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Reportagem

O impacto da pandemia nos setores do Ceará

A economia informal é uma das mais impactadas com os efeitos da crise do coronavírus no Estado
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BAIXA MOVIMENTAÇÃO é visível no comércio de Fortaleza (Foto: JULIO CAESAR)
Foto: JULIO CAESAR BAIXA MOVIMENTAÇÃO é visível no comércio de Fortaleza

Os efeitos da pandemia na economia são vistos nos resultados das pesquisas de março nos segmentos industrial, turístico e de serviços. Os números mensais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expõem a corrosão. No Ceará, destaque para um segmento, o de serviços prestados às famílias, com retração de 35,10% na passagem de fevereiro para março, e que engloba, sobretudo, o mercado informal.

Ainda no bojo dos serviços, o turismo cearense também sentiu retração de 31, 70% no período. Puxaram o declínio os elos da cadeia: restaurantes, hotéis e transporte aéreo de passageiros.

Na área industrial, o Ceará liderou o ranking da País, com queda de 21,8% na passagem de fevereiro para março. O percentual é bem superior à média do Nordeste (9,30%). O fechamento temporário das fábricas de confecção influenciam no resultado. Na tendência de retração, o comércio varejista ampliado — que inclui as atividades de material de construção e veículos — teve o volume de vendas 15,70% menor.

O presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon/CE), Ricardo Coimbra, destaca que a indústria têxtil tem bastante força no Estado, mas que o impacto ainda foi menor devido à reconversão industrial para produção de máscaras de tecidos. Outro ponto é que há ainda uma gama de portas abertas por estar ligada aos negócios considerados essenciais. Já os demais segmentos não têm tanta margem para reação.

"A economia aqui está sofrendo como em todos os países. Temos uma parcela significativa da nossa vinculada aos serviços e turismo. Mas acredito que, com a ampliação da capacidade dos leitos e a redução dos casos, o que está previsto para acontecer nos próximos dias, poderemos iniciar um processo de retomada", explica, frisando o plano de reabertura.

O Governo do Ceará anunciou que a flexibilização do distanciamento social terá quatro fases, a serem definidas a partir de um cronograma de grupos prioritários. Haverá ainda um intervalo de 14 dias entre uma atividade e outra a ser liberada. A medida, no entanto, será adotada somente quando houver sinalização de controle da saúde pública.

Coimbra destaca que, se aplicado o projeto, o comércio caminharia para uma retomada mais rápida já para as vendas de fim de ano, fazendo giro nos estoques e criando promoções. Apesar disso, os empregos ainda seriam gradualmente superados devido ao quadro de funcionários reduzido nos empreendimentos para conter a Covid-19. Na outra ponta, a volta da construção civil conseguiria aquecer o mercado de trabalho.

Luiz Antônio Trotta Miranda, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-CE), pondera que a situação é preocupante e que os números da economia começaram a se agravar entre os meses de abril e maio. "Os serviços tiveram um reforço das empresas de entregas, mas a tendência é que o setor sofra um baque ainda maior", diz.

Outro fator, complementa, é que a desaceleração também deve impactar nas exportações e importações no Estado. "Mas vejo que o governo tem dado uma sinalização para os empresários e o retorno em etapas pode ser interessante, pois vai gerar um ambiente seguro para o trabalhador e mais fácil para estado fiscalizar", avalia.

Veja o comentário de Luiz Antônio Trotta Miranda, vice-presidente do Ibef-CE:

 

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