Israel continuou concentrando tropas perto da Faixa de Gaza neste domingo, 15, em preparação para uma invasão do enclave palestino, onde os bombardeios desencadeados após a ofensiva do Hamas já deixaram mais de 2,6 mil mortos e um milhão de deslocados.
O Exército israelense insta desde sexta-feira os 1,1 milhão de habitantes do norte de Gaza a partirem rumo ao sul, em vista da anunciada incursão no enclave, atualmente sitiado por dezenas de milhares de soldados.
As tropas aguardam a ordem de entrar em ação para cumprir o objetivo de destruir o Hamas, que governa Gaza desde 2007, informaram porta-vozes do Exército.
Os preparativos geram preocupação internacional. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse não apoiar a expulsão dos moradores de Gaza, que deveriam poder permanecer em suas casas a salvo.
O enclave de 362 km², onde vivem mais de 2,3 milhões de habitantes, é cenário de bombardeios diários desde a ofensiva lançada pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro.
O ataque, o mais mortal que Israel sofreu desde a criação em 1948, deixou mais de 1,4 mil mortos, em sua maioria civis, segundo o exército.
Os comandos do Hamas, organização classificada como terrorista pelos Estados Unidos, União Europeia (UE) e Israel, também capturaram 155 pessoas que mantêm como reféns.
Em Gaza, os bombardeios até agora mataram 2,67 mil pessoas, incluindo mais de 700 crianças, de acordo com as autoridades locais.
Segundo a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA), há cerca de um milhão de deslocados e esse número ameaça aumentar.
Após a incursão do Hamas, Israel impôs um "cerco total" ao enclave, cortando o fornecimento de água, eletricidade e alimentos para a Faixa e Gaza, que já estava sob um bloqueio estrito desde 2006.
O ministro de Energia de Israel, Israel Katz, anunciou neste domingo que o fornecimento de água foi restaurado para o sul do enclave.
A ajuda humanitária, vinda de vários países, está acumulada na fronteira do Egito.
O Egito controla a única passagem terrestre para Gaza que não está sob controle israelense, o posto de Rafah, que permanece fechado, deixando os habitantes de Gaza literalmente encurralados no enclave.
"Nenhuma gota de água, nenhum grão de trigo, nenhum litro de combustível foi autorizado a entrar em Gaza nos últimos oito dias", afirmou Philippe Lazzarini, chefe da UNRWA.
A situação em Gaza preocupa tanto pelo aspecto humanitário quanto pelo potencial de provocar uma conflagração regional.
A Liga Árabe e a União Africana afirmaram em um comunicado conjunto que uma invasão da Faixa de Gaza "poderia levar a um genocídio de proporções sem precedentes".
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Husein Amir Abdollahian, advertiu que "ninguém poderá garantir" o controle da situação se Israel invadir Gaza.
Os Estados Unidos têm apoiado com firmeza Israel, mas também expressaram preocupação com a situação em Gaza e temem que o conflito se espalhe.
À rede de televisão Al Jazeera, o chanceler iraniano disse que seu país "não pode ser só um observador": "Se o escopo da guerra se expandir, danos significativos serão infligidos aos EUA".
O Irã é o inimigo número um de Israel e apoia o movimento libanês Hezbollah, que indicou na sexta-feira estar "preparado" para se juntar ao Hamas quando necessário.
A tensão está aumentando no sul do Líbano, na fronteira com Israel, onde um foguete atingiu neste domingo o quartel-general dos capacetes azuis da ONU (Finul). Pelo menos 10 pessoas morreram até agora no sul do Líbano, cenário de duelos de artilharia. Outras duas morreram em Israel.
O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, afirmou que seu país "não está interessado" em abrir uma frente de batalha com o Líbano.
O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, afirmou que o país procurou o Irã por canais informais para alertar que não deveria haver envolvimento na crise de Israel. "Há um risco de escalada, com a abertura de uma segunda frente no norte e, claro, o envolvimento do Irã", disse à rede CBS.
O Pentágono está dobrando rapidamente a quantidade de poder de fogo americano implementado no Oriente Médio, em um esforço para impedir uma guerra regional mais ampla e realizar possíveis ataques
aéreos para defender os interesses americanos.
Por enquanto, segundo as autoridades americanas, o envio de forças adicionais tem o objetivo de impedir que o Irã, a Síria ou qualquer grupo de representantes apoiados pelo Irã, como o Hezbollah, participem do conflito.
O governo brasileiro ainda aguarda a abertura da passagem de Rafah, nas proximidades da fronteira com o Egito, para retirar um grupo de cerca de 30 brasileiros na Faixa de Gaza. Em nota à imprensa, o Itamaraty informou que uma equipe está de prontidão esperando a liberação fronteiriça. A aeronave que fará este trabalho de repatriação segue em Roma, na Itália.
Além disso, uma família brasileira, que já foi vítima de terrorismo mais de duas décadas atrás, está revivendo o mesmo drama. Filha e neta de brasileiros, a jovem Tchelet Fishbein Za'arur (ou Celeste como a família a chama em português), de 18 anos, foi sequestrada no dia 7, e, segundo familiares, está em poder dos terroristas. De acordo com Israel, cerca de 150 pessoas são mantidas como reféns em Gaza.
A mãe de Celeste, Gladys Fishbein, é prima-irmã de Flora Rosenbaum. Em 2001, Flora ficou ferida num atentado, depois que um terrorista suicida detonou uma bomba no momento em que ela passava com a família na frente de uma pizzaria em Jerusalém. (Com Agência Estado)