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Como funcionam esses medicamentos e que alertas precisam ser feitos
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Como funcionam esses medicamentos e que alertas precisam ser feitos

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OZEMPIC foi o medicamento que mais apresentou crescimento de demanda no País
 (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE OZEMPIC foi o medicamento que mais apresentou crescimento de demanda no País

Existem atualmente diversos medicamentos disponíveis que têm como princípio ativo os chamados análogos de incretinas, com indicação para tratamento da diabetes tipo 2 ou controle de peso.

Haver uma nova alternativa para o tratamento da obesidade pode significar a redução dos custos do sistema de saúde, seja suplementar ou público, a partir do incremento da oferta pelos genéricos.

Somente no Sistema Único de Saúde (SUS), o gasto anual direto com doenças crônicas não transmissíveis foi de R$ 6,8 bilhões em 2019. Estima-se que 22% desse valor podem ser atribuídos ao excesso de peso e obesidade.

De acordo com projeções recentes do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), 30% da população adulta do Brasil será obesa até 2030. Vale destacar que a obesidade é fator de risco para gerar doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, acidentes vasculares, além de diversos tipos de câncer.

Para o pós-doutor em Farmacologia e pesquisador Thiago de Melo Pereira, o reconhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) da obesidade como uma doença crônica, eleva a necessidade de esforços para conter esse problema.

Na sua avaliação, diante dos custos médicos e econômicos associados à obesidade, "o controle do peso não é uma questão de luxo ou padrão de beleza, mas sim fundamental para oferecermos melhor qualidade de vida para toda a sociedade, independentemente da idade, gênero ou classe social."

No entanto, ele avalia que, para além das dicas de celebridades e influenciadores digitais, é preciso avaliar caso a caso os meios mais seguros e adequados para a retomada do peso ideal.

Ele pontua que os benefícios da semaglutida, comercializada como Ozempic, não podem ser negados, mas estudos recentes demonstram preocupações.

"Estudos e relatos clínicos têm levantado preocupações sobre efeitos adversos da semaglutida, que vão de dores de cabeça, náuseas, vômitos, constipação, mau hálito e cansaço, até complicações mais sérias, como pancreatite, cálculos na vesícula biliar e até mesmo na tireoide".

Recentemente, destaca o pesquisador, tem sido investigada até sua relação com alterações importantes de humor e depressão. Por ter um tempo de ação prolongado, esse princípio ativo tem efeitos que podem se estender por semanas mesmo após a suspensão do tratamento.

"Coloque isso na sua cabeça: semaglutida não é um cosmético", finaliza.

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