Reportagem

Operações contra facções já haviam apontado atividade criminosa de advogados

Edição Impressa
Tipo Notícia

As principais facções que atuam no Ceará possuem uma contribuição mensal obrigatória, que, entre outras finalidades, serve para pagamentos de advogados. O Primeiro Comando da Capital (PCC) chega a contar com uma célula especificamente voltada para a contratação de advogados, conforme investigações da Delegacia da Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Conforme a operação Profilaxia, quem comandava a chamada "Sintonia dos Gravatas", pelo menos, até 2017, era um homem identificado apenas como "Irmão Noturno", que estava preso na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga (Grande Fortaleza).

Mas as investigações também apontam que, para além de serviços advocatícios, o PCC contou com serviços criminosos de advogados. Na operação Saratoga, deflagrada ainda em 2017, foi decretada a prisão de uma advogada apontada como alguém que "suplantava a mera relação advogado-cliente", conforme consta em denúncia do MPCE. Alexandrina Cabral Pessoa, de acordo com o MP, usava-se de "conhecidos" para conseguir "informações privilegiadas" e "interferir no rumo de investigações policiais".

Segundo a denúncia, ela ainda intermediaria "subornos de grande monta junto a agentes da segurança pública". O MPCE a relacionou a Francisco Márcio Teixeira Perdigão, o Márcio Perdigão, apontado como uma das principais lideranças do PCC no Estado e um dos maiores traficantes do bairro Bom Jardim. Na resposta à acusação, a defesa dela ressaltou, entre outros pontos, que a acusação era genérica e que havia ilicitude das interceptações telefônicas. O caso ainda aguarda julgamento. A prisão preventiva dela foi convertida para prisão domiciliar.

Outra operação contra facções do MPCE que encontrou provas de atuação criminosa de advogados foi a Piranji II, que tinha como alvo a atuação da facção Comando Vermelho no Litoral Leste do Estado. Um dia após a prisão, ocorrida em 14 de março último, ela teve a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar. Entre as motivações da decisão judicial, a advogada era mãe de uma criança recém-nascida. A participação dela na facção não foi divulgada. O caso segue em segredo de justiça. (Lucas Barbosa)

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais