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Um dia após bombardear cidades, Rússia negocia hoje cessar-fogo

| GUERRA | Rússia reconheceu presidente da Ucrânia. Dois países fazem hoje segunda rodada de negociações, enquanto ataques se tornam mais violentos
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Ucraniano diante de destroços em Zhytomyr, bombardeada pelo Exército russo (Foto: Emmanuel DUPARCQ / AFP)
Foto: Emmanuel DUPARCQ / AFP Ucraniano diante de destroços em Zhytomyr, bombardeada pelo Exército russo

A Rússia afirmou que as negociações de hoje com a Ucrânia incluirão discussões sobre um cessar-fogo, após bombardear várias cidades ucranianas e entrar com suas tropas na cidade portuária de Kherson. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ontem que a Rússia reconheceu o presidente Volodymyr Zelensky como líder da Ucrânia.

O governo ucraniano, por sua vez, enviou uma delegação para participar da segunda rodada de conversas em Belarus, perto da fronteira com a Polônia, e assinalou que não aceitará nenhum tipo de ultimato. A primeira rodada, em 28 de fevereiro, terminou sem avanços reais.

Os Estados Unidos, que aplicam duras sanções contra a Rússia e seu aliado Belarus, "apoiarão os esforços diplomáticos" de Kiev para alcançar uma trégua e a retirada das forças russas da Ucrânia, segundo o secretário de Estado, Antony Blinken.

Centenas de civis ucranianos morreram e centenas de milhares fugiram de seus lares desde a invasão do país em 24 de fevereiro, que gerou em resposta sanções ocidentais para tentar asfixiar a economia russa.

As tropas russas se deparam com uma dura resistência em seu avanço em território ucraniano. Muitas pessoas morreram nos bombardeios desta quarta. O balanço oficial ucraniano indica 350 mortos, incluindo 14 crianças, desde o início da ofensiva russa.

Os russos tomaram a cidade de Kherson — ponto estratégico entre a Crimeia, dominada pelo Kremlin, e o sul da Ucrânia. Em paralelo, os russos aumentaram o cerco a Kiev e devem intensificar a ação militar para tomar a cidade. Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, voltou a ser intensamente bombardeado pela artilharia russa na manhã de ontem, no 7° dia da ofensiva de Moscou contra o território ucraniano.

A queda de Kherson, onde três jogadores de futsal brasileiros estão retidos, é importante porque o controle da cidade de 300 mil habitantes possibilita aos russos ter mais forças para tentar controlar os portos de Odessa e Mariupol.

O prefeito de Kherson, Igor Kolykhaev, e um alto funcionário do governo ucraniano confirmaram que Kherson havia caído. As forças russas cercaram a cidade, disse Kolykhaev, e após dias de intensos combates, as forças ucranianas recuaram em direção à cidade vizinha de Mykolaiv. "Não há exército ucraniano aqui", disse ele em entrevista. "A cidade está cercada." Cerca de 10 oficiais russos armados, incluindo o comandante russo, entraram na prefeitura, disse Kolykhaev, e tinham planos de estabelecer um centro administrativo russo lá.

Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, correspondentes da AFP reportaram danos provocados por supostos bombardeios russos contra edifícios dos serviços de segurança, uma universidade e em áreas residenciais de Zhytomyr, a cerca de 150 km de Kiev.

"Não há um lugar de Kharkiv onde não tenha caído bombas", disse Anton Garashchenko, assessor do Ministério do Interior ucraniano.

"O inimigo está aproximando suas forças da capital", disse o prefeito Vitali Klitschko, mas "Kiev resiste e vai resistir. Nós vamos lutar", prometeu o carismático ex-boxeador.

Putin afirmou que a invasão tem como objetivo a "desmilitarização" e "desnazificação" da Ucrânia. (AFP e Agência Estado)

Leia mais em Economia, página 11; Farol, página 3; Editorial, página 16

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