A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ofereceu mais detalhes sobre a saúde de Jair Bolsonaro (PL) após a queda do ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde ele está preso. Em conversa com a imprensa nesta terça-feira, 6, Michelle falou sobre o atendimento ao marido e criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que negou a ida imediata do ex-presidente ao hospital.
Bolsonaro sofreu uma queda e bateu a cabeça em um móvel na Superintendência da PF. Em nota publicada nesta terça, o órgão informou que o ex-presidente recebeu atendimento médico, após relatar à equipe de plantão que havia sofrido uma queda durante a madrugada.
Michelle Bolsonaro teria chegado no local pela manhã para visitar o marido e foi informada da situação. Em conversa com jornalistas no final da tarde, a ex-primeira-dama afirmou que Bolsonaro estava com um hematoma no rosto e uma lesão no pé.
“A gente não sabia o que tinha acontecido de fato. Ele está um pouco grogue por conta da medicação. Desde abril ele toma essa medicação forte. Então, nós solicitamos que ele pudesse ir para o hospital fazer os exames, a gente não sabe quanto tempo que ele ficou desacordado. Ele não lembra de nada e a gente queria saber se ele teve algum trauma, se ele teve algum problema neurológico”, detalhou.
Segundo Michelle, antes do ministro Alexandre de Moraes negar o deslocamento do ex-presidente, Bolsonaro se preparava para realizar um exame de ressonância e estava de jejum para o procedimento.
“Nós subimos com a petição. Até então, o perito falou que ele teria que ir para o hospital fazer esses exames. O delegado achou que tivesse autonomia também para que ele pudesse ir. Já estava tudo certo para ele ir para o hospital para fazer a ressonância, inclusive ele está de jejum. Eu estou indo para casa fazer a janta para trazer para ele, porque ele precisava estar em jejum para fazer a ressonância. E acabou que, às 14h08, a petição subiu e nós tivemos a negativa do ministro Alexandre de Moraes”, explicou.
Em decisão, Moraes avaliou que “não há nenhuma necessidade de remoção imediata” de Bolsonaro para o hospital. No entanto, destacou que a defesa, aconselhada pelo médico particular do ex-presidente, “tem direito a realização de exames, desde que previamente agendados e com indicação específica e comprovada necessidade”.
O ministro determinou que seja juntado o laudo médico realizado pela PF, decorrente do atendimento de Bolsonaro, e que a defesa indique quais os exames necessários para que se verifique a possibilidade de realização no sistema penitenciário.
Michelle destacou que, agora, a saúde e a vida do marido estão “nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR)”.
“Ele exigiu que uma nova petição fosse feita dentro do que ele havia solicitado. Nós fizemos novamente. Eu estava no hospital aguardando ele. Nós ficamos quase três horas no estacionamento aguardando a chegada, retornamos para cá e vimos que ele encaminhou essa petição para a PGR. Então, a saúde e a vida do meu marido agora estão nas mãos da PGR”.
“A gente já não sabe mais, porque até as atribuições da PF agora estão com o ministro Alexandre de Moraes, a gente não entende mais nada [...] A PF não tem autonomia para tirar uma pessoa que sofreu um acidente, que bateu com a cabeça no móvel. A gente está esperando o excelentíssimo ministro Alexandre de Moraes liberá-lo. Agora, ele está em Dubai, lá já é madrugada. Ele encaminha para a PGR e a PGR não dá nenhuma resposta”.
A ex-primeira-dama também criticou a falta de atendimento rápido ao marido e relembrou a justificativa de Moraes ao negar o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Bolsonaro.
O ministro indicou que o ex-presidente pode receber atendimento médico particular sem autorização judicial e que há uma equipe da PF para atendê-lo em caso de emergência, destacando também a proximidade entre o local onde Bolsonaro está preso e o hospital.
“Quando o ministro falou que ele poderia voltar para PF, que aqui ele teria o atendimento rápido, que era próximo ao hospital, nós já estamos aqui há quase 10 horas e nada aconteceu. Na minha casa, quando ele tem quadro de apneia, eu fico virando ele durante a noite. Isso é comprovado. Mais uma vez provou que o atendimento aqui não é rápido e que, infelizmente, ele está aquém. A gente não tá entendendo o que tá acontecendo mais. Ele está aqui, porque ele pode receber o atendimento rápido, mas ele não recebeu atendimento”, criticou Michelle.