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Operação no RJ supera Carandiru em mortos
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Reportagem

Operação no RJ supera Carandiru em mortos

| GUERRA NO RIO | Mais de 120 mortos já foram contabilizados pelas autoridades fluminenses. Entre eles estariam quatro cearenses suspeitos de integrar o CV
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Aproximadamente 60 corpos foram encontrados na mata e levados por moradores para a praça São Lucas (Foto: FABRICIO SOUSA/ESTADÃO CONTEÚDO)
Foto: FABRICIO SOUSA/ESTADÃO CONTEÚDO Aproximadamente 60 corpos foram encontrados na mata e levados por moradores para a praça São Lucas

Subiu para 121 o número de mortos na operação mais letal da história do Rio de Janeiro, deflagrada na terça-feira, 28, nos complexos da Penha e do Alemão. Com isso, a operação Contenção superou o número de mortos do Massacre do Carandiru, ocorrido em 1992 e que deixou 111 presos assassinados após a Polícia Militar de São Paulo ser acionada para conter uma rebelião ocorrida no presídio.

O dia de ontem foi marcado pelas imagens retratando as dezenas de corpos levados por moradores das matas para uma praça da Penha. Durante o momento, os moradores acusaram os policiais de terem cometido execuções extrajudiciais e outros abusos. "Muitos corpos deformados, com perfurações no rosto, perfurações de faca, cortes de digitais, dois corpos decapitados, a maioria dos corpos não tinha face, essa era a condição", afirmou à Agência Brasil Erivelton Vidal Correa, presidente da associação comunitária de Parque Proletário. O líder comunitário ainda disse que nem todos os mortos na operação eram traficantes. "São pessoas daquela região, que a gente chama de 'lá de trás' e que criavam cavalos. Eles vão no mato buscar comida para os animais. Então, infelizmente, estavam no momento errado, na hora errada e sofreram perdendo a vida". Outra fonte, que não quis ser identificada, afirmou à Agência Brasil que moradores que foram até à mata acessaram celulares encontrados no local ou receberam áudios das vítimas contando que tinham se rendido. "Teve gente que pediu perdão, se ajoelhou, jogou os fuzis, mas foi morta".

Na manhã de ontem, o governador Cláudio Castro (PL) e outras autoridades da segurança pública do Rio concederam nova entrevista coletiva sobre a operação. Na ocasião, a ação foi qualificada como o "maior baque" já sofrido pelo CV em toda a sua história. Foi detalhado que a estratégia utilizada pelas Polícias do Rio consistiu em forçar os faccionados a fugirem para a região de mata, onde eles encontrariam um "muro" formado pelos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro (Pcerj), Felipe Curi, afirmou que serão instaurados inquéritos para apurar fraude processual na remoção e manipulação dos corpos dos suspeitos mortos. Foram exibidos vídeos que mostram pessoas rasgando roupas camufladas, utilizadas pelos integrantes do Comando Vermelho (CV) para o combate na mata. Já Cláudio Castro afirmou que, à exceção das mortes dos quatros policiais, a operação foi um "sucesso", já que todos os mortos seriam criminosos. "O conflito não foi em área edificada", afirmou o governador. "Foi todo na mata. Não creio que tivesse alguém passeando na mata num dia de conflito. Por isso a gente pode tranquilamente classificar de criminosos"

Na coletiva, também foi informado que, entre os 113 suspeitos presos, 33 são de outros estados, incluindo o Ceará. Os nomes de cada um desses presos, porém, continua sem ser divulgado pelas autoridades fluminenses, assim como a lista dos mortos. O POVO apurou que haveria, pelo menos, quatro cearenses entre os suspeitos que morreram. Fontes ligadas à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) afirmam que estariam entre os mortos: Leilson Sousa da Silva, Luan Carlos Marcolino Alcântara, o "Tubarão", Francisco Teixeira Parente, o "Mongol"; e Josigledson de Freitas, o "Trakinas". Ainda não há informações oficiais, entretanto, confirmando se Carlos Mateus da Silva Alencar, o "Skidum" ou "Fiel", está entre os mortos ou presos na operação. Sendo apontado como chefe do CV na região do Grande Pirambu e no bairro Boa Vista, Carlos Mateus é um dos homens mais procurados do Ceará. Também não se sabe ainda qual o paradeiro de Edgar Alves de Andrade, o Doca, o principal alvo da ação policial. Ele é apontado como chefe do CV no Complexo da Penha e em outras comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Já em relação às câmeras corporais utilizadas pelos policiais, o Governo do Rio afirmou que todos os agentes envolvidos na operação utilizavam os equipamentos. O secretário de Polícia Militar, o coronel Marcelo de Menezes, afirmou, porém, que as câmeras podem ter ficado sem bateria devido à duração da operação e, com isso, parte das ações pode não ter sido registrada. (Com informações de Agência Brasil e Jéssika Sisnando)

Leia mais em Opinião, página 20

 

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