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Do Mondubim à Finlândia: bailarinos cearenses vão expor trabalhos na Europa

Aprovado em edital internacional, projeto da bailarina cearense Elisa Parente leva trabalho de artistas da periferia da Capital para museu na Finlândia
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FORTALEZA, CE, 25-06-2021: Do Mondubim a Finlandia: Projeto de dança do Ceara e o unico brasileiro aprovado em coletiva artistica internacional. Alem disso, os artistas da periferia que integram o projeto, terão seus trabalhos em uma exposicao no museu da Finlandia durante um ano. A coreografa e a Elisa Parente, que estara no local com os alunos. As fotos destacam tambem Elisa, Loly Pop, 36, coreografo e os entrevistados Ewerson Vitoriano, 19, dancarino e Iris Fonseca, 25, dancarina Barra do Ceara, Fortaleza.(BARBARA MOIRA/ O POVO) (Foto: BARBARA MOIRA)
Foto: BARBARA MOIRA FORTALEZA, CE, 25-06-2021: Do Mondubim a Finlandia: Projeto de dança do Ceara e o unico brasileiro aprovado em coletiva artistica internacional. Alem disso, os artistas da periferia que integram o projeto, terão seus trabalhos em uma exposicao no museu da Finlandia durante um ano. A coreografa e a Elisa Parente, que estara no local com os alunos. As fotos destacam tambem Elisa, Loly Pop, 36, coreografo e os entrevistados Ewerson Vitoriano, 19, dancarino e Iris Fonseca, 25, dancarina Barra do Ceara, Fortaleza.(BARBARA MOIRA/ O POVO)

Em meio ao período difícil da pandemia de Covid-19 e após o fechamento da escola de dança em que trabalhava na Espanha, a bailarina e jornalista cearense Elisa Parente reinventou seus passos e enxergou perspectivas em edital de cultura da instituição finlandesa Kone Foundation. Intitulada "Searching for a Job" (Procurando por um Emprego), a iniciativa buscou selecionar o "trabalho dos sonhos" de artistas mundo afora e, mesmo residindo do outro lado do Atlântico, Elisa traçou conexões com a periferia de Fortaleza para construir sua ideia. Numa seleção com mais de dois mil inscritos, o projeto da cearense foi aprovado e é o único brasileiro entre as oito vagas.

Chamado de Projeto de Orientação à Investigação Artística (POIA), o processo criativo já está em andamento e, nos meses de junho e julho de 2021, Elisa vem desenvolvendo trabalho formativo nos equipamentos da Rede Cuca, em Fortaleza. Essa conexão possui um significado muito especial, conforme ela conta, pois foi a partir de um espetáculo de 2019 chamado "Benção", do Grupo de Dança da Rede Cuca Mondubim, que a bailarina teve a ideia que agora é desenvolvida no projeto.

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Como proposta, o POIA convida os bailarinos a desenvolverem pesquisas individuais ou colaborativas com sessões de mentoria e workshops, além de uma bolsa artística. Para esse desenvolvimento, os artistas estão passando por atividades com alguns professores em módulos de dança, audiovisual, direção de arte, figurino, comunicação e composição musical para dança e audiovisual. Além do Cuca Mondubim, as atividades acontecem também na Barra do Ceará, Jangurussu e José Walter.

Elisa relembra a alegria que foi apresentar o projeto aprovado para os artistas. Segundo a bailarina, alguns relataram estar "quase desistindo" de seguir na carreira de dança devido às dificuldades potencializadas pela pandemia. "Não só como um incentivo, a ideia do POIA é um grande exercício para que esses bailarinos se desenvolvam ainda mais e trabalhem futuramente inscrevendo seus projetos em outros editais e convocatórias", afirma a idealizadora.

Diretor da companhia de dança, o coreógrafo Jorge Luiz, conhecido como Loly Pop, destaca a importância desse trabalho para a trajetória artística do coletivo artístico, assim como a possibilidade de ser realizado no equipamento da Rede Cuca, um espaço voltado para a juventude periférica.

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"São artistas que, apesar de jovens, possuem bagagem e qualidade. É uma honra estar dividindo a direção com a Elisa e ainda conseguir reunir um grande elenco. Esse trabalho marca a história de danças urbanas do Ceará e com certeza abrirá portas para o mundo ver o que temos de melhor", afirma Loly Pop.

Além da formação, a oportunidade de troca com outros artistas mundo afora é outra proposta do projeto. No final de julho, vai acontecer uma mostra para os artistas contemplados no edital apresentarem tudo o que desenvolveram nesses dois meses. Todo o processo realizado no Ceará está sendo registrado pela fotógrafa e filmmaker Camila de Almeida para ser exibido em uma exposição no museu The Finnish Labour Museum Werstas, em Tampere, segunda maior cidade da Finlândia. A exibição está marcada para iniciar no dia 23 de setembro e permanecerá em cartaz durante um ano.

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Em atividade desde 2014, o Grupo de Dança da Rede Cuca Mondubim já participou de diversos festivais no Estado e, apesar da pandemia, permaneceu com apresentações on-line para se adaptar à nova realidade. Por meio das oportunidades oferecidas pelo POIA, os integrantes da companhia apontam a possibilidade de resgatar seus processos criativos somados à proporção de se conectarem com artistas de outro país.

 
 
 
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"Sou grata pela oportunidade que tenho na realidade em que estamos vivendo. Somos um grupo vindo da periferia, que sempre lutou por espaço e que agora vai ter visibilidade internacional. É mais que uma oportunidade. É reconhecimento, quebra de barreiras e conexão", afirma Íris Fonseca, integrante do Grupo de Dança da Rede Cuca.

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Ewerson Vitoriano, também integrante do coletivo artística, destaca a troca entre artistas e a orientação qualificada que o POIA proporciona, despertando sua criatividade para unir teoria e prática e, assim, transformar a idealização em realidade. "Além de conseguir transportar nossos projetos para tão longe, eu espero que a mensagem do nosso trabalho possa impactar e emocionar o máximo de pessoas", projeta o jovem.

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