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Os caminhos da transformação digital
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Sebrae realiza palestra-live gratuita com Andrea Iorio nesta terça-feira, 10, na estreia do ciclo de palestras Experience - Grandes temas: renove seus conceitos de liderança e impulsione seus negócios
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Para dar início ao ciclo de palestras "Experience - Grandes temas: renove seus conceitos de liderança e impulsione seus negócios", promovido pela Experience - Escola de Conhecimento Sebrae, a instituição recebe na próxima terça-feira, 10, em uma palestra ao vivo online, Andrea Iorio, o palestrante e autor do best-seller "6 Competências da Transformação Digital".

Economista e mestre em Relações Internacionais pela Universidade Johns Hopkins (EUA), Andrea já foi diretor do Tinder na América Latina e chief digital officer na L'Oréal. Em suas palestras, aborda temas como transformação digital, liderança, inovação, cultura de empresa e experiência do cliente. O evento é gratuito e ocorre online a partir das 19 horas. Para se inscrever, basta acessar o site do Sebrae: https://link.ce.sebrae.com.br/liderancadigital

Confira um bate-papo do O POVO com o palestrante:

O POVO - Sua experiência é bem múltipla, focada em tecnologia, desenvolvimento de empresas e aperfeiçoamento do relacionamento com o cliente. Conta um pouquinho pra gente sobre essas experiências.

Andrea Iorio - Eu não tenho um perfil que nasceu, de fato, com a tecnologia. Mesmo não sendo um técnico, quando terminei meu mestrado o mundo estava um pouco na onda das startups, que estavam crescendo bastante, e meu primeiro emprego após formado foi no Groupon. O Groupon fez com que eu me aproximasse muito da tecnologia e foi aí que eu também entendi muito sobre a relação com o cliente, pois eu era gerente comercial. Nessa época, vivi uma trajetória de alto crescimento da empresa que, depois, me levou para a experiência no Tinder. No Tinder, eu focava muito no marketing digital e em desenvolver o cliente para criar capitais de marketing, dessa vez ligados ao mercado dos aplicativos. Depois, migrei para a L'Oreal, uma empresa com um background bem diferente que me deu a chance de aplicar os conhecimentos de tecnologia que eu tinha assumido ao longo do tempo e trazê-los para um contexto muito mais tradicional, uma empresa de 110 anos de vida. Em paralelo, comecei a criar conteúdo no LinkedIn, pois sempre gostei de escrever, e isso foi que me deu esse primeiro incentivo a criar conteúdo. A partir disso, começaram a chegar os primeiros convites para palestras e publiquei meu primeiro livro. Agora também estou com um podcast, o Metanoia Lab, então crio conteúdo em vários canais, o que faz com que o negócio de palestras seja hoje o meu negócio principal.

OP - Você foi, por quase cinco anos, diretor do Tinder na América Latina. Esse foi um aplicativo que revolucionou a forma de se relacionar e a gente tem visto muitos negócios digitais como redes sociais e aplicativos fazendo isso, mudando a forma dos seres humanos se conectarem. Como você acha que vai se dar a transformação digital através dessas estruturas digitais no pós-pandemia?

Andrea - É uma bela oportunidade para as redes sociais e aplicativos como o Tinder repensarem o papel que eles têm na sociedade e transformar esse papel em algo cada vez mais positivo. Acho que esses negócios cresceram tão rapidamente que cresceram sem que os fundadores pensassem tanto no impacto que isso tinha na sociedade. Quem desenvolve essas grandes plataformas tem uma enorme responsabilidade social, porque as decisões que eles tomam podem afetar muito as relações, as formas das pessoas se relacionarem. O documentário "O Dilema das Redes", da Netflix, fala muito sobre isso, sobre como a gente precisa se responsabilizar um pouco mais - acho que o Facebook precisa fazer muito isso, o Tinder fez muito isso ao entender que, ao mesmo tempo que ele dava mais chances para que as pessoas se conhecessem, podia ter como efeito relações menos duradouras, porque as pessoas tinham mais possibilidades de trocar os parceiros. O grande desafio para o Tinder e todas as outras plataformas é fazer com que elas sejam o mais positivas possíveis para a sociedade, pois só assim, afinal, o negócio se cria e se torna sustentável a longo prazo. Se isso não acontecer, eles só vão ganhar dinheiro no curto prazo e depois não vão se sustentar. Acho que isso foi um aprendizado que a gente teve.

O POVO - Você também auxilia a população a criar aplicativos que sanem suas necessidades a partir da ONG Apps do Bem, que desenvolve negócios e soluções para causas sociais. Você acha que esse momento de profunda transformação digital pode vir a beneficiar também o social? É uma tendência que a tecnologia se atente mais a esse setor?

Andrea - Acho que sim, mas ao mesmo tempo penso que o ser humano é um ser de hábitos e que a gente vai voltar aos nossos hábitos antigos mais rápido do que a gente pode imaginar assim que tudo acabar. A gente não sabe quando isso vai acontecer - acho que vai demorar bastante -, mas a realidade é que se a gente não fizer um esforço coletivo de ser uma civilização que reflete sobre tudo que vem acontecendo nesses últimos meses e como isso impacta o nosso mundo e nossa vida, corremos o risco de voltar ao antes. E o antes a gente já tinha percebido que não era um mundo sustentável; as taxas de ansiedade e depressão estão subindo muito, o risco à sustentabilidade também, a distância entre a população mais pobre e mais rica também. O digital pode ser um grande fator de democratização, mas realmente precisa ser desenhado como tal.

O POVO - Hoje você está atuando em um segmento que tem tido um alcance crescente, que é o setor de podcasts, uma área que as pessoas estão começando a prestar mais atenção e que antes era muito de nicho. No momento, um dos tópicos que move o debate no Brasil é como monetizar o podcast, como transformá-lo em negócio. Como funciona o Metanoia Lab? E o que você acha que esse segmento pode trazer de bom para os empreendedores?

Andrea - O Metanoia Lab começou com a crise. Era um projeto que eu já tinha há muito tempo e, devido ao tempo que todos passamos em casa, consegui tirar do papel no começo do ano. Ele funciona como um monólogo onde eu analiso, a cada episódio, as teorias de algum pensador ou líder contemporâneo, como Jeff Bezos (Amazon) e Bill Gates (Microsoft). Tudo gira em torno de transformação digital, liderança e inovação. Acredito muito que estamos vendo só a pontinha do iceberg do mundo dos podcasts hoje. O formato áudio é um formato que ainda tem muito a nos oferecer, que pode ser absorvido de forma dinâmica, então as pessoas costumam passar mais tempo ouvindo podcast do que lendo, por exemplo, ou assistindo um vídeo. E acho que a monetização de podcasts vai muito além dos anúncios: para um palestrante/criador de conteúdo como eu, por exemplo, ele vira um grande canal de marketing, que faz com que eu possa ser mais conhecido.

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