Reportagem

"Internet não é terra sem lei", diz vereadora alvo de ameaças

| REPERCUSSÃO | Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Larissa Gaspar comemorou resposta rápida da Polícia após ter sido alvo de ameaças; suspeito foi preso na noite de terça-feira
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Vereadora é presidente da Comissão de Direitos Humanos da CMFor (Foto: Érika Fonseca/Divulgação CMFor)
Foto: Érika Fonseca/Divulgação CMFor Vereadora é presidente da Comissão de Direitos Humanos da CMFor

Alvo de ameaças de morte nas redes sociais, a vereador Larissa Gaspar (PT) afirma que avalia inscrição no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH) no Ceará. Na noite de terça-feira, 27, a Polícia Civil prendeu um homem de 27 anos suspeito de realizar ameaças contra a vida da parlamentar nas redes sociais.

Em entrevista ao O POVO, Larissa parabenizou atuação rápida da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e falou da importância de que casos do tipo não fiquem impunes. "Acabou que essa violência política está se tornando natural. As pessoas, com as redes sociais, acham que podem sair cometendo crimes, agressões, violência", diz.

"Mas a gente sabe que não é assim, que tem que se respeitar a vida, a integridade do outro. Você tem todo o direito de discordar de mim, mas nenhum de me agredir. É preciso que essas pessoas entendam que a Internet não é terra sem lei, que tem que ter limite na sua indignação, e essa resposta rápida da Polícia foi importante nesse sentido", afirma.

Larissa Gaspar diz ainda que, após as ameaças, procurou o Ministério Público do Estado do Ceará (MP-CE), que recomendou a inscrição dela no PPDDH. A vereadora, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), ainda passará por uma entrevista com integrantes da ação, marcada para esta semana.

A prisão do suspeito foi realizada na noite de terça-feira no bairro Jardim Guanabara, em Fortaleza, cerca de 12 horas após Larissa registrar Boletim de Ocorrência do caso. Em mensagem publicada no Instagram, o homem, que usava um perfil falso, se relacionava com uma facção criminosa e dizia que estava "planejando a morte" da vereadora.

"Cuidado com sua família ou na hora de sair de casa", dizia a mensagem. Em outra publicação, o suspeito preso também marcou a vereadora em uma imagem com diversos homens fortemente armados. Investigação inicial da Polícia Civil, no entanto, aponta que o homem, sem antecedentes criminais, "não integra organização criminosa".

Segundo a apuração preliminar, as ameaças teriam sido motivadas pelo trabalho da vereadora na CMFor, com o estopim sendo a recente lei proposta pela vereadora e aprovada na Casa que proíbe a queima de fogos de artifício barulhentos na cidade. O projeto já foi sancionado pelo prefeito José Sarto (PDT). As investigações seguem ocorrendo.

"Foi um perfil falso, criado para fazer ameaça. Eu entendo também isso como violência política de gênero. Se fosse um vereador homem, será que ele teria feito a mesma coisa, teria tido essa iniciativa? Não sei, pode até ser que sim, mas a gente que é mulher percebe que acaba sendo alvo mais fácil para esse tipo de violência. Espero que a sociedade, e o Parlamento também, faça uma reflexão sobre isso", afirma Larissa Gaspar.

A vereadora também afirma que já foi vítima de outras ameaças, mas que nenhuma foi "tão forte e direta". "São comuns ataques mais genéricos, gente que vem nas plenárias e publica coisas como 'mortes às feministas'", diz. Na eleição passada, ela chegou a ganhar processo contra um candidato que a associou falsamente a pornografia infantil.

Petistas e políticos de outros partidos prestaram solidariedade a Gaspar que, após a notícia da prisão, celebrou o trabalho das forças de segurança nas redes sociais. "Feliz por tanta solidariedade e carinho recebidos ontem, toda violência política precisa ser duramente combatida. Seguimos na luta! Obrigada", escreveu.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), foi um dos que se manifestou, prometendo apuração rápida do caso. "Minha solidariedade à vereadora Larissa Gaspar, que sofreu ameaças de morte pelas redes sociais. Que a pessoa responsável por tentar intimidar a parlamentar seja identificada e punida dentro da lei", disse.

 

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