Desde que se tornou o destino de brasileiros repatriados dos Estados Unidos, o aeroporto internacional Pinto Martins, em Fortaleza, recebeu 12 voos de deportados. Segundo dados divulgados pela Polícia Federal (PF), 1.129 pessoas repatriadas chegaram ao Brasil pela capital cearense. Foram 1.085 adultos e 44 menores de idade.
As deportações via Fortaleza ocorreram entre os dias 7 de fevereiro e 18 de julho deste ano. Desse total, 30 pessoas foram presas ao desembarcar, por ordens judiciais brasileiras ou alertas da Interpol (Polícia Internacional).
Em nota, a PF informou que, durante a operação de recepção, atuou em diferentes frentes: fiscalização migratória, segurança na área restrita do aeroporto e acolhimento humanitário.
As operações contaram com apoio de órgãos como a Organização Internacional para as Migrações (OIM Brasil), Ministérios dos Direitos Humanos e das Relações Exteriores, Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará, Defensoria Pública da União e a concessionária Fraport, que administra o Pinto Martins.
Os 30 deportados presos após o desembarque estavam com difusões vermelhas da Interpol ou com mandados de prisão expedidos pela Justiça brasileira. Após os registros migratórios, foram encaminhados ao Sistema Penitenciário do Estado, onde permanecem à disposição do Judiciário.
A intensificação de restrições de políticas migratórias dos Estados Unidos, desde a posse do presidente Donald Trump, tem refletido no aumento do número de deportações de brasileiros.
O governo Trump promoveu um endurecimento nas regras de imigração e no combate à permanência irregular de estrangeiros nos EUA, resultando em um crescimento no número de deportados para o Brasil.
Em 2024, ainda no governo Joe Biden, os Estados Unidos deportaram cerca de 1.648 brasileiros, conforme dados divulgados pela PF. Esse número representa um aumento de 33% em relação a 2023, quando 1.240 brasileiros foram deportados. Os repatriados chegaram ao Brasil por meio de 16 voos fretados pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE), com a maioria desembarcando em Belo Horizonte.
O primeiro voo de repatriados após a posse de Donald Trump não passou por Fortaleza. Ele tinha como destino original o aeroporto internacional de Confins, em Belo Horizonte (MG), mas precisou fazer um pouso de emergência em Manaus (AM) devido a problemas técnicos.
No desembarque, em 24 de janeiro, o uso de algemas pelos 88 brasileiros repatriados causou mal-estar diplomático, o que fez o Itamaraty solicitar explicações. Embora o governo de Trump tenha aplicado regras mais rígidas contra a imigração, deportações já vinham ocorrendo na gestão do ex-presidente Joe Biden e o uso de algemas já era frequente.
A partir de então, Fortaleza foi escolhida para ser o ponto inicial de recepção aos brasileiros, com objetivo de evitar que eles percorram o território nacional algemados, além de encurtar a viagem. Ao chegarem ao Pinto Martins, as algemas são retiradas.