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Cine Ceará mostra os frutos dos cursos de formação em audiovisual em Fortaleza

Filmes produzidos por alunos de cursos de formação em audiovisual de Fortaleza são destaque entre os selecionados para a Mostra Olhar do Ceará. Festival ocorre de 5 a 11 de dezembro
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Foto: Divulgação "A fome que devora o coração", de Raiane Ferreira

O corpo estudantil tem potência e ocupou quase metade das vagas de curta-metragem na mostra Olhar do Ceará, do 30º Cine Ceará. Das 22 produções, selecionadas dentre as 111 inscritas, 9 são de alunos ou ex-alunos de instituições como a Universidade Federal do Ceará, Universidade de Fortaleza e o Porto Iracema das Artes.

Os curtas da Mostra serão exibidos, entre os dias 5 e 11 de dezembro, na programação da TVC e também no canal do Cine Ceará no YouTube. Os quatro longas-metragens da Olhar do Ceará terão exibição no Cineteatro São Luiz.

Da UFC, há curtas dos diretores Ezequias Andrade, com "Cidade Pacata", e Thiago Barbosa, com "Santa mãe". Outro selecionado é "Todos Nós Moramos na Rua", de Marcus Antonius Melo, mestrando no Instituto Politécnico de Lisboa e formado em 2019 em audiovisual pela Federal do Ceará, que revela não saber o que seria de sua trajetória sem ter passado pela UFC.

A produção traz três pessoas em situação de rua e suas realidades ímpares. "Esse exercício de diálogo serve para que possamos entender e conhecer melhor essas pessoas, sem a pretensão de dar conta de toda experiência plural, diversa e crítica vivida por milhares de moradores em situação de rua de todo o Brasil", afirma Marcus.

Há também nomes vindos dos Cursos Básicos de Cinema do Porto Iracema das Artes: "Terceiro Dia", de Jéssica Queiroz, e "Plástico", de João Paulo Duarte.

Jéssica Queiroz, 32, é enfermeira por formação, mas seu sonho mora no audiovisual. Quando decidiu se jogar nesse ramo, ela iniciou um curso na Casa Amarela Eusélio Oliveira, no ano de 2016. "Naquele período engravidei. Entrei no Porto Iracema das Artes no curso de formação em audiovisual no primeiro semestre de 2018. Meu filho tinha uns cinco, seis meses, então eu o levava comigo, o amamentava e o botava para dormir lá mesmo".

"Terceiro Dia", inclusive, é sobre maternidade e as diversas possibilidades em que ela acontece. No curta, os espectadores conhecem Verônica, uma jovem negra e periférica de 18 anos que concebe uma criança e não sabe como prosseguir. "Claro que tem muito de mim nesse filme, da minha história, do que eu vi enquanto mãe, é como se fosse um alter ego. Eu não sou a Verônica, não sou uma mulher negra na periferia de Fortaleza. Eu vim da periferia, sim, mas hoje em dia já vivo em outro contexto e uso essa ferramenta de desenvolver empatia e laços com outras mulheres para que elas também contem a sua história".

Ela expressa, ainda, o significado de estar participando da mostra. "Não é fácil eu me sentir uma trabalhadora do audiovisual, não sei se por já ter outra formação, pela dificuldade de me inserir no mercado... Acho que principalmente por insegurança e, aí, entram também questões de gênero, ser mãe..."

A Unifor vem com os curtas "A fome que devora o coração", de Raiane Ferreira, "Aqui entre nós", de Alexia Holanda e Daniel Sobral, "Noite de seresta", de Sávio Fernandes e Muniz Filho, e "Cacau", Trabalho de Conclusão de Curso de Tom Martins.

A primeira coisa que surgiu em "A fome que devora o coração" foi o título. A partir daí, nasceu o curta produzido por mãos femininas, e pensado para elas, sobre uma mulher que busca o prazer, mas ao mesmo tempo tem seu corpo reprimido. "Essa fome vem disso, de querer ter esse corpo liberto, mas o seu coração está sendo comido porque você não pode ter o que você quer", conta a diretora Raiane Ferreira, 27, ex-aluna do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor.

O Cine Ceará é um projeto que busca trazer ao Estado a produção audiovisual ibero-americana estimulando trocas entre os produtores e a divulgação de novos talentos na área. Wolney Oliveira, diretor do Cine Ceará e filho de Eusélio Oliveira, conta que fez parte da primeira turma da Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba (EICTV). Na época, era impossível estudar audiovisual no Ceará, uma vez que não havia nenhum curso no Estado, assim como no ano de criação do festival. Hoje, em Fortaleza já existem cinco, incluindo os cursos básicos da pioneira Casa Amarela Eusélio Oliveira, na UFC, que completa 50 anos em 2021.

"O festival é uma vitrine e a gente vê a participação desses jovens com muita felicidade, mas com muita naturalidade, já. Hoje, quase todas as federais do Nordeste tem cursos de cinema e isso é ótimo", relata Wolney.

O evento pela primeira vez terá formato híbrido. "É uma versão atípica, mas esse é o evento cultural mais longevo do Estado, de 1991 a 2019 nunca deixou de acontecer e é o único que tem uma repercussão nacional e internacional. Creio que, apesar de tudo, essa edição será realizada com sucesso", acredita o diretor.

 

30° Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema

Quando: 5 a 11 de dezembro

Onde: presencialmente no Cineteatro São Luiz e on-line no Canal Brasil e pelo canal do Cine Ceará no YouTube

Mais informações em www.cineceara.com

Programação

Os longas da mostra Olhar do Ceará

“Cabeça de Nêgo”. Direção: Déo Cardoso. Drama. 86min. CE-Brasil. 2020. 12 anos.
“Pajéu”. Direção: Pedro Diógenes. Ficção. 74min. CE-Brasil. 2020. 12 anos.
“Rio de Vozes”. Direção: Andrea Santana e Jean-Pierre Duret. Documentário. 93min. BA/PE-Brasil. 2019. Livre.
“Swingueira”. Direção: Bruno Xavier, Roger Pires, Yargo Gurjão e Felipe de Paula. Documentário. 85min. CE/BA-Brasil. 2020. Livre.

Os curtas da mostra Olhar do Ceará

“A Fome que Devora o Coração”. Direção: Raiane Ferreira. Ficção. 16min. CE-Brasil. 2019. 16 anos.
“A Gaiola”. Jaildo Oliveira. Documentário. 3min. CE-Brasil. 2020. Livre.
“A Retirante”. Direção: Débora Ingrid e Henrique Oliveira. Experimental. 13min. CE-Brasil. 2020. Livre.
“Aqui é Flamengo”. Direção: Rafael Luís Azevedo. Documentário. 24min. CE-Brasil. 2019. Livre.
“Aqui Entre Nós”. Direção: Alexia Holanda e Daniel Sobral. Ficção. 15min. CE-Brasil. 2019. 12 anos.
“Cacau”. Direção: Ton Martins. Ficção. 16min. CE-Brasil. 2020. 18 anos.
“Cidade Pacata”. Direção: Ezequias Andrade. Ficção. 20min. CE-Brasil. 2019. 14 anos.
“Doce Veneno”. Direção: Waleska Santiago. Documentário. 16min. CE-Brasil. 2020. 10 anos.
“Futebol para Todos”. Direção: Rafael Luís Azevedo. Documentário. 5min. CE-Brasil. 2019. Livre.
“Luna e Sol”. Direção: Dado Fernandes. Ficção. 16 min. CE-Brasil. 2020. 12 anos.
“Movimento”. Direção: Lucas Tomaz Neves. Documentário. 22min. CE-Brasil. 2019. Livre.
“Noite de Seresta”. Direção: Sávio Fernandes e Muniz Filho. Documentário. 19min. CE-Brasil. 2020. 12 anos.
“O Prisma”. Direção: Augusto Cesar dos Santos. Documentário. 25min. CE-Brasil. 2019. Livre.
“Pequenas Considerações sobre o Espaço-Tempo”. Direção: Michelline Helena. Documentário. 3min. CE-Brasil. 2020. Livre.
“Plástico”. Direção: João Paulo Duarte. Ficção. 10min. CE-Brasil. 2020. 12 anos.
“Quando Vier a Primavera, Se Eu Já Estiver Morto....” Direção: Robson Lima. Ficção. 15min. CE-Brasil. 2019. 10 anos.
“Santa Mãe”. Direção: Thiago Barbosa. Drama/Suspense. 24min. CE-Brasil. 2020. 16 anos.
“Scelus”. Direção: Edmilson Filho. Ficção. 10min. CE-Brasil. 2020. 14 anos.
“Ser Tão Nossa”. Direção: Antônio Fargoni. Ficção. 8min. CE-Brasil. 2020. Livre.
“Sombra do Tempo”. Direção: Naiana Magalhães. Documentário. 20min. CE-Brasil. 2020. Livre.
“Terceiro Dia”. Direção: Jéssica Queiroz. Ficção. 10min. 2020. CE-Brasil. 14 anos.
“Todos Nós Moramos na Rua”. Direção: Marcus Antonius Melo. Documentário. 15min. CE-Brasil. 2019. Livre.

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