Foi o desejo de ser uma profissional da área da saúde em qualquer lugar do mundo, que fez com que Flaviana Felix, 25 anos, ex-moradora de Caucaia, agora residente de Neu-Isenburg (na "região metropolitana" de Frankfurt, na Alemanha), buscasse a validação internacional do seu diploma de Enfermagem.
Beneficiária de uma antiga iniciativa de intercâmbio para estudantes egressos do Programa Academia Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o Juventude Sem Fronteiras, da Prefeitura de Fortaleza, que teve a sua última edição em 2019, Flaviana teve um gostinho do que a Europa poderia oferecer em uma viagem para a Espanha.
Agora, ela traça uma rota de voo ainda maior, tendo embarcado no fim de junho para a Alemanha, dando continuidade ao curso da língua nativa local e do processo de seleção que a fará atuar como enfermeira em uma cidade daquele país.
"Desde a faculdade eu comecei a pesquisar métodos de validação do meu diploma. A primeira ideia era fazer o processo para a Inglaterra. Mas, depois de várias pesquisas, vi a história de uma menina que tinha ido para a Alemanha e que várias empresas recrutam enfermeiros brasileiros."
Foi assim, que a jovem que nunca atuou na área de formação no Brasil, chegou em uma empresa recrutadora da Alemanha, que já tinha levado dezenas de moradores de Recife e de Natal para atuarem como enfermeiros no país germânico.
"Resolvi mandar o meu currículo, fui chamada para uma entrevista em Recife e, em dezembro do ano passado, me mandaram a resposta de que tinha sido aprovada e os próximos passos, que era fazer um curso de alemão, parte home-office, aí do Ceará e, agora, parte aqui na Alemanha", relata Flaviana.
A turma de enfermeiros que viajou é composta por 13 pessoas que foram, primeiro, com visto de estudante, já que precisam conquistar o último nível intermediário na língua para poder fazer um contrato de trabalho e, finalmente, atuar como profissionais da área da saúde.
Sobre desafios, a jovem revela que um dos principais é mesmo o novo idioma, que ela classificou como "muito difícil".
"Isso requer muita força de vontade e muita dedicação. No contrato, já pedem que sejam dedicadas pelo menos 5 horas por dia para o estudo exclusivo da língua, além das seis horas de aula. Está sendo difícil, mas não é impossível. Muitas outras pessoas conseguiram e uso isso como motivação. Já passei da metade do caminho, então, vai dar tudo certo."
Mesmo com saudade da família e do conforto de casa e da língua nativa, Flaviana ressalta que todo o esforço será recompensado com uma melhor qualidade de vida e de condições de trabalho. Por enquanto, ela está recebendo uma bolsa de estudos.
"Depois, pelo o que já pesquisei e conversei com outros enfermeiros brasileiros que trabalham aqui, o salário não está entre os maiores do País, mas é uma remuneração que te permite ter uma qualidade de vida muito boa, com poder de consumo, podendo viajar para outros países e podendo viver de uma forma que no Brasil, eu demoraria muito mais tempo para conseguir."