Forças dos Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro em meio a intensos bombardeios, anunciou o presidente Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos "governarão" a nação petrolífera até que haja uma transição "pacífica".
O venezuelano chegou na noite de sábado a uma base militar nos arredores de Nova York, cercado por agentes do FBI enquanto descia pela escada de um avião do governo americano em uma instalação da Guarda Nacional do estado de Nova York. Em seguida, foi escoltado lentamente ao longo da pista.
Após ataques em Caracas e em outras regiões da Venezuela que duraram uma hora e que Trump acompanhou virtualmente como um "programa de televisão", o presidente americano revelou os planos para o país que abriga as maiores reservas de petróleo do planeta.
"Vamos governar o país até que possamos realizar uma transição pacífica, adequada e criteriosa", disse Trump em coletiva de imprensa, detalhando que o processo será liderado pelos chefes da diplomacia e do Pentágono "em colaboração" com a oposição venezuelana.
Ele também anunciou que incentivará as petroleiras americanas a retornarem à Venezuela.
"Vamos fazer com que nossas companhias petrolíferas (...) entrem, invistam bilhões de dólares, reparem a infraestrutura gravemente deteriorada (...) e comecem a gerar dinheiro para o país", afirmou.
Trump publicou uma foto de Maduro algemado e com os olhos cobertos por óculos escuros, em um navio militar dos Estados Unidos.
Ele assegurou que o governante deposto responderá perante um tribunal de Nova York por acusações de narcotráfico e terrorismo.
Advertiu ainda que, se fosse necessário, as forças americanas estavam prontas para executar uma segunda onda de ataques, "muito maior", e impedir que o círculo de Maduro continue no poder.
No entanto, afirmou que a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, manifestou ao secretário de Estado, Marco Rubio, que "está disposta a fazer o que considerarmos necessário para que isso funcione".
"Na verdade, não lhe resta outra opção", acrescentou o presidente dos EUA.
Maduro "é o único presidente da Venezuela", declarou depois Rodríguez, em Caracas.
Ao derrubar e retirar o líder venezuelano do País, Trump demonstrou que está disposto a dar todos os passos necessários para reviver a supremacia americana na América Latina, custe o que custar.
A ousada captura de Maduro e da esposa foi apresentada não como uma vitória da democracia na Venezuela, mas da hegemonia militar esmagadora de Washington, que mobilizou 150 aeronaves para a operação.
Em uma coletiva de imprensa de tom triunfal e desafiador, Trump voltou a lembrar a aliados e adversários que coloca os Estados Unidos acima de qualquer outro interesse ou parceria.
Washington governará a Venezuela pelo tempo que considerar necessário, em colaboração com quem julgar apropriado, e o objetivo passa agora a ser o petróleo, que poderá ser protegido pelas armas.
"Vamos estar presentes na Venezuela no que diz respeito ao petróleo, porque vamos enviar nossos especialistas. Então talvez precisemos de algo [de presença militar], não muito", explicou o presidente.
"Vamos extrair uma quantidade tremenda de riqueza do subsolo, e essa riqueza irá para o povo da Venezuela e para pessoas fora da Venezuela que costumavam estar na Venezuela, e também irá para os Estados Unidos da América na forma de reembolso pelos danos que [a Venezuela] nos causou", indicou.
A situação extremamente volátil em que a Venezuela passa a se encontrar parece agora jogar a favor de Trump, especialista em tirar o máximo proveito do caos político.
Kevin Whitaker, ex-diplomata americano veterano especializado em América Latina disse que ficou "extremamente surpreso" ao ouvir Trump minar Machado.
"Este parece ser um caso em que o governo Trump, ao menos aparentemente neste momento, está tomando decisões sobre o futuro democrático da Venezuela sem se remeter ao resultado democrático" das eleições, afirmou Whitaker, hoje no centro de análise Conselho Atlântico.
Esse ataque "acho que é apenas o começo de uma nova fase do que eu chamaria de negociação coercitiva", declarou Evan Ellis, professor e pesquisador sobre a América Latina no Colégio de Guerra do Exército dos Estados Unidos.
"De acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio dos Estados Unidos na América Latina nunca mais será questionado", assegurou Trump.
A Casa Branca publicou há menos de um mês uma nova orientação de sua política externa que ressuscitou a chamada Doutrina Monroe, em referência ao presidente James Monroe.
Em pleno século XIX, Monroe anunciou que não permitiria o intervencionismo europeu na região, que passava a ser o "quintal" de Washington. Essa doutrina "nós ampliamos, e muito", vangloriou-se Trump.
Questionado sobre o que os americanos ganham com um governo que dirija os assuntos da Venezuela, Trump respondeu: "Queremos nos cercar de bons vizinhos".
"Queremos nos cercar de estabilidade, com energia. Temos uma quantidade tremenda de energia naquele país. É muito importante que a protejamos", acrescentou.
Cerca de 500 simpatizantes de Maduro se reuniram em frente ao palácio presidencial de Miraflores com retratos dele e bandeiras venezuelanas.
Sem apresentar provas, o governo venezuelano denunciou que os bombardeios atingiram populações civis.
O canal estatal VTV exibiu imagens de grades derrubadas e ônibus incendiados em La Carlota, uma base aérea de Caracas.
"Viva a Venezuela, caralho!", comemoravam alguns moradores de suas casas em um bairro de classe alta.
Trump aproveitou a detenção de Maduro para advertir o presidente colombiano, o esquerdista Gustavo Petro. "Ele tem que ficar de olho", disse, ao acusá-lo novamente de narcotráfico.
Por sua vez, Marco Rubio afirmou que o governo cubano deveria estar "preocupado" com esses acontecimentos.
Na pressão contra Maduro, Washington também havia fechado informalmente o espaço aéreo da Venezuela, imposto novas sanções e ordenado a apreensão de navios carregados com petróleo venezuelano.
Durante os bombardeios, alguns moradores se aproximaram de suas varandas e terraços para ver e gravar o que acontecia. Outros se esconderam em locais seguros.
As explosões "me levantaram da cama à força", contou María Eugenia Escobar, moradora de 58 anos de La Guaira. "Na hora pensei: 'Deus, chegou o dia', e chorei".
Países aliados da Venezuela, como Rússia, China, Irã e Cuba, rejeitaram os ataques, assim como os governos de esquerda do Brasil, Chile, Colômbia e México.
A Rússia exigiu dos Estados Unidos a libertação de Maduro, enquanto a China afirmou que sua captura ameaça "a paz e a segurança" regionais.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou, por sua vez, que a operação contra Maduro estabelece um precedente perigoso ao descumprir o direito internacional.
Qual será o futuro governo da Venezuela?
Donald Trump disse que os Estados Unidos "governarão" a Venezuela até que uma transição política "segura" possa ser instalada no País, embora não tenha especificado como isso será concretizado.
"Chegou a hora da liberdade", declarou a líder opositora venezuelana María Corina Machado, Prêmio Nobel da Paz de 2025.
Ela afirmou que o candidato da oposição às eleições presidenciais de 2024, Edmundo González Urrutia, deve "assumir imediatamente" a presidência "e ser reconhecido como comandante em chefe das Forças Armadas". "A Venezuela será livre", bradou.
"São horas decisivas, saibam que estamos prontos", disse por sua vez González Urrutia desde seu exílio na Espanha.
Mas Trump frustrou essas expectativas, afirmando sobre Machado que "seria muito difícil para ela liderar o país" porque "é uma mulher muito agradável, mas não inspira respeito".
Ele também disse que os Estados Unidos não tiveram nenhum contato com a líder opositora.
"Por enquanto, o ataque de Trump contra a Venezuela não resultou em uma mudança de regime, mas em uma mudança de líder. O regime permanece, e a única coisa que foi alcançada foi capturar Maduro, matar pessoas, violar o direito nacional e internacional e se aventurar no desconhecido", declarou Stephen Wertheim, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional. (AFP)
Quais as causas de conflito entre EUA e Venezuela
Eleições, embargo petrolífero, narcotráfico ou migrantes. Numerosas questões opõem desde 2013 a Venezuela e os Estados Unidos. Repassamos as principais disputas:
Washington, assim como parte da comunidade internacional, não reconhece a legitimidade do socialista Nicolás Maduro para presidir a Venezuela. Os EUA sancionaram altos funcionários após a violenta repressão às manifestações que se seguiram à primeira eleição de Maduro, em 2013. A reeleição, em 2018, foi classificada como "ilegítima" pela Casa Branca, assim como a de 2024. Entre 2019 e 2023, os Estados Unidos, seguidos por cerca de sessenta países, chegaram inclusive a reconhecer o opositor Juan Guaidó como "presidente interino".
A Venezuela acusou em várias ocasiões os Estados Unidos de ingerência. Em 2019, após tentativa de insurreição militar, Maduro afirmou que Washington havia ordenado "um golpe de Estado fascista". No ano seguinte, o presidente venezuelano acusou Donald Trump, então no primeiro mandato, de ter "dirigido diretamente" uma tentativa de "incursão armada". Washington negou qualquer envolvimento.
Com o objetivo de asfixiar economicamente o País e retirar Maduro do poder, Washington impôs em 2019 um embargo ao petróleo venezuelano. Nas últimas semanas, Washington anunciou um "bloqueio total" contra os "petroleiros sancionados" que se dirigem à Venezuela ou dela saem e confiscou vários navios. Trump encerrou em 2025 as licenças de exploração que permitiam às multinacionais operar apesar das sanções. A americana Chevron desfruta desde julho de uma licença especial.
Em março de 2020, Nicolás Maduro foi acusado nos Estados Unidos de "narcoterrorismo", e Washington ofereceu recompensa por qualquer informação que permitisse a detenção.
Trump reprova Caracas pela chegada de grande número de migrantes venezuelanos. O republicano acusa a Venezuela de ter "empurrado" para os Estados Unidos "centenas de milhares de pessoas provenientes das prisões", assim como "internos de hospitais psiquiátricos". Segundo a ONU, cerca de oito milhões de venezuelanos — aproximadamente um quarto da população — fugiram da crise econômica e política desde 2014, a maioria para países da América Latina e outros para os Estados Unidos. Trump retirou o status de proteção temporária de que desfrutavam centenas de milhares de venezuelanos e expulsou, em 2025, vários milhares deles.
Principais intervenções dos EUA na América Latina
Os Estados Unidos têm longo histórico de intervenções militares e de apoio a ditaduras na América Latina.
O falecido presidente venezuelano Hugo Chávez e o sucessor, Maduro, acusaram em várias ocasiões Washington de apoiar tentativas de golpe de Estado, entre elas a que afastou Chávez do poder por dois dias, em 2002.
Estas são as principais intervenções americanas na América Latina desde a Guerra Fria:
Em 27 de junho de 1954, o coronel Jacobo Arbenz Guzmán, presidente da Guatemala, foi derrubado por mercenários treinados e financiados por Washington, após uma reforma agrária que ameaçava os interesses da poderosa empresa americana United Fruit Corporation (futura Chiquita Brands). Em 2003, os Estados Unidos incluíram em sua história oficial o papel da CIA nesse golpe de Estado, em nome da luta contra o comunismo.
De 15 a 19 de abril de 1961, 1,4 mil anticastristas treinados e financiados pela CIA tentaram desembarcar na Baía dos Porcos, a 250 quilômetros de Havana, sem conseguir derrubar o regime comunista de Fidel Castro. Os combates deixaram cerca de uma centena de mortos de cada lado.
Em 1965, em nome do "perigo comunista", os Estados Unidos enviaram fuzileiros navais e paraquedistas a Santo Domingo para sufocar um levante em favor de Juan Bosch, presidente de esquerda derrubado pelos generais em 1963.
Washington apoiou várias ditaduras militares, consideradas um baluarte contra os movimentos armados de esquerda. Os Estados Unidos ajudaram o ditador chileno Augusto Pinochet durante o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 contra o presidente de esquerda Salvador Allende. O secretário de Estado americano Henry Kissinger também apoiou a junta argentina em 1976, incentivando-a a encerrar rapidamente sua "guerra suja", segundo documentos americanos desclassificados em 2003. Pelo menos 10 mil opositores argentinos desapareceram.
Nos anos 1970 e 1980, seis ditaduras (Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil) se aliaram para eliminar opositores de esquerda no âmbito da "Operação Condor", com o apoio tácito dos Estados Unidos.
Em 1979, a rebelião sandinista derrubou o ditador Anastasio Somoza na Nicarágua. O presidente americano Ronald Reagan, preocupado com o alinhamento de Manágua com Cuba e a URSS, autorizou secretamente a CIA a fornecer uma ajuda de 20 milhões de dólares aos Contras, os contrarrevolucionários nicaraguenses. A ajuda foi financiada em parte pela venda ilegal de armas ao Irã. A guerra civil nicaraguense, que terminou em abril de 1990, deixou 50 mil mortos.
Reagan também enviou assessores militares a El Salvador para sufocar a rebelião da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN, extrema esquerda), no contexto de uma guerra civil (1980–1992) que deixou 72 mil mortos.
Em 25 de outubro de 1983, fuzileiros navais e rangers intervieram na ilha de Granada após o assassinato do primeiro-ministro Maurice Bishop por uma junta de extrema esquerda e enquanto os cubanos ampliavam o aeroporto, supostamente para receber aviões militares.
Reagan lançou, a pedido da Organização dos Estados do Caribe Oriental (OECO), a operação "Urgent Fury" para proteger cerca de mil cidadãos americanos.
A operação, classificada como "bem-sucedida" por Reagan e amplamente condenada pela Assembleia Geral da ONU, terminou em 3 de novembro com mais de uma centena de mortos.
Em 1989, após eleições controversas, o presidente George Bush decidiu intervir militarmente no Panamá, o que levou à rendição do general Manuel Noriega, antigo colaborador dos serviços secretos americanos e procurado pela Justiça de Washington.
Cerca de 27 mil soldados participaram da operação "Causa Justa", que oficialmente deixou 500 mortos, mas vários milhares segundo ONGs.
Noriega foi preso por mais de duas décadas nos Estados Unidos por tráfico de drogas, antes de cumprir outras penas na França e depois no Panamá.
No Panamá foi fundada, em 1946, a Escola das Américas, um centro de formação militar especializado na luta contra o comunismo, controlado até 1984 pelos Estados Unidos, onde foram formados numerosos ditadores.
Repercussão internacional
Líderes internacionais comentaram a ação que capturou o presidente do país, Nicolás Maduro.
O governo brasileiro se manifestou horas após o ataque. O presidente Lula (PT) condenou a invasão, afirmando que as ações "ultrapassam uma linha inaceitável".
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
A Colômbia tem uma fronteira de 2.219 km com a Venezuela, maior divisa terrestre de ambos os países. O presidente Gustavo Petro manifestou "profunda preocupação" e rechaçou "qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil".
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, tem forte alinhamento com Donald Trump. Pelas redes sociais, Noboa afirmou que "a hora vai chegar" para "narco-criminosos chavistas".
Também alinhado a Trump, o presidente boliviano, Rodrigo Paz Pereira pontuou que "quando um regime governa para o narcotráfico, a sociedade é submetida à tirania".
O governo argentino se manifestou por meio do Ministério das Relações Exteriores. O órgão emitiu nota apoiando o ataque realizado pelos Estados Unidos.
Gabriel Boric, presidente do Chile, posicionou-se contra a ação dos EUA. Ele afirmou que a crise na Venezuela deve ser resolvida de forma diplomática e "não através da violência e da interferência estrangeira".
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, condenou a ação dos EUA. Claudia mencionou a Carta das Nações Unidas, que, no Artigo 2º, determina que os Estados-membros devem "resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos" e "evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado".
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, também se posicionou contra o ataque. Ele demandou "reação urgente da comunidade internacional" contra a ação, que considerou "criminosa" e "terrorismo de Estado".
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, falou sobre o ataque, mas não opinou abertamente. Starmer afirmou que precisa "apurar os fatos" e "conversar com aliados" antes de se posicionar. Ele declarou, no entanto, que "deve-se respeitar as leis internacionais", e garantiu não haver envolvimento do Reino Unido na ação contra a Venezuela.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que "Nicolás Maduro levou o país à ruína" e que "as últimas eleições [venezuelanas] foram fraudadas", adicionando que não reconheceu o resultado do pleito. No entanto, ele adicionou que "determinar a legalidade da intervenção dos EUA é complexo e requer considerações cautelosas", também reforçando a importância de respeitar a legislação internacional.
Emmanuel Macron, presidente da França, declarou que "o povo da Venezuela hoje se libertou da ditadura de Nicolás Maduro", que, segundo Macron, "tomou o poder e pisoteou liberdades fundamentais".
A deputada federal Marine LePen, que disputou o cargo contra Macron em 2022 e tem posições políticas próximas às de Trump, por outro lado, foi crítica à invasão. Para ela, "há mil motivos para condenar o regime de Nicolás Maduro", mas "há uma razão fundamental para se opor" à ação dos EUA. Na visão de LePen, "a soberania dos Estados é inegociável, independente do seu tamanho, poder, ou continente".
Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, também pontuou que "ações militares externas não são o caminho para encerrar regimes totalitários", mas afirmou que seu governo "considera legítima uma 'intervenção de natureza defensiva' contra 'ataques híbridos'", o que, segundo ela, incluiria "entes estatais que fomentam e favorecem o narcotráfico".
O presidente russo, Vladimir Putin, não se posicionou oficialmente sobre o ataque. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, emitiu diversas notas condenando a ação, exigindo o retorno imediato de Maduro à Venezuela, e expressando "firme solidariedade com o povo da Venezuela no confronto contra uma agressão armada".
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o país "está profundamente chocado e condena fortemente" o ataque à Venezuela. De acordo com o comunicado emitido pelo governo, a ação "viola seriamente o direito internacional e a soberania venezuelana, e ameaça a paz e segurança na América Latina e no Caribe".
Ventilação
Eu vi, literalmente, como se estivesse assistindo a um programa de televisão. E se você tivesse visto a velocidade, a violência... Foi algo incrível. Tínhamos uma sala e assistimos, vimos cada aspecto
Donald Trump, em entrevista televisiva à Fox News, sobre a captura de Nicolás Maduro
Força
Washington governará a Venezuela pelo tempo que considerar necessário, em colaboração com quem julgar apropriado, e o objetivo passa agora a ser o petróleo, que poderá ser protegido pelas armas
Maduro, o "presidente operário" com mão de ferro da Venezuela
O presidente Nicolás Maduro dançava em comícios uma música eletrônica com uma frase sua em inglês: "No war, yes peace". Mas, neste sábado, 3, os Estados Unidos o capturaram junto com sua esposa, por ordem de Donald Trump após um bombardeio em vários pontos da Venezuela.
No Palácio de Miraflores, ele se apresentava em tom de "paz" durante seus pronunciamentos. Maduro sempre tentou projetar a imagem de um homem comum, de "presidente operário", embora carregue nas costas acusações de violações de direitos humanos.
Alto, de bigode espesso, este ex-motorista de ônibus e dirigente sindical de 63 anos explora os estereótipos de "homem do povo" para seu benefício político.
Ele gostava de apelar ao bom senso, de deturpar palavras em inglês, falar de beisebol ou de suas noites de televisão com a esposa Cilia Flores, a "primeira combatente", uma ex-procuradora onipresente na cena política venezuelana.
Flores também foi deputada de 2000 até assumir a presidência da Assembleia Nacional (2006-2010). Com 69 anos e muito poderosa nos bastidores, "Cilita", como Maduro a chama, também foi capturada.
Mas a vida de Maduro vai muito além do volante do ônibus que dirigiu na juventude. Formado em Cuba, foi parlamentar, chanceler e vice-presidente de Chávez. Os rivais, equivocadamente, o subestimaram por todos os lados.
Soube eliminar resistências no governante Partido Socialista da Venezuela (PSUV) e manteve a oposição sob controle, com apoio militar.
Rotulado de "ditador" por detratores, Maduro foi designado por Chávez como herdeiro em 9 de dezembro de 2012, antes de o então presidente viajar a Cuba para tratar um câncer do qual morreria três meses depois.
Durante o governo, massivas manifestações foram duramente reprimidas em 2014, 2017 e 2019 por militares e policiais, com centenas de mortos. O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação por crimes contra a humanidade.
Maduro também manobrou entre uma bateria de sanções internacionais após sua primeira reeleição em 2018, boicotada pela oposição e não reconhecida por cerca de 50 países.
Permaneceu no cargo, apesar de uma crise econômica sem precedentes nesta nação de quase 30 milhões de habitantes, com um PIB que reduziu 80% em uma década e quatro anos seguidos de hiperinflação.
Um fracassado governo paralelo da oposição, escândalos de corrupção, denúncias de atentados... e Maduro se vendia como "indestrutível", como diz o slogan do desenho animado de propaganda "Super Bigode", que o mostra na TV estatal como super-herói que combate monstros e vilões enviados pelos Estados Unidos e pela oposição venezuelana.
Maduro não tem o carisma de Chávez, embora o emule com discursos de horas em que mistura assuntos políticos duros, beligerantes, com piadas e anedotas pessoais.
Longe do ateísmo que por definição acompanha o marxismo, Maduro se define como "marxista", "cristão" e "bolivariano" e tem uma estreita relação com os evangélicos. "Cristo está conosco!", repete. (AFP)
Invasão militar partiu de 20 bases e usou 150 aeronaves
O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos (EUA), general Daniel Caine, informou que o efetivo empregado no ataque, que foi deflagrado ainda na noite da sexta-feira, 2, contou com 150 aeronaves que partiram de 20 bases militares no continente.
"Às 22h46min, horário do Leste, ontem à noite, o presidente ordenou que as Forças Armadas dos Estados Unidos prosseguissem com a missão. Ele nos disse — e apreciamos isso, senhor presidente, 'boa sorte e que Deus os acompanhe'. Essas palavras foram transmitidas a toda a força conjunta", descreveu o general, nesse sábado, 3.
De acordo com o relato, ao longo da noite, aeronaves começaram a decolar de 20 bases diferentes, em terra e no mar, por todo o Hemisfério Ocidental.
"No total, mais de 150 aeronaves — bombardeiros, caças, plataformas de inteligência, reconhecimento e vigilância, aeronaves de asas rotativas — estavam no ar. Milhares e milhares de horas de experiência estavam em voo", disse o general, que denominou a intervenção como Operação Resolução Absoluta (Operation Absolute Resolve, no termo em inglês).
O general revelou que as agências de inteligência dos EUA, como CIA e NSA, atuaram por meses para localizar Maduro e compreender seus deslocamentos, incluindo "onde vivia, para onde viajava, o que comia, o que vestia, e quais eram seus animais de estimação".
No início de dezembro, os militares já estavam de prontidão aguardando o que seria uma série de eventos alinhados, disse.
A chegada das forças especiais de americanas ao complexo onde Maduro estava alojado se deu às 2h01min, horário da Venezuela. Segundo Daniel Caine, ao chegarem à "área alvo", na região central de Caracas, as equipes de captura teriam sido alvejadas, mas responderam, segundo ele, com fogo em legítima defesa, "de forma esmagadora".
Ainda de acordo com o relato, Maduro e a esposa teriam se entregado sem resistência.
"Uma de nossas aeronaves foi atingida, mas permaneceu operável e, como o presidente disse mais cedo hoje, todas as nossas aeronaves retornaram em segurança". (Agência Brasil)