Ali Khamenei:
o implacável líder supremo que enfrenta o seu maior desafio no Irã
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, um estrategista habilidoso que nunca hesitou em recorrer à repressão, superou inúmeras crises à frente do sistema teocrático da República Islâmica, mas agora enfrenta uma oposição sem precedentes.
Aos 86 anos, comanda o Irã desde 1989, sucedendo o fundador, o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Desde então, reprimiu brutalmente uma série de protestos, como a mobilização estudantil de 1999, as manifestações em massa deflagradas em 2009 por eleições presidenciais controversas e uma onda de contestação em 2019.
Khamenei sempre o turbante preto dos "sayyid", os descendentes do profeta Maomé, e uma espessa barba branca.
Ele sobreviveu à guerra do ano passado e, diante da nova onda de protestos que sacode o país, apareceu em público para pronunciar um discurso agressivo no qual chamou os manifestantes de "bando de vândalos" apoiados pelos Estados Unidos e por Israel.
Khamenei, filho de um imã, nasceu em uma família pobre do país. O ativismo contra o xá Reza Pahlavi, apoiado pelos EUA, fez com que passasse grande parte das décadas de 1960 e 1970 na prisão.
Reza Pahlavi:
ex-príncipe herdeiro que ganhou projeção nos protestos no Irã
Reza Pahlavi foi criado para se tornar xá do Irã, mas vive no exílio desde a revolução de 1979 que derrubou o pai dele. Agora, emergiu como uma figura de unidade nos protestos que sacodem a República Islâmica.
O grito "Pahlavi voltará!" tornou-se um mantra das manifestações.
Ele não pisa no Irã desde antes da revolução que depôs o pai, Mohamad Reza Pahlavi, pondo fim a milhares de anos de governo imperial no país.
Reza Pahlavi estava fora do Irã durante a revolução. Deixou o país em 1978, aos 17 anos, para se formar como piloto militar nos Estados Unidos. O pai morreu em 1980, no Egito. A mãe, de 87 anos, está viva.
Pahlavi insiste que não quer ser coroado monarca do Irã, mas que está pronto para liderar uma transição rumo a um país livre e democrático. Ainda assim, é uma figura que divide opiniões, inclusive entre a oposição iraniana.
Pahlavi defende um Irã laico, com maiores liberdades sociais, especialmente para as mulheres, além de espaço para os apoiadores da República Islâmica, mas seu estilo comedido contrasta com o de alguns aliados que defendem punir adversários.