Com apenas dois meses de criação, o partido Missão evita previsões sobre desempenho eleitoral no Ceará. O presidente Renan Santos, pré-candidato a presidente da República e cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), afirma que o foco, por ora, é estruturar a legenda nacionalmente.
“A gente não está fazendo isso para nenhum estado, porque o partido está com dois meses de vida — um bebê recém-nascido — e nós estamos estruturando ele ao redor do Brasil”, contou durante visita à sede do O POVO nesta sexta-feira, 30.
Apesar disso, o dirigente partidário diz acreditar que o "crescimento" do Missão nas pesquisas presidenciais pode ter efeito nos estados. “Isso está gerando um conhecimento do partido e os nossos quadros se beneficiam disso”, projetou.
Renan disse ainda que espera eleger “no mínimo” um deputado federal e um estadual no Ceará.
“Eu sei que, com certeza, vou eleger pessoas aqui no Ceará. Tenho certeza que vou eleger em São Paulo. Eu não estou conseguindo metrificar, porque agora que o partido ficou pronto, a gente está indo para o desenho de estruturar as chapas e vai ter que ser tudo muito rápido, porque as pessoas tem que estar filiadas até abril. Então, é uma corrida contra o tempo".
Segundo Renan Santos, os nomes que devem disputar eleições pelo Missão no Ceará advêm da militância do próprio MBL e do processo de construção do partido. A estratégia, conforme explicou, deve priorizar candidaturas próprias.
“A ideia é participar das eleições no maior número de lugares possíveis com candidatos próprios, porque a gente tem um programa próprio”, contou, minimizando qualquer conversa sobre composição com forças políticas locais.
Questionado acerca de eventual alinhamento com a oposição cearense, neste momento liderada pelo ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), o presidente do Missão respondeu: “Eu nem fui chamado para sentar, nem acho que eles deveriam chamar a gente agora, porque o nosso projeto, agora, é de construção da nossa base e nenhum deles hoje quer estar na nossa base”.
Descartando apoio ao tucano nas eleições de 2026, Renan informou que o partido deve ter candidato próprio ao Governo do Estado, mas não antecipou nomes.
Ainda sobre o ex-ministro, o pré-candidato do Missão avaliou em participação no programa O POVO News: "Se eu comparar o Elmano com o Ciro, eu acho o Ciro um cara mais razoável que Elmano, ou mesmo que o Camilo".
Na ocasião, o confudador do MBL foi indagado se o tucano não teria perfil do Missão. "Se ele fosse um pouco mais jovem, talvez", respondeu.
"Temos divergência sobre como resolver a questão fiscal no Brasil, mas ele ao menos é um cara que você consegue discutir projeto. Eu acho que tem um mérito nisso. Por mais que ele seja meio bicudo, difícil falar com ele, meio briguento, mas é do jogo".
E ironizou: "Eu dei a dica para ele. Eu consegui montar o meu partido, né? Vamos ver se ele consegue montar o dele. Eu acho que não”.
Nas entrevistas, Renan também criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a família. “Tivemos nossos problemas com a direita. Vimos que o Jair Bolsonaro era fraco, covarde e corrupto e com base nisso falamos: 'Precisamos ter o nosso próprio caminho'".
Segundo o presidente do Missão, o ex-mandatário "fracassou redondamente" ao tentar montar um partido próprio, "não porque não era popular junto à sua base, mas porque era desorganizado e pouco inteligente".
Quanto ao possível adversário na corrida pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Renan chamou-o de "um câncer para a política brasileira", responsabilizando-o por "acordos" que, segundo ele, enfraqueceram a Lava-Jato e fortaleceram a impunidade no País.
"O Flávio Bolsonaro é um problema para o Brasil e a família Bolsonaro também é um problema para o Brasil, até porque eles capturaram a esperança de milhões de brasileiros que queriam um País diferente e transformaram isso num culto à personalidade do Jair”.
Ao comentar sobre eventual segundo turno na corrida presidencial, o dirigente partidário se projetou na disputa.
"Eu só me vejo no segundo turno. Esses caras atacaram a minha família, eles tentaram prender os nossos amigos, eles foram muito sujos com a gente. Eu não estou preocupado com ele [Flávio] agora. Eu estou preocupado em ir para o segundo turno. A família Bolsonaro, eu sei o que eles fizeram com os meus pais. Eu sei as pessoas que eles atacaram. Eu não perdoo isso".