O deputado federal José Guimarães (PT), líder do governo Lula na Câmara, defendeu que ampliar as bancadas do Partido dos Trabalhadores no Senado e na Câmara dos Deputados seja a principal prioridade da sigla nas eleições de 2026.
Em entrevista concedida neste sábado, 17, o parlamentar avaliou que a atual correlação de forças no Congresso impõe limites severos à governabilidade e compromete a execução de políticas públicas consideradas centrais pelo Palácio do Planalto, especialmente em um eventual novo mandato do presidente Lula.
Segundo Guimarães, a dificuldade em aprovar matérias estratégicas tem marcado o dia a dia da liderança do governo na Câmara. A avaliação foi feita durante a abertura de um evento organizado por ele para discutir temas ligados a Fortaleza, ocasião em que adotou um tom mais direto ao tratar da relação entre Executivo e Legislativo.
"É eleger senadores e eleger uma bancada forte para mudar a correlação de forças lá. É impensável. Eu não aguento mais ser líder do governo numa correlação de forças daquela. Até para aprovar o orçamento, que é um problema grave, até para aprovar um reajuste Bolsa-Família ou reajuste do salário…”, listou.
Em entrevista, na sequência, ele explicou o sentido da declaração, afirmando que a fala reflete as dificuldades políticas impostas pelo atual desenho do Congresso Nacional. “É bom a gente entender que quando eu falo isso significa que eu não cumpro essa missão. Claro. Quando eu digo não aguento, falo das dificuldades, porque você liderar o governo numa correlação de forças extremamente desfavorável”, argumentou.
O parlamentar ressaltou que a superação desse cenário passa, necessariamente, pelo resultado das urnas em 2026, com impacto direto não apenas no plano nacional, mas também nos estados. "Temos alterar essa correlação de forças", destacou.
Guimarães lembrou que a estratégia eleitoral já foi definida nacionalmente pela legenda. “Nós estabelecemos pelo Grupo de Trabalho Eleitoral nacional três prioridades. A eleição para presidente, a eleição de senadores e a eleição de deputados federais. Portanto, não estou dizendo que a eleição dos governadores, onde nós já governamos e outros que vão disputar, que não seja importante, mas para governar o Brasil no próximo período, você tem que alterar a correlação de forças, sobretudo no Senado Federal”, pontuou.
Ao tratar das consequências práticas da ausência de maioria parlamentar, Guimarães citou derrotas recentes do Executivo em votações consideradas centrais na Câmara dos Deputados.
“Eu cito três questões que são muito decisivas para o governo do Brasil que nós perdemos lá. O IOF, aquele tributo que nós queríamos cobrar do andar de cima, e nós perdemos. A PEC da Blindagem, também nós perdemos. E a questão do projeto de lei que o governo encaminhou ao Congresso Nacional, o projeto da facção”, listou.
Para o líder do governo, o problema é estrutural. “Não é fácil você governar. O modelo do Brasil hoje é o modelo presidencialista. de coalizão. Para você consolidar o governo, você precisa de maioria parlamentar e nós não temos”, afirmou.
Nesse contexto, Guimarães reforçou que a ausência de maioria compromete não apenas a agenda econômica, mas o próprio projeto político do governo. “O país não pode ficar vencido de uma correlação de forças absolutamente desfavorável. O Brasil precisa diz avançar. Para avançar nós temos que ter maioria social e maioria parlamentar para aprovar os projetos de igreja do Brasil”, defendeu.
O vice-presidente nacional do PT avalia que, mesmo reconhecendo a importância das disputas estaduais, a governabilidade de um eventual quarto mandato do presidente Lula dependerá diretamente da recomposição do Congresso. Segundo ele, sem essa mudança, as dificuldades tendem a se intensificar.
É nesse contexto de defesa da recomposição das bancadas federais que Guimarães voltou a defender a própria pré-candidatura ao Senado pelo Ceará. “Eu penso que a gente chega no momento da vida política e da vida pública, no meu caso, tem que pensar outras possibilidades”, afirmou. Ele relembrou a trajetória de alianças no estado, citando os governos de Cid Gomes, Camilo Santana e, atualmente, Elmano de Freitas.
“Essa construção desse projeto tem muito a ver conosco, tem muito a ver comigo como dirigente estadual do PT e eu penso que Chegou uma hora da gente dar um salto grande”, disse.
Segundo Guimarães, o compromisso prioritário segue sendo com o projeto político em curso, mas a possibilidade de disputar o Senado deve ser colocada na mesa. “Eu quero levar a o último degrau da aliança política a possibilidade da gente ser candidato a senador pelo Ceará”, afirmou.
O deputado negou que a defesa de seu nome seja apenas uma questão pessoal. “Não é porque eu quero simplesmente ou por questão de justiça, porque eu já renunciei várias vezes, mas eu acho que nós temos que dar um salto de qualidade”, disse, ao criticar o nível atual da Casa. "A qualidade é muito baixa. O nível de articulação política Bolsonarista é muito grande e eles não podem ter maioria", completou.
Sobre a disputa pelo Governo do Estado em 2026, Guimarães descartou qualquer especulação envolvendo o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e cravou a reeleição do atual governador. “O candidato é o Elmano. Não só porque ele tem o direito e reeleição, é pelo governo que ele tá fazendo. Não é pouca coisa. A economia do Estado tá dando um salto muito grande”, afirmou, destacando também as políticas de combate à fome.
Ao comentar o cenário de polarização no Ceará, o parlamentar afirmou que há uma divisão clara entre os campos políticos. “Essas forças que estavam no armário e agora se unificaram para disputar, tentar derrotar o PT”, cutucou a oposição, ao mesmo tempo em que defendeu que o debate eleitoral não descambe para ataques pessoais. “Quem rompeu, quem mudou de lado, não fomos nós”, acrescentou.
Por fim, Guimarães demonstrou confiança no desempenho eleitoral do grupo governista em 2026. "Devo dizer que eu sou muito confiante que, pelo que nós fizemos, pelo que nós temos que mostrar, a candidatura do Elmano é muito potente na hora que for para a televisão”, afirmou.
Segundo ele, o PT e aliados têm condições de vencer “a eleição nacional, a eleição do governo do estado e a eleição dos nossos senadores e deputados federais, deputados estaduais”, resultado que, na avaliação do parlamentar, seria determinante para garantir maior governabilidade a um novo mandato presidencial.