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O valor da música no Oscar
Vida & Arte

O valor da música no Oscar

As trilhas sonoras e as canções originais recebem grande destaque nas premiações da Academia. Levar a estatueta nessas categorias significa sucesso nas indústrias do cinema e da música
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Em uma apresentação de dez minutos, que não inclui diálogos, o filme Up: Altas Aventuras, de 2009, mostra ao público o casamento de Carl Fredricksen e sua esposa, Ellie. Observamos o crescimento de ambos, as vitórias, derrotas, sonhos se realizando, até a morte repentina da mulher. Tudo isso ao som da trilha sonora de Michael Giacchino, que ganhou o Oscar por sua contribuição no filme. A sua música, nesse sentido, emocionou e causou o choro quando ninguém esperava. Sem a trilha, a emoção seria sentida de outra forma, já que essa apresentação não dependia do texto e, sim, da música.


Levando isso em consideração, o crítico de cinema da Aceccine Arthur Gadelha explica que o papel da trilha sonora é de contar a história lado a lado com o roteiro. “A música entra no filme para aproximar os personagens e o universo com o público, que se comove, torce e deseja a vitória de algum personagem específico”. Ele cita exemplos como Indiana Jones, cuja música tema tornou-se tão famosa quanto o protagonista. O mesmo pode ser dito sobre Tubarão, que, graças à música que vai subindo de tom, assusta os
espectadores facilmente.


“Essa mídia, originalmente, não tinha som. Os cineastas criaram esse detalhe para tornar a imersão mais completa no filme, para aumentar o poder de entretenimento. Quase 80 anos depois de cinema com som, e os filmes ficam mais fortes quando as emoções são delineadas pela trilha. Você chora, se empolga, fica triste, feliz. Tudo é um complemento para essa projeção abstrata do que não pode ver. Quase delirante saber que a trilha não existe no mundo real, mas que ela é necessária na sétima arte. Desse modo, quando o cinema criou o som, nada mais justo que o Oscar também oferecer a estatueta de melhor trilha, como aconteceu com o filme Uma Noite de Amor, de 1935, primeiro vencedor do prêmio”, diz.

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Quanto ao Oscar, o crítico explica algo que muitos confundem. “A indicação de Música Original, geralmente, tem o caráter de promoção, como se expandisse a mensagem do filme em um produto musical, às vezes para acompanhar uma cena”. Para Arthur, essa função é “mais digna” em filmes musicais, que exigem músicas feitas exclusivamente para eles, ou na hora dos créditos. “Já a trilha tem esse compromisso mais próximo da identidade da obra, de entender suas nuances e de sustentar os sentimentos ditos pelo diretor e compositor. Isso vai além da simples promoção. Note que a categoria, em sua grande maioria, conta com astros conhecidos do público”, continua.


De exemplos recentes, ele cita Pantera Negra, que recria uma trilha sonora cultural daquilo que o diretor está contando, que também conta com músicas inéditas de Kendrick Lamar. “Além desse, outro de destaque é a de Star Wars, que permite que o público entre naquele universo fantástico. Na verdade, a trilha te convida a participar dessas aventuras fantasiosas. O cinema, desse modo, evoca sentimentos de quem está se permitindo entrar. A música cria o clima, enfatiza uma tensão e ressalta os momentos de alegria”, diz.


Já o músico e compositor Diego Silvestre, acredita que os votantes do Oscar escolhem bem os vencedores de Melhor Trilha e Canção Original. “As indicações são justas e muitas vezes nomes pouco conhecidos são indicados também nas trilhas originais. Isso é excelente para qualquer compositor. Às vezes a trilha que eu mais gosto não ganha, mas a que ganha também é muito boa, então fico feliz também”. Das favoritas, ele lembra a trilha de Hans Zimmer do filme Interestellar e Dunkirk, que se destacam com toques simples e marcantes nos longas.


Ele também lembra de John Williams, que se tornou o homem vivo com maior número de indicações no Oscar. “Ele é insuperável por tantas trilhas memoráveis e tão necessárias para os filmes. Você pode até não se recordar do filme Tubarão ou até nem ter assistido, mas com certeza conhece a música”. Ele finaliza que torce, mais uma vez, pela vitória de Zimmer ou de Williams, seus favoritos que concorrem por Dunkirk e Star Wars, respectivamente.


Indicados de destaque


HANS ZIMMER

recebeu indicação por trilha sonora no filme de guerra Dunkirk. Ele só venceu em 1995, com a trilha de O Rei Leão.

 

JONNY GREENWOOD,

guitarrista da banda Radiohead, concorre em Trilha Sonora por seu trabalho em Trama Fantasma.

 

KRISTEN ANDERSON-LOPEZ E ROBERT LOPEZ

venceram Canção Original em 2014 por Frozen. Eles retornam com o filme Viva.

 

BENJ PASEK E JUSTIN PAUL

venceram o Oscar de Canção Original com La La Land. Eles retornam com a canção de O Rei do Show.

 

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