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Comissão avaliará 3 estudos para volta da atividade econômica

| SETOR ECONÔMICO| Grupo de trabalho elabora plano com critérios técnicos para a retomada do trabalho no Ceará num cenário de pandemia
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Fernanda Pacobahyba, secretária da Fazenda do Ceará, contestou também que o ICMS seja o fator que mais tenha influído nas recentes altas de preços dos combustíveis (Foto: O POVO)
Foto: O POVO Fernanda Pacobahyba, secretária da Fazenda do Ceará, contestou também que o ICMS seja o fator que mais tenha influído nas recentes altas de preços dos combustíveis

A comissão formada pelo Governo do Estado para discutir a retomada das atividades econômicas no Ceará começa a avaliar, ainda nesta semana, estudos sobre cenários para o retorno ao trabalho.

Em reunião virtual ontem, os integrantes do grupo, criado por decreto do governador Camilo Santana (PT) no dia anterior, definiram um cronograma de apresentação de três análises setoriais que servirão de ponto de partida.

A primeira delas será feita amanhã, 24, em nova rodada de discussão dos membros, que vão examinar os critérios para uma recuperação gradual das operações comerciais em meio ao cenário de pandemia da covid-19 no Estado. As demais serão na segunda-feira, 27, e na quarta, 29.

Participam desse núcleo os secretários da Casa Civil, Fazenda, Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Saúde e Turismo, além de representantes de órgãos como a Procuradoria-Geral do Estado, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Defensora Pública Geral do Estado, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), Prefeitura de Fortaleza, Aprece, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará, Fecomércio e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Segundo participantes do encontro dessa quarta, todas as apresentações serão técnicas, com foco em normas de segurança e de saúde e critérios como tamanho das empresas e natureza dos negócios.

Um desses diagnósticos está a cargo das secretarias de Saúde do Ceará e de Fortaleza. Um segundo está sendo produzido pelo Observatório da Indústria, vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

"O foco de todas essas análises é o mesmo. É definir os parâmetros técnicos de como pode ser e como será a abertura do trabalho", disse um integrante do grupo. "O consenso lá é que vamos discutir critérios estabelecidos para o tamanho de empresa e para atividades, e as propostas têm que levar isso em consideração."

De acordo com ele, porém, algumas normas devem valer para todos os setores, como o uso de máscara e a verificação diária de temperatura dos empregados. Pela logística e formas de organização, segmentos como o da indústria teriam mais facilidade para retomar o fluxo.

Já o comércio de rua pode demorar mais a voltar. "Vamos analisar os dois cenários. Algumas atividades vão ter mais restrições do que outras", disse.

Em qualquer hipótese, acrescentou a fonte, há uma preocupação em criar um protocolo rígido e estritamente fundamentado em recomendações de saúde da Sesa, chefiada pelo dr. Cabeto.

Secretária da Fazenda do Estado, Fernanda Pacobahyba considerou essa primeira conversa como positiva. "A reunião foi de esclarecimento inicial. Faremos um único plano, um documento com capítulos. Vai ter encaminhamento na próxima semana para a montagem desse plano", afirmou.

Da Sefaz, a condução técnica será de Flávio Ataliba, com participação dos "coordenadores de Arrecadação e Inteligência de Dados, que têm acompanhado como está o fluxo de operação nas empresas", concluiu a titular da Sefaz.

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Camilo monta operação para compra de respiradores

O governador do Estado, Camilo Santana (PT), faz uma articulação que envolve a embaixada da China no Brasil, o Itamaraty e ministérios do governo de Jair Bolsonaro para destravar a compra de 700 aparelhos respiradores vindos da China.

Os equipamentos são fundamentais para a ampliação do número de UTIs da rede estadual. Nesta semana, o Governo anunciou que havia chegado ao patamar de mais de 300 leitos especiais para atendimento de pacientes com covid-19.

Na última terça-feira, 21, o petista fez ligações para autoridades na tentativa de liberar os respiradores. "Tive uma conversa com a cônsul-geral da China no Brasil e com o embaixador da China para que pudessem fazer essa intermediação e garantir que esses respiradores, que já foram pagos pelo governo cearense, possam chegar ao nosso Estado", afirmou o governador em conversa com o O POVO.

Segundo Camilo, a previsão inicial era que 200 aparelhos fossem entregues no final deste mês e outros 700 em maio. "Queremos ver se eles conseguem honrar, mas está havendo uma questão muito política do ponto de vista do Governo da China", disse o chefe do Executivo. "Mesmo tendo respirador, o governo chinês está controlando o envio para o mundo inteiro. Por isso nós pedimos a intervenção tanto do governo brasileiro quanto do chinês."

Ainda de acordo com o governador, um nome do ministério de Bolsonaro tem ajudado o Ceará nessa tarefa: Luiz Eduardo Ramos. "Quem tem nos ajudado a fazer uma articulação junto à China tem sido a Secretaria de Governo da Presidência, com o ministro Ramos", conta.

"Mas houve também articulação com o Itamaraty (chefiado por Ernesto Araújo) para fazer um acordo diplomático para garantir que esses respiradores possam vir", conclui Camilo. (Henrique Araújo)

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