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Uma campanha que gera expectativas diferentes entre os estudiosos

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Paula Vieira - Professora da Unichristus e Laboratório de Estudos de Política, Eleições e Mídias (Lepem-UFC)

 (Foto: Arquivo pessoal)
Foto: Arquivo pessoal Paula Vieira - Professora da Unichristus e Laboratório de Estudos de Política, Eleições e Mídias (Lepem-UFC)

As projeções sobre como se dará a pré-campanha e a campanha eleitoral partidária em 2020 são variadas. Historicamente com característica de ida às ruas mais acentuada, o pleito municipal pode perder em "identidade" e "paixão" num eventual cenário de distanciamento social segundo alguns especialistas. Entretanto, há aqueles que afirmam que pouco ou nada mudará, principalmente em municípios de pequeno e médio porte.

Para a cientista política e professora da Unichristus, Paula Vieira, campanhas devem ocorrer sem grandes modificações e as estratégias que funcionam continuarão sendo utilizadas, enquanto as novas serão incorporadas. "Os atores políticos são adaptáveis. Eles se adaptam rapidamente às regras por questão de sobrevivência política. Características da eleição municipal como o bandeiraço e a militância do dia a dia devem acabar se mantendo, pela sensação de que a pandemia passou". A especialista acredita no adensamento de campanhas virtuais, mas não devido à pandemia. "As redes sociais foram um recurso forte das últimas eleições. Percebendo isso, os políticos buscarão maior uso delas", diz.

A professora projeta cenário em municípios e distritos menores onde o acesso à internet é limitado e consequentemente a prática de campanha de rua predomina. "Não acho que isso mude nas pequenas cidades. O porta a porta em locais remotos, onde redes sociais não têm força, continuará porque não é o tipo de campanha eficiente nestes locais. Agora, esse corpo a corpo pode ter uma cara de segurança, pode ser com uso de máscara", explica.

Cleyton Monte - Cientista político e professor da UFC
Cleyton Monte - Cientista político e professor da UFC (Foto: Divulgação)

Já o professor Cleyton Monte, vinculado ao Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da Universidade Federal do Ceará (Lepem-UFC), acredita que caso os candidatos optem pelo corpo a corpo e pela campanha presencial podem ser rechaçados pela própria população, especialmente aqueles que fazem parte dos grupos de risco, como idosos e pessoas com comorbidades.

"Não entendo que as pessoas que descumprem o distanciamento estão saindo na frente na briga pelo voto. Na verdade podem estar perdendo", pontua.

Monte explica que a eleição deste ano exigirá reinvenção de partidos na busca por estratégias e formação de candidaturas. Para ele, a pandemia deve afetar o modo e o formato como se faz política hoje. "Ao meu ver essa campanha será mais fria. Vejo a tendência de perda do contato, da rua, da paixão e da interação presencial que geralmente se dá. É um cenário desafiador para todo mundo, inclusive para a Justiça Eleitoral que precisará ficar ainda mais atenta na fiscalização de ambientes físicos e virtuais", conclui. 

 

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