Apesar da expectativa para o barateamento de produtos, como Ozempic, a partir da quebra da patente de seu princípio ativo, a Novo Nordisk já tentou estender o prazo da patente de medicamentos utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 no Brasil. Em abril do ano passado, com base em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou a extensão da validade.
A decisão se refere ao Rybelsus e Ozempic. A farmacêutica alegava que o INPI havia demorado na tramitação dos processos para concessão das patentes e pediam ajuste das validades em 12 anos para o Ozempic e mais sete anos para o Rybelsus. Assim, com a decisão da Justiça, os medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic, Rybelsus e Wegovy mantém sua validade de patente até 2026.
Atualmente, o Rybelsus pode ser encontrado nas farmácias custando quase R$ 500. Já o Wegovy, medicamento apresentado pela Novo Nordisk especificamente para o tratamento de sobrepeso e obesidade, chegou recentemente ao mercado, custando na faixa de R$ 2.500.
No Ceará, achar o Ozempic disponível tem sido complicado, diante da alta demanda e dificuldade de abastecimento. Ao O POVO, o diretor do Sincofarma e CEO da rede de farmácias do Grupo Santa Branca, Maurício Filizola, destaca que na medida em que o abastecimento nas farmácias ocorre, a clientela consome rapidamente o estoque. Há casos em que os clientes precisam se deslocar entre lojas da rede ou pesquisar em quais farmácias da Cidade o medicamento está disponível. "O que vem sendo prescrito está além do que o mercado tem capacidade de atender, as quantidades vão embora rapidamente, embora o produto chegue a custar entre R$ 1.040 e R$ 1.300", explica.
Para Filizola, o setor deve se beneficiar na medida em que a oferta de genéricos ocorra. O diretor do Sincofarma acredita que, conforme o histórico de quebra de patentes de medicamentos com finalidades importantes, como o tratamento de obesidade, pode ser que esse tipo de medicamento seja incluído em programas como o Farmácia Popular.