Reportagem

Unimed suspende vendas por um mês no Ceará

Contratos já assinados não são afetados e medida serve "para priorizar eficiência" do atendimento em meio à pandemia. Sistema no Estado enfrenta dificuldades operacionais e logísticas com a Covid-19
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HOSPITAL Regional da Unimed, Fortaleza-CE (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE HOSPITAL Regional da Unimed, Fortaleza-CE

A Unimed Ceará anunciou que suspendeu por um mês as vendas de planos no Estado. Em meio à pandemia, informou, em nota, que a "excepcional dificuldade logística e operacional para obtenção de insumos e equipamentos, bem como uma escassez de profissionais da saúde qualificados para atuar na linha de frente de combate à Covid-19" motiva a decisão.

A efetiva suspensão acontece após a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ser comunicada, o que, segundo a reguladora, ainda não aconteceu. "Para que as operadoras possam suspender a comercialização de um plano de saúde, é necessário que solicitem à Agência a referida suspensão com um prazo de 30 dias de antecedência", informa em nota.

O presidente da Unimed Fortaleza, Elias Bezerra Leite, disse ao blog do editor-chefe de Economia e Negócios do O POVO, Jocélio Leal, que a decisão foi tomada em conjunto com outras Unimeds que operam no Estado (Fortaleza, Ceará, Sobral e Cariri) e mira garantir o melhor atendimento de quem já é cliente.

Segundo ele, a cooperativa da Capital vem buscando opções para desafogar o atendimento. Retirou do Hospital Regional (HRU) as áreas de obstetrícia, pediatria e alguns procedimentos da oncologia. Passou a atender em outras unidades da rede.

O médico e professor de Farmacologia Clínica na Universidade Federal do Ceará (UFC), Odorico de Moraes, acredita que, além de buscar garantir um melhor atendimento, a Unimed pode ter chegado ao limite da operação. Essa demanda que buscaria pelo plano de saúde será encaminhada ao sistema público ou redes privadas.

Marcelo Gurgel, docente do curso de Medicina e membro do Grupo de Trabalho para enfrentamento à pandemia do coronavírus na Universidade Estadual do Ceará (Uece), ressalta que os planos privados passam por dificuldades pela alta procura dos usuários ao mesmo tempo. Ele diz que é comum que os contratos prevejam que os planos não sejam obrigados a cobrir o tratamento de doenças pandêmicas. "Mas não fazem isso por temer retaliação por vias judiciais", explica.

Já o economista Gilberto Barbosa acrescenta a preocupação com a viabilidade econômica da operação. Ele diz que a inadimplência vem crescendo entre os negócios e os custos médicos - alguns em dólar - têm aumentado o risco para os administradores. Além disso, projetos que impedem reajustes em planos de saúde durante a pandemia estão próximos de serem aprovados.

"O reajuste tende a ficar represado para quando for liberado. E até por uma incerteza muito grande quanto ao próximo período, com possível queda da rentabilidade, os planos, para evitar prejuízos maiores, segurem novos planos por questão estratégica", complementa.

Em nota, a Unimed Ceará confirmou que "que a rede hospitalar própria e credenciada encontra-se com alto índice de ocupação para pacientes com Covid-19", e a suspensão das vendas é uma "atitude responsável" para seguir no cuidado aos clientes, "garantindo o atendimento nas condições adversas do atual cenário".

Com a suspensão das vendas de novos planos Unimed, a preocupação fica por conta da capacidade do sistema público de absorver essa demanda. Ainda ontem, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) informou que o Governo mais uma vez ampliou a quantidade de leitos de UTI e enfermaria. Além da inclusão de hospitais de campanha na Capital e Interior.

Na rede privada, o Hapvida informou que concluiu a modernização da plataforma de vendas de planos de saúde. Nos últimos dias, novos contratos estavam sendo feitos de forma manual. A empresa acrescentou que realizará o treinamento dos profissionais de venda na Capital.

Mas, para o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará (Sindmed-CE), Edmar Fernandes, o sistema se aproxima rapidamente do limite. Ele revela que é real a afirmação de que os profissionais que atuam na linha de frente estão ficando raros. Muitos estão adoecendo e, principalmente na rede pública, faltam materiais e insumos. De acordo com Fernandes, houve risco de paralisação em meio à pandemia.

Planos de saude no ceara
Planos de saude no ceara (Foto: luciana pimenta)

 

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