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Caso de Mizael seria um homicídio, diz defensora

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CAMA EM QUE Mizael dormia quando foi morto: cena foi alterada pelos policiais envolvidos  (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR CAMA EM QUE Mizael dormia quando foi morto: cena foi alterada pelos policiais envolvidos

Para a defensora pública Mariana Lobo, supervisora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Ceará, estaria claro, a partir do testemunho de familiares de Mizael Fernandes da Silva, 13, que a morte dele se trata de um homicídio. "Impossível esse adolescente ter dormindo com uma arma na mão", observa.

O adolescente foi executado por um PM, durante uma operação do Comando Tático Rural (Cotar), na madrugada do dia 1º deste mês. Desde então, Mariana Lobo está acompanhando familiares de Mizael Fernandes.

A polícia, de acordo com a defensora, existe para proteger o cidadão. Tanto assim, que "a tia do adolescente, quando viu os policiais e abriu o portão, achou que estaria segura. Aconteceu o contrário. Foi praticada uma violência contra essa família em geral", afirmou Lobo.

De outubro do ano passado até aqui, a Defensoria Pública do Ceará fez 34 atendimentos de vítimas da "violência institucional" produzida por policiais.

Para a defensora pública, o Estado se equivoca ao produzir "um crescente" desse tipo de violência justificada pelo "combate às facções criminosas". Até maio deste ano, de acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, 78 pessoas morreram vítimas de intervenções policiais. Em 2019, foram 136 mortos. 

 

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