Reportagem

Brasil declara transmissão comunitária da Covid-19

Número de casos confirmados aumentou 45% no Brasil, que chegou a 904 casos. No Ceará, o número quase triplicou em 24 horas, com 68 confirmações
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NO CALÇADÃO DA BEIRA MAR, ontem, famílias passeavam apesar do alerta sobre a necessidade isolamento para interromper transmissão do vírus (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE NO CALÇADÃO DA BEIRA MAR, ontem, famílias passeavam apesar do alerta sobre a necessidade isolamento para interromper transmissão do vírus

O Brasil está com transmissão comunitária da Covid-19. Essa classificação de contágio ocorre quando paciente que não viajou nem teve contato com quem viajou para local de epidemia testa positivo para o coronavírus (Sars-CoV-2). Ou seja, não é possível rastrear qual a origem da infecção. Portaria assinada pelo Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi publicada na noite de ontem em edição extra do Diário Oficial da União declarando o status.

No País, a pandemia apresentou aumento de 45% no número de casos confirmados. O balanço federal aponta aumento de 621, na quinta-feira, 19, para 904, até ontem. São Paulo segue com o maior número de confirmações, com 396 pacientes que testaram positivo. O Estado é seguido pelo Rio de Janeiro, 109, e pelo Distrito Federal, 87. Onze pessoas já morreram em decorrência da doença, sendo nove em São Paulo e duas no Rio de Janeiro.

O ministro da Saúde disse que a taxa de infecção pela Covid-19 deve ter aumento expressivo em abril e só deve apresentar "queda profunda" em setembro durante uma videoconferência do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) com empresários ontem.

"A gente deve entrar em abril e iniciar a subida rápida, isso vai durar os meses de abril, maio, junho, quando ela vai começar a ter uma tendência de desaceleração. O mês de julho deve começar o platô (estabilização). Em agosto, o platô vai começar a mostrar tendência de queda e aí a queda em setembro é profunda", explica.

No Ceará, 44 casos de pacientes infectados com o Sars-CoV-2 foram confirmados nas últimas 24 horas. De quinta-feira, 19, até ontem, o número pulou de 24 para 68 notificações confirmadas, conforme a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). O estado é o quarto com mais casos da infecção no Brasil. A transmissão comunitária tinha sido confirmada pelo titular da pasta, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, Dr. Cabeto, em transmissão ao vivo nas redes sociais do órgão. No final da noite, foi divulgado que o prefeito Roberto Cláudio testou positivo para coronavírus.

Fortaleza concentra 63 das notificações confirmadas no Estado. A Capital é seguida de Aquiraz (1), Fortim (1), Juazeiro do Norte (1) e Sobral (1), além um paciente natural de São Paulo. As medidas que estão sendo executadas no Estado, segundo ele, já são resultado da constatação da condição epidemiológica. "A gente está na fase de transmissão comunitária. Então o número de casos vai aumentar. O que a gente precisa é baixar a curva, reduzir o número de contágios por dia", diz.

Dr. Cabeto garante que os profissionais da saúde têm recebido os devidos insumos para proteção. Segundo ele, o governador Camilo Santana tem mantido contato com governos internacionais, inclusive a China, para colaborar com a importação desses insumos. "E eu tenho certeza de que os hospitais privados estão se organizando, eles que estão agora com maior atendimento. E os hospitais públicos também já contam com estoques de EPIs adequados e a gente vai expandir isso. As UPAs estão preparadas para isso, por isso já estão fazendo atendimento", afirmou.

 

Hospital Leonardo da Vinci abre neste domingo com 230 leitos para pacientes com coronavírus

O Hospital Leonardo da Vinci, localizado na Aldeota, começa a atender a partir deste domingo, 22, casos suspeitos e eventuais confirmações do novo coronavírus na Capital. O anúncio foi divulgado pelo secretário da Saúde do Ceará, Dr. Cabeto, na tarde de ontem durante uma live no Facebook.

O hospital estava desativado e passa a ser administrado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), funcionando como "retaguarda das unidades de atendimento" já existentes. De acordo com Dr. Cabeto, a unidade conta com cerca de 230 leitos, sendo 30 de UTI, atendendo especificamente a rede pública. "É óbvio que tudo isso pode mudar. Amanhã a rede privada precisa, ninguém vai negar atendimento. Mas ele foi planejado para dar suporte à rede pública, prioritariamente, que é a grande maioria das pessoas", explica o secretário.

O Hospital Leonardo da Vinci não terá atendimento de emergência e os pacientes só serão encaminhados à unidade por meio de uma central de regulação. (Kamilla Vasconcelos/ Especial para O POVO)

 

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