Vida & Arte

Longa cearense é selecionado em Berlim

| Greta | Filme de Armando Praça concorrerá na mostra Panorama do festival alemão
Edição Impressa
Tipo Notícia
NULL (Foto: )
Foto: NULL
[FOTO1]

Obra de estreia em longa-metragem do cineasta aracatiense Armando Praça, Greta é um dos 22 filmes selecionados para o Festival de Berlim 2019, um dos principais do circuito mundial, na mostra Panorama. A seção é a segunda maior do evento e já recebeu diversos outros longas brasileiros - no ano passado, foram exibidos os documentários Central Airport THF(dirigido pelo cearense Karim Aïnouz em co-produção internacional), Bixa Travesty, Ex-Pajé, O Processo e a ficção Tinta Bruta. O longa, com o ator Marco Nanini, segue a história de um homem que está perdendo uma grande amiga e, neste processo, inicia uma relação com outra pessoa. O elenco conta ainda com o cearense Demick Lopes, além de Denise Weinberg e Gretta Star.

 

"Predominantemente é um filme sobre solidão, tratando do desenrolar dessa relação e de como todos os personagens lidam com as solidões. É um tema universal, mas inserido dentro do Nordeste e do universo dos personagens LGBTQ ", explica o Armando Praça em entrevista por telefone ao O POVO. A notícia saiu na manhã de ontem e foi recebida pelo cineasta "com alegria". "(O Festival de Berlim) é uma das maiores vitrines de cinema do mundo e estrear lá um primeiro longa-metragem é algo que qualquer cineasta gostaria", celebra. "Ser em Berlim tem ainda um dado especial não só pela relação que o festival tem com o cinema brasileiro, mas pelo seu caráter artístico e político de selecionar projetos que tenham um projeto muito definido", avança o diretor.

 

Além de Greta, a mostra Panorama também receberá a estreia do documentário Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar, do pernambucano Marcelo Gomes. A dupla presença nordestina aponta, para Armando, para a importância do cinema independente. "Talvez por ser fora do eixo, ele tenha compromisso com questões artísticas e políticas e se destaque. Se a gente pega as últimas seleções desses festivais grandes, os filmes que têm chegado neles são fora do eixo Rio-São Paulo, como o próprio Tinta Bruta (longa gaúcho). Mesmo os que são selecionados de lá (Rio-SP) são mais independentes", considera.

 

Para Armando, a seleção da obra em um evento internacional é simbólica em meio ao contexto político do País. "Eu tenho esse projeto há 10 anos, (mas) só em 2017 consegui filmar, em 2018 finalizar e, em 2019, lançar. Se é que há coincidência nisso, a gente tem essa infeliz coincidência de estar estreando o filme logo após a posse do presidente eleito, com todas essas questões que têm sido mencionadas por ele sobre o público LGBTQ ", ressalta Armando. Jair Bolsonaro será empossado no início de 2019, enquanto o Festival de Berlim irá acontecer de 7 a 17 de fevereiro.

João Gabriel Tréz

 

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais