Reportagem

Variante Delta: atenção a sintomas leves

Risco atual. Cuidados necessários
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As principais medidas para contenção do coronavírus continuam as mesmas e os cuidados precisam ser intensificados para evitar uma terceira onda, principalmente considerando a transmissão comunitária da variante Delta, mais transmissível, já registrada no Estado. Os sintomas iniciais observados até então são mais leves, parecidos com os de uma gripe, e justamente por isso eles podem passar "despercebidos".

A pesquisadora e professora Thereza Magalhães alerta que conter a disseminação não vai ser um processo fácil. "O mundo inteiro tem sofrido com ela (Delta). Tem uma transmissão mais rápida e menos sintomática. Com quantidade maior de vírus também", diz.

Ela detalha as diferenças: "Na variante anterior (Gama), a gente tinha uma pessoa contaminando até três pessoas. Já na Delta, até oito pessoas. Posso não estar pensando que estou com Covid-19 e já estar".

A questão dos sintomas é preocupante porque é o principal norteador para indicar quando o exame deve ser realizado, por exemplo. "A gente sempre pergunta: 'Quantos dias de sintomas você tá hoje?' Qual foi o dia que seu RT-PCR positivou?'". 

Por isso, é preciso ficar  atento "a qualquer fungado, como a gente diz aqui no Ceará", brinca a pesquisadora. "Digo com certa dose de exagero e aspecto cômico porque é algo peculiar nosso. Mas acho que é essa a maior preocupação. Sinais que parecem não ser nada, ficar atento", considera.

O infectologista Guilherme Henn, presidente da Sociedade Cearense de Infectologia, afirma que os sintomas são basicamente os mesmos. O que tem sido observado clinicamente é que anosmia (perda do olfato) e ageusia (perda do paladar) são menos frequentes em comparação com as versões anteriores.

O infectologista aponta que tendem a ter sintomas leves as pessoas completamente vacinadas. Mas elas ainda podem transmitir o vírus.

"O principal fator para abortar uma terceira onda é as pessoas entenderem que mesmo completamente imunizadas ainda podem adoecer e transmitir principalmente para quem não tomou vacina ainda. Essa não é a hora de festejar como se a guerra estivesse vencida", alerta Guilherme Henn.

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