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Festival Latinidades celebra diversidades negras em evento on-line

Festival Latinidades começa nesta quinta, 22, com programação on-line dedicada às potências múltiplas de mulheres negras
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Atriz e cantora Zezé Motta
 (Foto: divulgação)
Foto: divulgação Atriz e cantora Zezé Motta

"Sou filha do atabaque, do som dos retirantes, do Congo, dos amantes caçados no Sudão, das músicas de Gana, das flautas de Uganda, das festas de Luanda, tambores de Gabão", ecoa Zezé Motta na canção "Negritude", do álbum homônimo de 1979. "Mostro com orgulho ao mundo, à Terra inteira, meu ritmo, meu viço de negra brasileira", segue a artista, em um gesto de afirmação da ancestralidade que se liga àquele elaborado no Festival Latinidades. O evento promovido pelo Instituto Afrolatinas chega à 14ª edição nesta quinta, 22, tendo o tema "Ascensão Negra" como mote. Marcando a celebração do Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha, o encontro virtual segue até domingo, 25, trazendo música, gastronomia, literatura e debates, além de homenagens.

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A referência à fluminense Zezé Motta na abertura do texto não é coincidência, uma vez que a atriz e cantora será uma das homenageadas, além de apresentar um pocket show. Junto dela, recebem homenagens a cantora e violinista baiana Rosa Passos, a cantora e compositora peruana Susana Baca e a vice-presidente da Costa Rica Epsy Campbell. A programação se desenvolve em quatro dias aproximando temas como música, literatura, gastronomia, política, audiovisual, economia, desenvolvimento social e ancestralidades.

"O racismo colonial sistêmico tem como principal projeto a desumanização e aprisionamento da população negra em papéis pré-determinados de subalternidade, criminalidade, violência e escassez. Esse projeto sempre encontrou resistência por parte da população negra. Em relação ao processo de escravização de negros, podemos dizer que a resistência começou no momento em que as pessoas foram colocadas no navio negreiro e nunca mais cessou. Temos como legado esse questionamento e a luta para transcender e ocupar outros lugares na sociedade além dos que o racismo reservou para nós", atesta a diretora-geral do festival e co-fundadora do AfroLatinas Jaqueline Fernandes.

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Com caráter agregador e plural, o evento parte da herança ancestral para, como coloca a organizadora, "reafirmar nosso valor e nossa complexidade". "Somos muitas e portanto diversas. Nunca é demais falar isso. Porque o racismo se esforça para nos descomplexificar e padronizar, mas não aceitamos e não correspondemos a isso", afirma. As diversidades que compõem a programação do Festival Latinidades são mais uma prova disso.

"Mulheres negras têm produzido e acumulado tanto conhecimento, que é sempre muito desafiador fechar a programação do festival", divide a diretora. "A curadoria foi pensada para ter uma mostra de vozes e visões, seja por meio de atividades formativas e/ou artísticas sobre o tema da ascensão. Cada show, campanha e convidada está trazendo uma perspectiva sobre o tema deste ano e é conjunto dessa curadoria a maior riqueza: ascender envolve todas essas reflexões", elabora Jaqueline.

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Um dos destaques para a diretora é a abertura, que acontece nesta quinta, 22, às 19 horas. "Vamos ter momentos muito especiais com o show de uma das nossas homenageadas, Zezé Motta, o tour virtual pela Casa Afrolatinas, uma jam session só com instrumentistas, compositoras, intérpretes e poetas negras, diretamente da Casa Afrolatinas, um recital belíssimo com autoras da Colômbia e de Honduras, por exemplo", elenca.

A vereadora trans Erika Hilton, eleita pelo PSOL, participa  do evento(Foto: NELSON ALMEIDA / AFP)
Foto: NELSON ALMEIDA / AFP A vereadora trans Erika Hilton, eleita pelo PSOL, participa do evento

Além das apresentações musicais das cantoras Jup do Bairro, Monna Brutal, Mc Taya e Urias, pesquisadoras como leda Martins (MG) e Roberta Estrela D'Álva (SP) e das falas de nomes como Lumena Aleluia, Flávia Oliveira, Erika Hilton e Cidinha Silva, o Festival Latinidades abre espaço para a divulgação de dois manifestos: o Ascensão Negra, que parte da temática da edição, e o Amefricanifesto, celebração coletiva proposta pelo projeto Lélia Gonzalez Vive para marcar o Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha nas redes sociais e nas ruas.

"Ascensão diz sobre direito a ter dinheiro, ocupar espaços de poder e decisão, bem viver, autoconhecimento, conexão ancestral, espiritualidade, direito à memória, por exemplo. A ideia do tema não é trazer um conceito fechado sobre o que seja ascensão ou ascensão negras, mas questionar. Entendemos que é importante trazer nossas próprias perguntas e respostas pra roda; desmistificar, recriar, decolonizar os conceitos de ascensão. De onde partimos e onde queremos chegar quando falamos em ascensão? Somos diversos e as respostas também", arremata Jaqueline.

14º Festival Latinidades

Quando: 22 a 25 de julho
Onde: www.youtube.com/afrolatinas
Informações: @afrolatinas e afrolatinas.com.br

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