Líderes internacionais comentaram a ação que capturou o presidente do país, Nicolás Maduro.
O governo brasileiro se manifestou horas após o ataque. O presidente Lula (PT) condenou a invasão, afirmando que as ações "ultrapassam uma linha inaceitável".
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
A Colômbia tem uma fronteira de 2.219 km com a Venezuela, maior divisa terrestre de ambos os países. O presidente Gustavo Petro manifestou "profunda preocupação" e rechaçou "qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil".
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, tem forte alinhamento com Donald Trump. Pelas redes sociais, Noboa afirmou que "a hora vai chegar" para "narco-criminosos chavistas".
Também alinhado a Trump, o presidente boliviano, Rodrigo Paz Pereira pontuou que "quando um regime governa para o narcotráfico, a sociedade é submetida à tirania".
O governo argentino se manifestou por meio do Ministério das Relações Exteriores. O órgão emitiu nota apoiando o ataque realizado pelos Estados Unidos.
Gabriel Boric, presidente do Chile, posicionou-se contra a ação dos EUA. Ele afirmou que a crise na Venezuela deve ser resolvida de forma diplomática e "não através da violência e da interferência estrangeira".
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, condenou a ação dos EUA. Claudia mencionou a Carta das Nações Unidas, que, no Artigo 2º, determina que os Estados-membros devem "resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos" e "evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado".
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, também se posicionou contra o ataque. Ele demandou "reação urgente da comunidade internacional" contra a ação, que considerou "criminosa" e "terrorismo de Estado".
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, falou sobre o ataque, mas não opinou abertamente. Starmer afirmou que precisa "apurar os fatos" e "conversar com aliados" antes de se posicionar. Ele declarou, no entanto, que "deve-se respeitar as leis internacionais", e garantiu não haver envolvimento do Reino Unido na ação contra a Venezuela.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que "Nicolás Maduro levou o país à ruína" e que "as últimas eleições [venezuelanas] foram fraudadas", adicionando que não reconheceu o resultado do pleito. No entanto, ele adicionou que "determinar a legalidade da intervenção dos EUA é complexo e requer considerações cautelosas", também reforçando a importância de respeitar a legislação internacional.
Emmanuel Macron, presidente da França, declarou que "o povo da Venezuela hoje se libertou da ditadura de Nicolás Maduro", que, segundo Macron, "tomou o poder e pisoteou liberdades fundamentais".
A deputada federal Marine LePen, que disputou o cargo contra Macron em 2022 e tem posições políticas próximas às de Trump, por outro lado, foi crítica à invasão. Para ela, "há mil motivos para condenar o regime de Nicolás Maduro", mas "há uma razão fundamental para se opor" à ação dos EUA. Na visão de LePen, "a soberania dos Estados é inegociável, independente do seu tamanho, poder, ou continente".
Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, também pontuou que "ações militares externas não são o caminho para encerrar regimes totalitários", mas afirmou que seu governo "considera legítima uma 'intervenção de natureza defensiva' contra 'ataques híbridos'", o que, segundo ela, incluiria "entes estatais que fomentam e favorecem o narcotráfico".
O presidente russo, Vladimir Putin, não se posicionou oficialmente sobre o ataque. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, emitiu diversas notas condenando a ação, exigindo o retorno imediato de Maduro à Venezuela, e expressando "firme solidariedade com o povo da Venezuela no confronto contra uma agressão armada".
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o país "está profundamente chocado e condena fortemente" o ataque à Venezuela. De acordo com o comunicado emitido pelo governo, a ação "viola seriamente o direito internacional e a soberania venezuelana, e ameaça a paz e segurança na América Latina e no Caribe".