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"Os próximos dias dirão se o plano de retomada terá prosseguimento", diz Camilo

Após mais de 70 dias, isolamento começa a ser flexibilizado a partir desta segunda-feira. Plano foi elaborado a muitas mãos dentro e fora do Governo
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Hora de avaliar o cenário da Covid  (Foto: REPRODUÇÃO)
Foto: REPRODUÇÃO Hora de avaliar o cenário da Covid

Governador do Estado, Camilo Santana (PT) afirma que os próximos sete dias, a contar a partir desta segunda-feira, 1º/6, terão papel crucial no andamento do plano de retomada dos negócios no Ceará.

"Há uma clara tendência de estabilização e até queda (nos números da Covid-19), mas os próximos dias é que definirão se o plano de reabertura terá prosseguimento ou não", disse o petista.

Em entrevista exclusiva ao O POVO, o chefe do Executivo ponderou que, a despeito da flexibilização da quarentena no estado, "o risco não passou", e os cuidados com a prevenção ante a pandemia do novo coronavírus continuam.

Até a última sexta-feira, data da conversa, o Ceará contabilizava mais de 38 mil casos confirmados da doença -441 deles apenas nas 24 horas anteriores. Já são 2.859 óbitos pela Covid-19 - 126 com anotação de quinta-feira para sexta.

Questionado se houve pressão política para o retorno das atividades amanhã, o governador respondeu: "Lógico que sempre há pressões, mas garanto que nenhuma decisão tem sido tomada com base em pressão de setor A ou B". (Henrique Araújo)

O POVO - Aos poucos, o Ceará começa a sair da quarentena. Como projeta os próximos sete dias a partir de segunda-feira?

Camilo Santana - Em primeiro lugar é importante que fique claro que o isolamento social vai permanecer. As pessoas só devem sair de casa quando necessário e usando máscaras. O risco não passou. O que queremos é que, diante da estabilização dos números, muito graças a esse isolamento, a economia possa começar a ser retomada, de forma gradual e responsável, porque também é muito importante. As pessoas precisam trabalhar, mas de forma segura, com menos exposição possível. Teremos uma fase de transição, com alguns setores abertos e seguindo protocolos sanitários, e o plano só terá continuidade se todos colaborarem para isso e os resultados forem os esperados.

OP - Cogita a possibilidade de recuar da flexibilização caso algum dos índices sanitários apresente piora?

Camilo - Já deixamos isso muito claro. O plano só terá continuidade se as regras sanitárias forem respeitadas por todos e os números relativos à Covid continuem diminuindo, inclusive de ocupação da rede de saúde. Há uma clara tendência de estabilização e até queda, mas os próximos dias é que definirão se o plano de reabertura terá prosseguimento ou não.

OP - De acordo com o plano, qual é a previsão/estimativa da última etapa, já que cada uma leva 14 dias?

Camilo - Não por acaso não há datas no plano; apenas períodos de cada etapa. Isso porque as etapas só seguirão com o alcance das metas estabelecidas pelas nossas equipes de saúde, sob o comando do dr. Cabeto (titular da Secretaria da Saúde do Estado), que continuarão avaliando o quadro todos os dias, de forma muito criteriosa e responsável, como têm feito até aqui.

OP - Houve pressão política para que o Governo retomasse as atividades?

Camilo - Lógico que sempre há pressões, mas garanto que nenhuma decisão tem sido tomada com base em pressão de setor A ou B, mas considerando unicamente critérios técnicos, principalmente do ponto de vista sanitário, mas também social e econômico. O fato é que continuamos com a mesma diretriz do início da pandemia: vidas sempre estarão em primeiro lugar.

 

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