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"A luta começa dentro da própria família"
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Reportagem

"A luta começa dentro da própria família"

Glacenilda Gondim
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A Associação Cearense de Parkinson foi criada em fevereiro deste ano (Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS A Associação Cearense de Parkinson foi criada em fevereiro deste ano

Aos 54 anos, Glacenilda Gondim enfrenta o Parkinson não como paciente, mas como uma voz ativa na defesa de direitos e qualidade de vida para quem vive com a doença. Gerontóloga por formação e irmã de Gláucia, Glacenilda conhece de perto as batalhas dessa comunidade — que começam dentro de casa e se expandem para a sociedade.

"A luta começa dentro da própria família, porque as limitações, as dificuldades e o cansaço extremo obrigam quem tem Parkinson a precisar de suporte. Não é fácil, mas minha irmã não se entrega. Mesmo com dores, ela dirige, trabalha, briga com o Parkinson. Eu acho ela forte, sabe?", diz, emocionada.

Foi o incentivo do neurologista Rafael Maia, do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), que motivou Glacenilda e outros pacientes a criarem uma associação para lutar pelos direitos das pessoas com Parkinson no Ceará.

"O doutor Rafael nos provocou: 'vocês precisam de uma associação para lutar'. Foi daí que começamos. Hoje, nossa luta é para que as unidades de saúde do estado tenham ambulatórios especializados, com neurologistas focados no tratamento do Parkinson", explica.

Glacenilda acredita que conscientizar a sociedade é essencial para quebrar barreiras e garantir apoio aos pacientes. "No Dia Nacional do Parkinson, queremos fazer campanhas educativas, ir às escolas, postos de saúde, divulgar a nossa causa. É preciso que as pessoas entendam o que é o Parkinson e como podemos ajudar."

No prédio onde mora, a gerontóloga já conseguiu avanços significativos, como a disposição de cadeiras de rodas para moradores com dificuldade de locomoção e a proposta de adaptar a academia para torná-la acessível a pessoas com pouca mobilidade.

"No meu prédio, há muitos idosos que vivem sozinhos, alguns com Parkinson. Aos poucos, eles estão se juntando à associação, e isso é um passo importante para fortalecer a luta."

A associação que Glacenilda ajuda a coordenar não é composta apenas por pacientes, mas também por simpatizantes da causa, familiares, cuidadores e profissionais de saúde, educação e assistência social.

"Às vezes, você não tem Parkinson, mas vê o sofrimento de um amigo que não consegue a aposentadoria que tem direito. É uma luta muito grande, mesmo com uma lei federal que garante isso."

"Cada avanço, por menor que pareça, faz diferença. Não estamos lutando apenas por quem tem Parkinson hoje, mas por todos que podem precisar de suporte no futuro. Nossa causa é pela dignidade, pelo respeito e por uma sociedade mais justa para quem enfrenta essa doença", finaliza.

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