O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gostou da transferência da sede da Superintendência Regional da Polícia Federal para o presídio da Papudinha, também em Brasília, e vê a decisão como "bom gesto". A avaliação é relatada por aliados do ex-presidente que se encontraram com a esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após a transferência, na mesma noite.
A determinação de transferência foi dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na tarde de quinta-feira, 15. A Papudinha é o nome popular do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, que faz parte do Complexo da Papuda e onde ficam presos policiais e pessoas politicamente expostas.
Aliados próximos da família dizem ter "começado o ano bem", e que o objetivo é enviar o ex-presidente para a prisão domiciliar, em sua casa num condomínio de Brasília, mas que há ganho em qualidade de vida na cela da Papudinha.
O entorno de Bolsonaro agora coloca suas esperanças na perícia por uma junta médica da Polícia Federal para analisar a situação de saúde do ex-presidente. O exame deverá ser feito antes de Moraes analisar um novo pedido de prisão domiciliar humanitária, segundo decisão assinada na quinta pelo ministro.
A perícia poderá facilitar eventuais adaptações de acomodação na sala da Estado Maior na Papudinha ou a necessidade de transferência para um hospital penitenciário.
A defesa requereu a Moraes a concessão de prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro e a realização de nova "avaliação médica independente, em caráter de urgência, a fim de aferir a compatibilidade do estado clínico atual do peticionário com o ambiente prisional".
A transferência de Bolsonaro vem sendo tratada com alívio por parte de aliados em conversas reservadas, mas criticada em público. A avaliação geral é que a mudança de cela vai trazer um ganho na qualidade de vida a Bolsonaro, mas não pode ser comemorada em público, sob o risco de arrefecer a campanha pela prisão domiciliar.
Para um aliado, as condições na cela da Papudinha melhoram a "condição mínima" de bem-estar dele. Para outro, ela é "absurdamente melhor, mas não pode comemorar ainda porque tudo isso ainda é uma sacanagem".
Um deles afirmou que a transferência acaba reduzindo a pressão junto à militância e à classe política pela campanha de prisão domiciliar, o que pode perpetuar o encarceramento de Bolsonaro. Outro vê na decisão de Moraes "um fundo de preocupação em fazer besteira, imagina se o presidente morre" (na cadeia).