Os senadores cearenses Cid Gomes (PSB) e Augusta Brito (PT) não farão mais parte do colegiado da CPMI do INSS. O ex-governador, que era titular, saiu a pedido próprio, enquanto a petista, que era suplente, foi substituída por Humberto Costa (PT-PE). Eduardo Girão (Novo) segue como membro titular.
Após perder a presidência e a relatoria da CPMI do INSS para a oposição, o bloco governista, além das mudanças citadas, promoveu outras cinco alterações em sua composição. As alterações visam garantir mais engajamento dos participantes e reorganizar a representação de aliados considerados mais confiáveis e experientes.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) coordenou a reconfiguração, que amplia a presença do PT de cinco para sete integrantes, consolidando o partido como a linha de frente na defesa do governo – como já era esperado. Dentre as trocas, Augusta foi a única do PT que foi substituída.
Nos bastidores, alguns parlamentares analisaram o cenário como "totalmente imprevisível" e enxergaram riscos com as quebras de sigilo para além do próprio escândalo dos descontos fraudulentos.
Os governistas apontam que, apesar de CPMI ter um escopo definido e não poder avançar além do tema, as quebras de sigilo podem revelar informações que criem novos problemas para o governo administrar. Independentemente de a informação poder usada pela comissão, o vazamento de dados sempre termina ocorrendo.
A sessão que instalou a comissão foi marcada por derrotas ao governo e aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A primeira derrota do dia foi a eleição do senador de oposição Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência. Ele derrotou Omar Aziz (PSD-AM), indicado de Alcolumbre e alinhado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O placar foi 17 a 14.
A segunda derrota do governo foi a decisão de Viana de escolher o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) como relator do colegiado. A escolha difere da indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que havia anunciado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para o posto. Com isso, a oposição conseguiu emplacar os dois principais cargos da comissão.
A comissão já aprovou o convite de todos os ex-ministros da Previdência, de dez ex-presidentes do INSS e de diretores de associações que fizeram descontos em benefícios de aposentados citadas nas investigações.