Entre outras linguagens artísticas, o cinema foi uma das que mais trataram de construir uma imagem mítica de Paris. A frase que vai no título desta página vem emprestada de um diálogo do clássico Casablanca (1942), com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman - que, na verdade, nem se passa na capital francesa. “Ter Paris”, para o casal, é se apegar às boas lembranças, aos bons momentos. São muitas as memórias possíveis na Cidade Luz, é verdade. Para além de sua construção cinematográfica, andar pelas ruas de Paris, se deparar com História a cada esquina, descobrir recantos charmosos e cruzar com tipos peculiares fazem a viagem para a cidade ser, sim, coisa de cinema.
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FAMÍLIA DEMY-VARDA
Os cineastas Jacques Demy e Agnès Varda foram casados de 1962 a 1990. A separação só aconteceu por causa da morte de Demy. Ele, indicado a quatro Oscar e vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes por Os Guarda-Chuvas do Amor (1964). Ela, hoje com 90 anos, segue uma das cineastas mais inventivas e importantes do cinema francês, indicada ao Oscar deste ano por Visages Villages. O bairro de Montparnasse, onde o casal viveu junto e Varda segue trabalhando, está cheio de locais que referenciam e guardam parte de suas histórias.Num passeio por suas ruas, é possível se deparar com a praça Jacques Demy, homenagem à memória do cineasta. Seguindo até a rue Daguerre, que acolhe diversos - e charmosos - estabelecimentos, vale passar pelo Ciné-Tamaris, produtora dos filmes de Demy e Varda. Na região, há ainda a Fundação Cartier para Arte Contemporânea, museu que vale a visita pelas exposições que recebe. Em seu jardim, no entanto, o destaque é uma instalação artística fixa, de autoria de Varda: La cabane du chat (“a cabana do gato”) é uma estrutura de madeira que recebe uma projeção do vídeo Le tombeau de Zgougou (“o túmulo de Zgougou”). É uma dupla homenagem ao gato do casal, que aparece em diversos filmes de Varda.
Para encerrar o roteiro, é ao lado da Fundação Cartier que se encontra o Cemitério de Montparnasse. Lá, estão enterrados diversos nomes do mundo do cinema: as atrizes Jean Seberg e Delphine Seyrig, os cineastas Alain Resnais e Éric Rohmer e também Henri Langlois, fundador da Cinemateca. É lá também que repousa Demy, no túmulo da família Demy-Varda.
CINEMATECA FRANCESA
[FOTO3]La Cinémathèque Française (rue de Bercy, 51) se dedica à preservação do cinema, contando em seu acervo com câmeras analógicas, filmes clássicos e outros objetos de memória. O prédio conta com espaços de exposição, biblioteca, livraria e salas de cinema, além do restaurante Les 400 Coups, cujo nome vem do título original de Os Incompreendidos (1959), de François Truffaut.
O destaque atual da programação é a exposição Chris Marker, les 7 vies d’un cinéaste (“as sete vidas de um cineasta”), que traça a trajetória do diretor norte-americano, trazendo sua paixão por gatos, seu trabalho político e sua atuação no histórico Maio de 1968. A exposição fica em cartaz até 29 de julho. Na programação do mês, há, ainda, retrospectiva da obra de Robert Bresson e exposição sobre Henri-Georges Clouzot, por exemplo.
Cinemateca
O preço varia entre valor cheio, reduzido (para menores de 26 anos) e para menores de 18 anos.
Museu: €5, €4 e €2,50
Cinema: €6,50, €5,50 e €4
Biblioteca: €3,50 (único)
Conferências e “lições de cinema”: €4 (cheio) e €3 (reduzido)Info: www.cinematheque.fr (em francês)