
O Ipespe entrevistou 1.000 eleitores de todas as regiões do Ceará entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95,45%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04538/2022 e no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), com a identificação CE-07968/2022.
Quando o aspecto considerado pela pesquisa é a importância de noticiários de rádio e TV, o eleitorado de Ciro é mais expressivo: 17% desse grupo dizem achar esse elemento preponderante na conta do voto, enquanto Lula tem 12% no mesmo quesito e Bolsonaro, 13%.
Já em relação ao papel da propaganda eleitoral no rádio e na TV, 15% dos eleitores afirmaram que ela tem peso na construção do voto. Lula alcançou 8% e Bolsonaro, 11%.
O retrato da pesquisa sugere um perfil de eleitor diferente. Os "ciristas" são mais próximos da TV e do noticiário nacional. Os bolsonaristas se situam mais nas redes e os lulistas se distribuem quase na mesma proporção entre redes e TV/rádio, atribuindo valor aproximado a esses meios.