Vida & Arte

É sair de Fortaleza sem sair de Fortaleza

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Guardado na Rua Waldir Diogo e na Via Férrea, no Mondubim, onde não há barulho de carros ou qualquer gritaria, está o reduto de Nice e Estrigas. Falar sobre o artista cearense significa ter em mente o Minimuseu Firmeza. O sítio é apenas mais uma obra artística deixada por Nice e Estrigas. A primeira marca do espaço é o Baobá - filho da árvore clássica semeada no Passeio Público. A casa, que até hoje mantém algumas madeiras de carnaúba e o piso de ladrilhos vermelhos, é também morada para centenas de obras colecionadas pelo casal. 

"Nice era o ponto do bordado, o matizado das linhas, e Estrigas dizia gostar mais do avesso, onde os pontos de evidenciam, onde a trama do bordado se esconde dos olhos curiosos e todo o processo de feitura vem à tona. Nice era também a interlocutora, a companheira de discussões que não se faziam na frente dos amigos e visitantes. Eles eram tão ligados e, ao mesmo tempo, cada um deles mantinha seus códigos, suas propostas, seu ideário. O amor os unia e eles eram generosos, deixando que nós partilhássemos do seu cotidiano, da mesa posta para o lanche e o café, da conversa sob as mangueiras, do cheiro dos jasmins, e das epifanias, lampejos de felicidade, que eles nos proporcionavam, com tanta sabedoria e experiência de vida", elucida Gilmar de Carvalho, que conviveu com os dois artistas durante décadas e mais décadas.

Após as mortes, em 2013 e em 2014, uma série de cuidadores se reveza na missão de não deixar o Minimuseu Firmeza perecer. Através de projetos, as manutenções conseguem, aos poucos, ser feitas, e as programações não deixam de acontecer. Paula Machado, historiadora e produtora cultural, é uma das presenças constantes no sítio. "Trabalhei com Estrigas antes da morte dele. Acabei me ligando afetivamente, pois aquela área verde tem outra relação com o tempo e com o espaço", pontua. O museu está aberto para visitação de quinta-feira a sábado, mediante agendamento através do email minimuseufirmeza@gmail.com ou do telefone 99989 4009. "Sempre que posso, eu estou por lá. É sair de Fortaleza sem sair de Fortaleza", finaliza. 

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