Reportagem

Acordos resultam de modelo proporcional; novas regras podem amenizá-los

Segundo estudioso
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Observador da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE) há uma década, o cientista político e professor universitário Cleyton Monte destaca que a alternância nas cadeiras do Legislativo estadual resultam dos acordos políticos que são feitos no período eleitoral.

Isso porque o modelo de eleições para os parlamentos é proporcional, isto é, a votação de cada candidato é influenciada pelo total de sufrágios obtidos pelo partido ou coligação ao qual pertence. Na prática, os votos que "restam" dos candidatos mais escolhidos pelo eleitor ajudam a eleger os outros do mesmo partido ou coligação.

"É como se a vitória dele não fosse só dele. Para que o partido conseguisse o número (de votos), precisou de várias lideranças. O vencedor sabe que se não contar com o apoio dessas lideranças que não tiraram os votos suficientes, na próxima (eleição) pode não conseguir se eleger", explica o docente.

O parlamentar licenciado, prossegue Monte, geralmente aproveita este tempo para dar atenção às bases eleitorais — municípios nos quais é mais votado. O suplente, por sua vez, consegue demonstrar trabalho para o seu eleitorado que, embora seja mais reduzido que o do titular, quer ver do empossado alguma demonstração de trabalho que beneficie o seu município.

Além disso, ainda segundo o cientista político, é um modo de acenar para o futuro eleitor, já que usará a tribuna, será visto pelos veículos de comunicação da Casa e, no curso do mandato temporário, se valerá das redes socais. "Não é algo formal, é um jogo informal. Se o titular quiser ficar todo o mandato exercendo, ele pode."

Com o fim das coligações proporcionais, programado para vigorar já no próximo ano, Monte aponta que a tendência é de que esses acordos diminuam. Isso porque a figura do puxador de votos se restringirá aos partidos - não a um conjunto de partidos aliados, definição de coligação. (Carlos Holanda)

 

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