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Gestão de Cabeto na Sesa deve ter continuidade, diz pesquisadora

| Mudança | Conforme Carmem Leitão, pós-doutora em Ciência Política, a mudança exige adaptação mas tendência é que condução atual seja mantida
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Leitos do hospital Leonardo Da Vinci, direcionado para os pacientes da Covid-19 no Estado (Foto: Governo do Ceará/Divulgação)
Foto: Governo do Ceará/Divulgação Leitos do hospital Leonardo Da Vinci, direcionado para os pacientes da Covid-19 no Estado

Com a pandemia, a gestão da saúde pública no Brasil ganhou enorme protagonismo. Nos últimos meses, o Ceará obteve destaque no enfrentamento à Covid-19, com a adoção de medidas rígidas de isolamento social, seguindo orientações científicas, e com a expansão da estrutura de saúde de alta complexidade. Com a saída do principal nome nesse processo, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, expectativa é que a nova gestão dê continuidade ao trabalho desenvolvido.

Carmem Leitão, professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará (UFC), avalia que, considerando o histórico de apoio do governador Camilo Santana (PT) às medidas de combate à pandemia, "não haverá grandes mudanças na condução da Sesa" em relação a esse direcionamento.

"Lógico que em uma mudança de gestão exige reacomodação, adaptação. O novo gestor, dependendo de quem for, vai precisar de mais tempo ou de menos tempo para se adaptar e criar novas rotinas, prioridades. Mas imagino que, em um contexto atual de final de gestão do próprio governador, a poucos meses de entrar em um ano eleitoral, não vai ter muitas mudanças. Acredito que vai ser mais uma continuidade", analisa.

A professora, que é coordenadora do Observatório de Políticas Públicas de Saúde (OPP-Saúde/UFC), pontua que um diferencial de Cabeto em relação a outros secretários foi o amplo conhecimento da atenção hospitalar. Na avaliação de Carmem, ele entrega a gestão estadual em outro patamar. Um dos êxitos durante a pandemia foi adoção de medidas preventivas e de restrição social.

Uma das principais ideias que o cardiologista já prospectava desde antes de assumir a pasta era tornar o Ceará um hub na economia da saúde, atraindo investimentos e talentos, principalmente por meio dos Polos de Saúde do Porangabussu e do Eusébio. Um dos objetivos da gestão, iniciada em 2019, era a regionalização dos serviços de saúde no Estado.

"Eu acho que o (ex-)secretário Cabeto e a equipe dele conseguiram conduzir muito bem a gestão da crise, considerando todo o contexto", explica. De acordo com a professora, a gestão conseguiu trazer o que considera uma "herança", construindo equipamentos, fortalecendo a oferta de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), além de outros aspectos da rede hospitalar de urgência e emergência.

"A gestão Cabeto avançou muito na descentralização de serviços para Interior, aumentando a capacidade de municípios, de as regiões atenderem as demandas", aponta Carmem Leitão. (Ana Rute Ramires e Gabriela Custódio)

 

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