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Inconsistências no currículo: quais as consequências?

Caso Decotelli estimula debate sobre o impacto de informações falsas ou imprecisas no currículo
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Dias após o então ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, pedir demissão ao ser confrontado sobre inconsistências em seu currículo, a discussão sobre o hábito de acrescentar informações falsas ou imprecisas no documento ganhou força no Brasil. Nas redes sociais, diversos internautas têm brincado com o fato de apenas acrescentarem dados considerados "inofensivos", como fluência em um idioma, em comparação a informações mais "sérias", como afirmar possuir uma pós-graduação que não foi concluída, um dos pontos apontados contra Decotelli. Mas será que essas "pequenas" mentiras também podem causar problemas para a sua carreira?

Segundo uma pesquisa realizada pela Robert Half, empresa especializada em recrutamento e seleção, pelo menos 42% dos currículos apresenta alguma informação imprecisa ou falsa. Entre as principais mentiras estão fluência em algum idioma, conclusão de cursos de graduação ou experiências de trabalho mais longas do que realmente foram, de maneira a tentar impressionar os recrutadores durante o processo seletivo.

Valéria Mota, gerente executiva de seleção da Mrh Gestão de Pessoas e Serviços, destaca que também é comum que candidatos incluam cursos que não fizeram e alterem idade ou endereço. "Ainda que o mercado esteja cada vez mais exigente, o currículo deve ser um documento objetivo e honesto. Não se deve colocar nada que não possa ser provado, e recomendamos que os profissionais de RH sempre exijam documentação comprobatória na admissão, para não gerar nenhum constrangimento depois. A depender do nível da mentira, caso ela seja descoberta após a contratação, a gestão pode até demitir o funcionário por justa causa", afirma.

e se eu não tiver experiência?

Há diversas opções para manter um currículo atraente, mesmo se você estiver fora do mercado na sua área de atuação. A gerente de seleção Valéria Mota ressalta que, além de estágios para estudantes, profissionais podem dar um upgrade no currículo atuando como voluntários em projetos de ação social, fazendo cursos livres de idiomas e aperfeiçoamento e investindo em suas competências comportamentais durante os processos seletivos. Caso seja possível, investir em MBAs e programas de pós-graduação também pode mostrar que você segue se atualizando e, portanto, está pronto para ingressar ou retornar ao mercado!

Para não errar

O Instituto de Pesquisa do Risco Comportamental (IPRC) realiza amanhã, 7 de julho, o webinário "Entrevista no processo seletivo: selecionando profissionais íntegros", no canal do Youtube da instituição. A live simulará um processo seletivo em tempo real, com dicas para candidatos e informações para profissionais de RH sobre como detectar as principais inconsistências nos currículos. Participarão do encontro a sócia da S2 Consultoria, Alessandra Costa, o diretor acadêmico do IPRC, Renato Santos, e o CEO da C-Level Group, Renato Berkowitz. Confira: https://bit.ly/2AwGrvE

Vínculos estudantis e normas de conduta

Outros casos comuns de mentiras no currículo, segundo a sócia da S2 Consultoria, Alessandra Costa, dizem respeito a jovens aprendizes ou estagiários que interrompem os estudos por vontade própria e não informam aos gestores. "É algo que acontece muito, porque não há uma base nacional para consulta desse tipo de informação. Nesses casos, é muito comum que haja demissão, pois a empresa perde a confiança na pessoa logo no início do vínculo empregatício. Há pouca tolerância nas instituições em relação a isso", ressalta.

Também há casos em que as infrações estão diretamente relacionadas à conduta da empresa, como locais de trabalho que não permitem contratação de parentes. "É necessário que as normas sejam bem detalhadas já no processo seletivo, para não gerar interpretações erradas e possíveis brechas. Além disso, é necessário avaliar se os candidatos, para além das competências técnicas, estão alinhados com os valores da empresa. Deve-se contratar pelo caráter, pois as habilidades podem ser treinadas, e, com tantas atualizações, nem sempre haverá um profissional 100% pronto", pontua Alessandra.

Principais mentiras encontradas em currículos

1 - Nível de idioma

2 - Formação não concluída

3 - Datas de admissão e desligamento

Fonte: Page Personnel

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