Reportagem

Governo ocupará mais de 64 leitos em dois hospitais particulares e UFC

Na última segunda-feira, 6, o secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Cabeto), requisitou leitos convencionais e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais particulares – o Batista Memorial e o Pronto Socorro dos Acidentados (PSA) – além de enfermarias do NPDM/UFC
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A partir de cruzamento de dados oficiais pela plataforma Datasus, a pesquisa demonstrou que, em 2018, os três estados registraram 47% das mortes por gripe e pneumonia no Brasil. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil A partir de cruzamento de dados oficiais pela plataforma Datasus, a pesquisa demonstrou que, em 2018, os três estados registraram 47% das mortes por gripe e pneumonia no Brasil.

Apesar de uma portaria da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), até o final da tarde de ontem, o coordenador do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC), Odorico de Moraes Filho, não havia sido comunicado oficialmente que 64 leitos do NPDM/UFC seriam ocupados com pacientes infectados pelo coronavírus. “Soube porque você me enviou o Diário Oficial do Estado e me fez perguntas que não sei responder”, reclamou o cientista.

Na última segunda-feira, 6, o secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Cabeto), requisitou leitos convencionais e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais particulares – o Batista Memorial e o Pronto Socorro dos Acidentados (PSA) – além de enfermarias do NPDM/UFC.

Veja o número de leitos de UTI no Ceará até fevereiro:

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De acordo com a portaria 2020-342, publicada no Diário Oficial do Estado (Doe), as consequências da pandemia da covid-19 obrigaram o governo do Ceará decidir pela ocupação, compulsória, de hospitais que “possuem leitos e equipamentos de UTI ociosos, não utilizados ou desativados em condições de aproveitamento pela Secretaria da Saúde”.

O problema, de acordo com o coordenador do NPDM/UFC, é a falta de informação entre a Sesa e a UFC. Os leitos do Núcleo da universidade pública, que são utilizados para pesquisa e desenvolvimento da eficácia de medicamentos ainda fora do mercado, são equipados apenas com camas e equipamentos básicos. “O que será utilizado? É o leito físico. Então terá de ser equipado com respiradores. Não funcionamos como hospital”, afirma o cientista.

Odorico de Moraes revela que há algumas semanas, as enfermarias do NPDM/UFC foram oferecidas para apoiar o Hospital das Clínicas (HC) da própria universidade. A proposta tinha sido ceder os leitos para pacientes crônicos. Assim, desafogaria o HC para a entrada de pacientes com a covid-19 e afastava os vulneráveis da zona de contaminação. “Aqui, não temos UTI´s, vai precisar de uma estruturação hospitalar”, prevê o professor da UFC.

A portaria da Sesa não informa o número de leitos que serão usados nos dois hospitais particulares e na Universidade Federal do Ceará. A ocupação nas três unidades hospitalares, segundo o Diário Oficial, se dará enquanto “perdurarem os efeitos da situação de emergência e saúde no estado do Ceará em decorrência da Covid-19”.

O Ceará, segundo dados da Rede CoVida que é coordenada pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal da Bahia, poderá ultrapassar até a próxima segunda-feira a barreira dos mil casos confirmados da covid-19. E o número de óbitos também poderá ser multiplicado. Hoje, a taxa de letalidade está em 3,03% com 40 mortes até ontem.

O governo do Ceará, de acordo com a publicação do Diário Oficial, pagará uma indenização pela ocupação dos leitos. Porém os valores não foram especificados no documento nem o secretário Cabeto respondeu às perguntas feitas pelo O POVO, enviadas na tarde de ontem por email e whatsapp.

Entre as sete perguntas enviadas para o secretário da Saúde, estavam pedidos de informações sobre a quantidade de leitos de UTIs disponíveis na rede pública e privada do Ceará. Além de sua distribuição por hospitais e qual a taxa de ocupação nesse momento da pandemia no Estado.

O POVO também entrou em contato, por telefone e mensagem eletrônica, com os hospitais Batista Memorial e Pronto Socorro dos Acidentados. Até o fechamento desta edição não houve retorno ou os telefones não foram atendidos ou eram inexistentes.

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