Reportagem

Taxa de contágio da Covid-19 no CE é 0,8; flexibilização pode afetar

Em Fortaleza, a taxa de reprodução efetiva (Rt) é de 0,9. Ao longo desta semana, será possível observar se a flexibilização do isolamento na Capital provocou aumento na transmissão
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A taxa de reprodução efetiva (Rt) da Covid-19 no Ceará é de 0,8, conforme boletim epidemiológico semanal da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) publicado ontem, 17. Em Fortaleza, a taxa é de 0,9. O número se refere à quantidade de pessoas que podem ser infectadas por uma pessoa contaminada pela doença. Diferente do número de reprodução básica (R0), o Rt leva em consideração medidas de controle que podem afetar a transmissão. O processo de reabertura gradual da economia, iniciado no dia 1º em Fortaleza, pode aumentar essa taxa. Ao longo desta semana, será possível observar se houve aumento no número de novos casos em decorrência da flexibilização.

Nos primeiros dias de transmissão da pandemia, em meados de março, foi observado um Rt de 2,4 no Ceará. No dia 30 de maio o Rt estava em torno de 1.

Nas macrorregiões de saúde de Fortaleza e de Sobral, as taxas estão em torno de 0,9, indicando que "cada caso está transmitindo em média para menos de uma pessoa". Isso pode significar cadeias de transmissão interrompidas, perca da força de transmissão como também atraso da notificação. No caso de Sobral, localizado na Região Norte do Estado, o boletim aponta "risco de novo incremento de casos" considerando a grande quantidade de internações.

Nas macrorregiões do Litoral Leste, Sertão Central e Cariri, a taxa de reprodução está em torno de 1. "O que pode significar manutenção de cadeias de transmissão, com transmissão lenta e arrastada" com possibilidade de incremento de casos, conforme o boletim.

"É inevitável um aumento na taxa de transmissão por conta do maior contato social e consequente exposição ao vírus", avalia Marcelo Fernandes, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e coordenador do Grupo Covid-19 Analytics. Ele explica que entre 7 e 21 dias pode se "observar realmente os efeitos da flexibilização".

"O Rt depende do número de infectados. Decresce no tempo de forma mecânica, pois o vírus já não tem mais quem infectar e depende de medidas de distanciamento social", detalha. O acompanhamento da Covid-19 Analytics, que utiliza modelo diferente para obter a taxa, aponta que a Rt no Ceará ainda é de 1.04.

Conforme o epidemiologista Marcelo Gurgel, professor e membro do GT de Enfrentamento à Covid-19 da Universidade Estadual do Ceará (Uece), há disparidades das taxas entre os municípios. "Tem outras cidades com realidades distintas. Não se pode esquecer conurbação, com cidades coladas, grande fluxo de comércio, trabalho, pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra", aponta. Em regiões do Interior, a redução do transporte retardou a disseminação do vírus. Fora da Capital, a curva de casos é ascedente. "Melhor continuar o isolamento nas outras regiões, apesar de o comércio não ser tão ativo".

As variações entre regiões e municípios demandam medidas distintas para "garantir atenção diferenciada em cada situação", destaca Carmem Leitão, professora do Departamento de Saúde Comunitária da e coordenadora do Observatório de Políticas Públicas de Saúde da Universidade Federal do Ceará (UFC). "A gente tendia a achar que era melhor esperar (para flexibilizar o isolamento em Fortaleza). É ver o que pode acontecer, estamos avaliando. Essa semana e na próxima, a gente já consegue avaliar se teve efeito ou não. O Estado está sempre monitorando, as decisões podem ser revistas", analisa.

 

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