A entrada da tecnologia no cotidiano dos brasileiros alcançou um novo patamar no ano passado, quando a inteligência artificial (IA) foi adotada para inúmeras tarefas, assumindo protagonismo desde as buscas na internet até aplicativos de mensagens, como WhatsApp. Já 2026 chega como o ano no qual a IA deve assumir um papel central para usuários e o setor de tecnologia como um todo.
O uso das ferramentas de IA e a infraestrutura que dá suporte à adoção acelerada dela por mais usuários é atestada na pesquisa "O impacto da tecnologia em 2026", elaborada pelo Instituto dos Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE). A organização se dedica a avaliar o avanço da tecnologia para a humanidade e, ao consultar líderes de empresas no Brasil, aponta que "a IA agêntica atingirá o mercado de consumo em massa em 2026".
Esta classificação diz respeito às inteligências artificiais capazes de agir de forma autônoma, sem a necessidade de comandos recorrentes. Exemplos de aplicação dela podem ser observados em plataformas de monitoramento de preços, organizadores de agendas e ainda em aplicações que geram relatórios a partir das ações.
"A adoção dessa tecnologia está crescendo, e a grande maioria dos profissionais de tecnologia no mundo (96%) concorda que a inovação, a exploração e a adoção da IA agêntica continuarão avançando em ritmo acelerado em 2026, à medida que tanto empresas consolidadas quanto startups ampliam seus investimentos e compromissos com essa tecnologia", diz o relatório.
Jéferson Campos Nobre, membro do IEEE e pesquisador do Grupo de Redes de Computadores do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta os setores de combustíveis - especialmente os exploradores de petróleo - e saúde estão entre os líderes na aplicação de IA no Brasil.
Na visão dos líderes do setor, os segmentos cuja aplicação de IA em 2026 deve gerar mais mudanças são "desenvolvimento de software (60%), bancos e serviços financeiros (48%) e mídia e entretenimento (48%)", seguidos "pelos setores de saúde (28%), educação (28%), telecomunicações (18%) e energia (16%)".
Ao mesmo tempo, ele observa que o amplo uso da IA requer um cuidado especial com a segurança de dados, seja dos usuários seja de governos. "Nós precisamos de regulamentações para proteger nossos dados, até por uma questão de segurança nacional. Mas essas regulamentações não podem nos deixar de fora do uso das tecnologias e não podem ser usadas pelas big techs como condição para aceitarmos tudo que propõem", alerta.
Para ele, é preciso envolver a população no debate do uso da IA e esclarecer quais os interesses comerciais das grandes empresas do setor no Brasil, fazendo com que a legislação aplicada às big techs atenda aos interesses brasileiros também.
"Eu entendo que é fundamental nessas tecnologias que haja um investimento com participação do Estado para que consigamos ter esse avanço e que vai nos garantir no médio e no longo prazos, uma soberania nacional. Os estados que tiverem um maior controle dessas tecnologias vão garantir a soberania para os próximos tempos", avalia.
Nobre aponta ainda para a chamada computação confidencial como tendência para 2026. O modelo irá permitir que os dados do usuário sejam utilizados na nuvem sem que o provedor consiga armazená-los de forma indevida ou acessados por administradores mal-intencionados.
Com IA generativa, a tendência é a criação de assistentes virtuais capazes de entender e antecipar as necessidades do usuário, sistemas automatizados que facilitam tarefas rotineiras e soluções preditivas que ajudam desde a saúde até a segurança pública.
"A evolução da IA exigirá uma maior atenção para seu uso ético e consciente, particularmente quando for integrada à computação quântica. Acredito que será um ano de novidades em inteligência artificial, como, por exemplo, assimilação de modelos treinados para áreas específicas, como saúde, educação, indústria e segurança pública. Mas também é essencial fazer ajustes nessa tecnologia, como corrigir viés algorítmico e discriminação, criar uma maior proteção contra a violação da privacidade e o uso indevido de informações, além de determinar a responsabilidade em decisões a partir da utilização da IA."