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Booktokers: Literatura além dos clássicos

Em meio à agitação no TikTok, influenciadores abordam diferentes temas. A criadora de conteúdo Jéssica Martins indica romances eróticos
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Jess Martins costuma indicar romances eróticos em seu perfil (Foto: Reprodução/ Instagram @surtandonasleituras)
Foto: Reprodução/ Instagram @surtandonasleituras Jess Martins costuma indicar romances eróticos em seu perfil

A influenciadora digital Jéssica Martins (@surtandonasleituras) já tinha um perfil no Instagram que estava parado há algum tempo. Foi com o TikTok que ela reencontrou o público e agora detém mais de 30 mil seguidores e 582 mil curtidas. Entre vídeos engraçados, trends e indicações, seu maior foco são romances eróticos.

"Nas duas plataformas, acabo tendo um público que ama vídeos curtos com dicas de livros hots e vídeos divertidos. Mas, sem dúvidas, os meus vídeos mais conhecidos são aqueles que indico livros hot para as pessoas (...). Independente da plataforma, quando termino um livro que amo, já penso: 'Minha nossa, preciso muito indicar esse livro para os meus seguidores e eles precisam conhecer também'", conta.

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Jess, como foi apelidada nas redes sociais, indica que seu maior objetivo é incentivar a leitura independentemente do gênero. "Acho muito importante as pessoas saberem que elas podem ler o que quiserem, que existem livros para vários gostos diferentes, que você não precisa se envergonhar por gostar de determinado gênero e não de outros", defende.

Para ela, o público deve entender os benefícios que a leitura traz para a vida. "Acho que é muito importante usar a internet a nosso favor, nesse mundo tecnológico que estamos. Ao invés de indicar tal livro que amou para uma pessoa, porque não indicar para milhares? Em algum momento, aquele livros poderão fazer a diferença na vida de pelo menos uma pessoa".

Sua relação com os livros começou cedo e, como muitos brasileiros que hoje são leitores, lia os gibis da "Turma da Mônica" na infância. Durante a adolescência, parou com o hábito e só retornou depois, quando descobriu a saga "Crepúsculo". "Me encontrei no gênero hot, que amo e que começo a indicar um tempo depois, em um momento de esgotamento que estava no meu antigo trabalho e que precisava, urgentemente, me distrair e ser levada para outro universo através das páginas", recorda.

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Por isso, defende que as pessoas não devem desistir da leitura, mas persistir até encontrar um tipo que gosta. "A pessoa não deve desistir e, sim, achar um gênero que faça falar: 'Nunca pensei que um livro poderia ser tão bom', pois a leitura pode transformar vidas, assim como transformou a minha. Os livros são onde me encontro. Se estou triste vou ler um livro feliz e sei que, no final, ficarei com o coração quentinho e aquele momento de tristeza vai amenizar".

Editoras conectadas ao público jovem

Aliar as grandes histórias da literatura mundial aos recursos da atualidade: essa é a estratégia da Editora Antofágica. Seu slogan sintetiza a ideia: "clássicos para novos tempos". "Respeitar, mas interpretar o livro dentro da modernidade, do que estamos passando, da cultura contemporânea, que evoca a estética da Netflix e envolve o mundo digital", resume Daniel Lameira, diretor criativo nas editoras Antofágica e Aleph. É a alquimia que combina o passado da escrita com o presente dos posfácios, ilustrações de artistas com linguagens visuais contemporâneas e aulas que acompanham cada obra. "É quase como coprotagonizar a edição", analisa.

A modernização pode ganhar mais importância em um cenário em que os pré-adolescentes de 11 a 13 anos somam 81% dos leitores. É a faixa etária que mais lê no país, apontou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2020. Na categoria geral, pouco mais da metade da população (52%) tem hábitos de leitura, com a média de livros lidos por ano de 4,2 por pessoa.

"Outras edições cumprem um papel importante de ter o texto limpo, nossa intenção é ocupar outro espaço que é possível", pondera Lameira. Cada edição tem cerca de quatro textos extras e a carta de um apresentador. Este último papel já foi ocupado pelo ator e humorista Gregório Duvivier, na obra 1984. O intuito é gerar essa proximidade, apresentar um leitor a outro. (Agência Estado)

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