Saudosismo é uma faca de dois gumes. Que o diga Stranger Things, a série oitentista elogiada pelas referências à década e, por vezes, criticada pelo mesmo motivo. Entre os games, nenhuma marca é tão emblemática e recorrente quanto o Super Mario. Com um histórico de dezenas de jogos, desde os clássicos de plataforma aos esportivos, o encanador bigodudo tem uma bagagem muito maior de referências do que franquias mais recentes. Super Mario Odyssey, nova aventura do personagem, atesta bem isso. O grande mérito da obra, porém, é entender que, além de referências, ela tem a chance única de explorar as possibilidades de uma nova plataforma: o Nintendo Switch.
Como todo Mario que se preze, Odyssey tem uma narrativa ligeiramente relevante – e já começa com um choque. Na tentativa de salvar a princesa Peach do vilão Bowser, o encanador é derrotado. A partir disso, a trama evolui paralelamente entre o planejamento do casamento entre raptada/raptor e a tentativa de Mario de se reerguer com ajuda de Cappy, seu novo chapéu. E é com esse acompanhante inusitado que o jogo começa a se diferenciar dos títulos anteriores.
[QUOTE1]A base visual e até conceitual de Odyssey é claramente Super Mario 64, lançado em 1996 para o Nintendo 64 – e não faltam menções ao clássico, desde o castelo de Peach às skins (roupas) para Mario. O diferencial de jogabilidade é Cappy, que pode ser lançado em inimigos, que, então, passam a ser controlados pelo jogador. Os pequenos Goombas, o gigante acorrentado Chain Chomp, a bala Bullet Bill, o peixe CheepCheep, um tiranossauro e muitos, muitos outros vilões podem ser controlados pelo usuário. Com isso, eles ganham um bigode e um chapéu novos, enquanto Mario pode usar as habilidades únicas dos seres. Assim, eles ajudam a desvendar quebra-cabeças e até podem auxiliar em lutas contra “chefões”.
Se acabasse nisso, Super Mario Odyssey seria um jogo excelente por si. É dinâmico, veloz, divertido e tem uma curva de aprendizagem boa – é fácil de finalizar, mas extremamente difícil de coletar todos os itens. O que faz do exclusivo do Switch uma obra-prima, no entanto, é saber jogar com a memória afetiva. Para exemplificar isso, falo de um dos 17 mundos disponíveis: a cidade New Donk City.
Mario chega à cidade em uma noite chuvosa. Lá, encontra vários humanos – todos bem diferentes do encanador. Depois de andar mais um pouco, encontra a prefeita da cidade, Pauline. Para quem não catou a referência, trata-se da “donzela em perigo” de Donkey Kong (1981), estreia de Mario nos games. Ainda chamado de Jump Man (homem-pulo), o bigodudo precisa salvar a moça, raptada pelo gorila Donkey Kong. O reencontro, depois de 36 anos, é cercado de referências. Pauline canta uma música sobre “pulos” e faz um quiz sobre a memória do jogador. A trilha sonora espetacular, o saudosismo e a jogabilidade formam uma experiência fortíssima na fase. O ápice é o final, mas esse momento eu reservo para quem for jogar.
Super Mario Odyssey é um jogo amplo e que cresce a cada novo desdobramento. É inteligente, inventivo, usa elementos 2D e 3D com maestria, além de trazer uma boa possibilidade de jogo com dois players. Mais que isso, Odyssey é um game que entende seu legado, mas não deixa que isso ancore sua evolução.
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Super Mario Odyssey
Plataforma: Nintendo SwitchGênero: Aventura
Preço: R$ 299