Vida & Arte

Mostra de cinema reúne 70 obras sobre negritude

O Centro Dragão do Mar recebe, de hoje a 11 de dezembro, a 2ª Mostra Negritude Infinita de Cinema Negro com exibição de 70 produções
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Sem Asas, de Renata Martins (SP)
 (Foto: Caroline Lima/ Divulgação)
Foto: Caroline Lima/ Divulgação Sem Asas, de Renata Martins (SP)

O corpo negro e suas inúmeras possibilidades, sobretudo no que diz respeito à visibilidade no campo do audiovisual. "O cinema é negro!" é a assertiva alavancada pelo Ateliê Casamata, que realiza e produz, de hoje a 11 de dezembro, a segunda edição da Mostra Negritude Infinita de Cinema Negro. O evento, sediado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, tem acesso gratuito e reúne em sua programação, além da exibição de 70 produções brasileiras (dentre as 150 inscritas) - entre curtas, médias e longas-metragens - mesas redondas, masterclasses, oficinas e debates com a presença de realizadores.

A primeira edição da mostra ocorreu em 2017, a partir de uma proposta inscrita por Clébson Oscar e Leon Reis no Edital Telas Abertas, da Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes. "Estudamos juntos e nos formamos na quarta turma, daí a mostra surgiu por lá com a ideia de trazer um panorama do que estava sendo produzido no cinema negro contemporâneo e trazer alguns debates sobre história do cinema negro brasileiro", explicou Darwin Marinho, que integra a equipe de coordenação, acrescida ainda por Lílian do Rosário.

Para ele, a proposta do evento "vem dizer que existem infinitas possibilidades desse corpo negro ser expresso e traduzido, tanto no cinema quanto na fala, como na escrita, e que essas formas múltiplas da gente se expressar, elas não cabem em uma compreensão única e limitada. Ela é o tempo todo cheia de contradições e muito diversa". Luly Pinheiro, que faz parte da curadoria da Mostra Negritude Infinita e integra uma das mesas redondas, complementa o raciocínio de Darwin em relação à estética e criação trazidas para a programação.

"A proposta da curadoria é justamente criar um espaço de exibição para infinitudes das nossas identidades, das nossas estéticas, dos nossos desejos, dos nossos territórios, enquanto possibilidades de criação de discurso sobre eu, sobre nós e sobre o mundo. E a partir do encontro com/entre essas multiplicidades gerar um universo de conhecimento, de pertencimento e de invenção", afirmou. Na companhia de Déo Cardoso e Kiko Alves, Luly Pinheiro irá debater nesta quinta-feira, a partir das 16h30min, sobre o tema "Quem faz cinema no Ceará?".

"Fico pensando como esse debate já é, por si só, importante e necessário. Mas vai ser ainda mais oportuno a gente discutir essa questão logo após a publicação de uma lista de filmes essenciais cearenses proposta pela Aceccine. Uma lista na qual a gente não encontra nenhum realizador negro e anexada a uma carta que diz que essa lista expõe qual cinema cearense queremos ter nos próximos anos, mais plural e representativo. Mas eu pergunto: o quão otimista e encorajador é uma lista que aponta como produção essencial apenas longas-metragens de realizadores brancos? Como a gente cria condições para tornar possível e visível um outro cinema realmente múltiplo e diverso?", reflete.

Em relação ao critério de escolha dos filmes a serem exibidos, Darwin Marinho explica: "Foram vários. Uma das coisas que a gente conversava logo no começo das reuniões de curadoria era que a gente não queria montar - assim como fazem outros festivais - uma sessão só com filmes de mulheres ou só com filmes LGBT, porque parece que a gente está criando um espaço específico onde esses filmes podem estar. Quando, na realidade, eles podem estar em qualquer canto da mostra. Não agrupamos os filmes por temas, mas pelas formas e por algum elemento estético ou outro que se liga. Isso é um diferencial dessa curadoria e um ponto positivo quando se olha para a programação como um todo".

Quatro produções serão exibidas no primeiro dia de programação. São elas: Resplandecente, de Ventura Profana e Jhonatta Vicente (MG/ 5min), Para Todas as Moças, de Castiel Vitorino Brasileiro (ES/ 2min), Tudo Que é Apertado Rasga, de Fabio Rodrigues Filho (BA/ 27min) e Vaga Carne, de Grace Passô e Ricardo Alves Jr (MG/ 50min). Na sexta-feira, 6, mais dois filmes serão exibidos: Ilhas de Calor, de Ulisses Arthur (AL/ 20min) - filme que ganhou o Troféu Samburá, concedido pelo Vida&Arte e pela Fundação Demócrito Rocha, no Cine Ceará de 2019 - e Deixa na Régua, de Emílio Domingos (RJ/ 73min).

Completam a programação da mostra as mesas "Entre o corpo e o Quadro", com Lidia dos Anjos, Mara Rachel, Magno Rodrigues e Cintia Lima (PE); "Imagens e Narrativas em Perspectivas Negras", com Rayanne Layssa (PE), Luca Salri, George Ulysses e Leon Reis; e "Difusão e Exibição: Mostras de Cinema no Nordeste", com Luciana Oliveira (SE), Izabel de Fátima (BA) e Naymare Azevedo (BA). Na parte de masterclass, os temas abordados são "Oscar Micheaux: um Fantasma que nos Olha", com Leon Reis; e "Territórios Ancestrais", com Rodrigo Ferreira (CE) e Paolla Martins (SP).

2ª Mostra Negritude Infinita de Cinema Negro

Quando: de hoje, 5, a 11 de dezembro (quarta-feira)

Onde: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema)

Outras informações: www.negritudeinfinita.com / @negritudeinfinita (IG) / Negritude Infinita (FB)

Acesso gratuito

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