Reportagem

Uma rotina difícil Cuidados necessários no dia a dia

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Edson e os filhos (Foto: acervo pessoal)
Foto: acervo pessoal Edson e os filhos

Quando criança, o estudante Henrique Santos, 20, sofria com as chamadas dores do crescimento. O padrasto, o infectologista e diretor do Hospital São José, Edson Buhamara, vinha com um placebo lúdico que o acalmava. Cobria em espiral de papel higiênico suas pernas para simular o enfaixamento de gesso e dizia: "Pronto. Não vai doer mais". O pequeno dormia a noite inteira, relata a mãe, Christianne Fontenele.

Histórias como essa que mostram um pai atencioso se repetem nas lembranças dos filhos Breno Santos, 18, e a filha Marcella Abreu, 14. Mesmo que o tempo hoje esteja reduzido, nunca está perdido. Tem sempre uma conversa para ajudar numa situação difícil, uma brincadeira para aliviar a tensão da chegada do trabalho.

No entanto, atuando na linha de frente da pandemia, Edson contraiu Covid-19. Precisou ficar internado por cinco dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Foi o que o separou fisicamente dos filhos. A ausência do pai virou saudade e medo. "Quando meu pai chegou em casa após a internação, recebi o melhor abraço de toda minha vida. Agora, resta o sentimento de alívio e orgulho por saber que está bem e curando outras pessoas", expôs.

"Meu pai não tem muito tempo, mas é presente. É, sem dúvidas, o meu herói. No começo da pandemia, veio a aflição de vê-lo todos os dias na linha de frente, mas, depois, diante da felicidade que ele sente pelo que faz, veio a admiração", complementa.

Para Breno, o pai é o maior espelho profissional. "Ele sempre diz que é preciso fazer o que gosto, e o dinheiro será consequência", disse, lembrando que, há quatro anos, sonhava em surfar, mas a mãe era contra. O pai então o buscou em casa para comprar a prancha. Breno voltou horas depois com o equipamento embaixo dos braço. "Ela tomou um susto", brinca. "Não uso mais essa prancha, mas ainda tenho guardada para lembrar desse dia", rememora a experiência que leva como incentivo.

O Henrique, citado no início deste texto, conta que todos os dias, quando pergunta ao padrasto sobre como foi a rotina médica, a resposta é a mesma. "Ele diz que diverte e não é um trabalho. É isso que nos tranquiliza quanto aos riscos".

 

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