Reportagem

Kassab diz que PSD apoiará impeachment se ataques à democracia continuarem

| Centrão | Líder de um dos principais partidos do Centrão, o ex-ministro disse que partido pode mudar posição se escalada antidemocrática continuar e que "linha de corte" para o presidente será a postura dele nos atos previstos para esta terça-feira
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Líder-maior do PSD, um dos principais partidos do Centrão, o ex-ministro Gilberto Kassab afirma que a sigla pode mudar de posição e apoiar o impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido) caso o presidente continue com uma "escalada contra a democracia". A fala ocorreu em entrevista ao programa da jornalista Míriam Leitão, no canal GloboNews.

Na entrevista, Kassab disse considerar "inadmissível" que, no atual contexto da pandemia, Bolsonaro gaste recursos públicos, além do tempo do governo, de ministros e assessores, para realizar motociatas e ameaças contra a democracia. Para 2022, Kassab diz defender candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a Presidência.

Na entrevista de ontem, Gilberto Kassab, que chegou a ser secretário da Casa Civil do governo de João Doria (PSDB), diz também acreditar que Bolsonaro não estará no segundo turno de 2022, por conta de sucessivas perdas de popularidade e maior isolamento político.

Na noite de ontem, Kassab também reforçou as críticas em entrevista ao portal O Antagonista, destacando que a "linha de corte" para o presidente será a postura dele nos atos previstos para hoje, 7 de setembro. "Vamos observar amanhã. Caso fique constatado, pela observação com análise política, que efetivamente há um trabalho do presidente para o golpe, seria um absurdo não trabalharmos pelo impeachment", disse Kassab.

As falas são novo sinal de uma crescente "debandada" de líderes do Centrão da base do Planalto. Atualmente, o PSD tem bancada de 34 deputados simpática ao governo, mas que reforça ter postura "independente". Em junho do ano passado, o partido chegou a bancar indicação de Fábio Faria (PSD-RN) para o Ministério das Comunicações.

O ministro, no entanto, acabou se aproximando da base bolsonarista e já estuda até deixar o PSD por conta de divergências com o comando da sigla e sua bancada no Congresso. Na PEC do Voto Impresso, por exemplo, diversos parlamentares do partido - incluindo o cearense Domingos Neto - votaram contra a proposta, que era defendida pelo governo.

Diversos outros deputados do Centrão seguiram caminho parecido, votando pela derrota da proposta e com discursos críticos a posturas antidemocráticas apoiadas pelo presidente. Fausto Pinato (Progressistas-SP), por exemplo, afirmou que o presidente só terá viabilidade eleitoral em 2022 contendo arroubos autoritários e cessando ataques a instituições.

"Se (Bolsonaro) ouvir Ciro Nogueira, Arthur Lira e Pacheco, tem chance (de ser reeleito). Caso contrário, todo mundo vai usar todo mundo e, na hora H, vai ser um salve-se quem puder", disse recentemente Pinato.

Nesse sentido, a própria cúpula do Progressistas, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), e do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PI), tem inclusive avaliado, em articulações internas, que o presidente pode perder a eleição de 2022 já no primeiro turno, caso não mude radicalmente o comportamento e busque a recuperação econômica do país.

Em entrevista recente, o presidente do PL no Rio, deputado Altineu Cortês, disse apoiar a reeleição do presidente, mas afirmou que o governo necessita com urgência fazer mudanças importantes na seara econômica. Bolsonarista de carteirinha, Cortês argumentou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, atrapalha o governo por não ter "sensibilidade social" e deve sair do cargo.

Com isso, Bolsonaro já acumula manifestações críticas de lideranças do Progressistas, PSD e PL, três principais partidos do Centrão na base de sustentação do governo, com relação a posturas antidemocráticas. (com Agência Estado)

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