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Sem Moro, o futuro do governo entra em discussão

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Agora sem Sergio Moro, ex-ministro da Justiça que deixa o Planalto depois de acusar o presidente de interferência política na Polícia Federal, como se manterá o governo Bolsonaro?

Em pronunciamento ontem, o chefe do Executivo reuniu aliados e auxiliares, numa demonstração de força. Segundo deputados, a intenção é a de desconstruir o ex-juiz da Lava Jato e tornar mais palatável a sua demissão.

Cientista político e professor, Cleyton Monte avalia, porém, que essa operação levada adiante pelo presidente é arriscada e sua situação, delicada.

"Acredito que o governo vai entrar numa crise muito grave", disse Monte, para quem o bolsonarismo se sustenta em três pilares, um dos quais o lavajatismo representado por Moro.

Sem o ex-magistrado na equipe, diz, Bolsonaro se divorcia "de parte da opinião pública e de seu eleitorado, que fica menor ainda". Monte considera também que a primeira consequência da demissão de Moro é acentuar o isolamento do presidente, cuja apoio já vinha se deteriorando desde o início da crise na esteira do coronavírus.

Para a oposição, as palavras de Moro e suas acusações bastam. Líder da minoria, o deputado federal José Guimarães (PT) defende que Bolsonaro seja investigado de imediato.

"Temos duas alternativas", disse o petista. "Uma delas é engrossar o pedido de impeachment. Em segundo lugar, pedimos a instalação imediata de CPMI para investigar as denúncias vindas a público."

À frente da oposição na Câmara, o também cearense André Figueiredo (PDT) afirma que as legendas que se opõem a Bolsonaro farão, juntas, um requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito a fim de apurar as denúncias apresentadas por Sergio Moro.

Pelas redes sociais, parlamentares bolsonaristas mantiveram apoio ao presidente, ecoando argumentos apresentados por Bolsonaro durante pronunciamento. Deputado federal e dirigente do PSL no Ceará, Heitor Freire desejou sorte a Sergio Moro, mas não acolheu as suas denúncias. (Henrique Araújo)

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