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Pianista Amaro Freitas estará em Fortaleza para show e roda de conversa

Expoente da cena jazz no Brasil, pianista e compositor pernambucano estará na Capital do Ceará, neste fim de semana, para roda de conversa e show com Amaro Freitas Trio
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O pianista e compositor pernambucano Amaro Freitas apresenta o show
Foto: Helder Tavares/Divulgação O pianista e compositor pernambucano Amaro Freitas apresenta o show "Rasif" com o Amaro Freitas Trio, composto também por Jean Elton (baixo acústico) e Hugo Medeiros (bateria) no Cineteatro São Luiz

O pianista e compositor pernambucano Amaro Freitas entende o piano como um instrumento de percussão. Algo que está diretamente ligado à sua ancestralidade, ao seu DNA. Assim o artista define ao O POVO. Mesclando o jazz a elementos da cultura afro-brasileira e nordestina — como samba, frevo, baião, maracatu, ciranda e maxixe —, um dos nomes mais relevantes do jazz contemporâneo no Brasil retorna à Capital do Ceará neste fim de semana.

Amaro participa de roda de conversa neste sábado, 4, às 16 horas, na Escola Porto Iracema das Artes. Com entrada gratuita e parceria do projeto Jazz em Cena e da 78 Rotações, a atividade passeia por temas como gestão de carreira, produção cultural e experiências na música independente e autoral. Já no domingo, 5, às 18 horas, o pernambucano apresenta o show “Rasif” no Cineteatro São Luiz, com o Amaro Freitas Trio — composto também por Jean Elton (baixo acústico) e Hugo Medeiros (bateria). Os ingressos estão à venda tanto na bilheteria do equipamento cultural quanto na plataforma virtual Sympla, nos valores de R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira).

O disco “Rasif” foi composto por um período de dois anos até chegar ao público em 2018. Rasif, segundo Amaro, se transfigura em Recife, a capital do Estado de Pernambuco. “Traz a poética e parte do entendimento sobre o meu lugar. É, também, sobre esse homem negro, pernambucano, com todas as influências do nosso Nordeste com praias de águas mornas”. Para o artista, o álbum desperta a “renovação sonora de uma estética que valoriza o ritmo”.

A construção dessa cadência advém da “célula rítmica do coco trupé”, revela Amaro. Um som que nasce da sandália sobre o chão de terra batida ou mesmo sobre um tablado de madeira. No coco trupé, os pés transferem ritmo à manifestação de música e dança baseada nos quilombos. A partir daí, o artista desenvolveu toda a linguagem do disco.

O encerramento da temporada de “Rasif” começou ainda em fevereiro de 2020, com shows em Salvador e duas apresentações no Ceará, dentro da programação do Festival Jazz & Blues, nos municípios de Guaramiranga e Aquiraz. Com a chegada da pandemia da Covid-19 ao País, em meados de março de 2020, o ciclo de divulgação do trabalho foi interrompido. Enquanto não era possível aglomerar, Amaro lançou Sankofa (2021), com oito faixas e capa criada pelo Acidum Project, dos cearenses Robério e Tereza Dequinta. Após a ampla vacinação da população e a retomada cultural, a tour de “Rasif” retornou ao circuito.

O concerto na Capital da Terra da Luz integra o encerramento da turnê em 2021, realizada por meio do Programa Petrobras Cultural. O show tem dois momentos. No primeiro, Amaro Freitas Trio apresenta a única canção não autoral do repertório, “Canção nº 4”, de Moacir Santos (mestre do frevo e uma das grandes referências de Amaro). Em seguida, as frenéticas “Dona Eni”, “Samba de César” e “Trupé” antecedem as serenas “Aurora” e “Rasif”. A segunda parte contempla uma performance solo de Amaro, com o frevo “Encruzilhada” e as canções “Vitrais” e “Mantra”.

A cura de Amaro Freitas

De acordo com Amaro, o show no Cineteatro São Luiz, um equipamento tão emblemático para a cultura cearense, terá “a atenção que ‘Rasif’ merece”. Em entrevista por telefone, o artista comentou sobre a alegria de retornar ao Estado. Lembrou dos amigos artistas e dos lugares que ama por aqui, como a Praia de Iracema e o Café Couture. A agenda para matar as saudades de Fortaleza está cheia.

“Rasif” também mescla um tanto do nosso Ceará. Por muitas idas e vindas, Amaro ficou hospedado na casa de Dona Eni — que dá nome a uma das canções do repertório. Eni preparava um baião que o artista jamais esqueceu. Ao mesmo tempo, a memória ligava aquela gastronomia ao ritmo do baião, construído por Luiz Gonzaga. O rei do baião, Amaro recorda, fez morada em Fortaleza ainda jovem. “Esse lugar parece também tão meu. É o nosso Nordeste. Somos percussivos”, diz.

Amaro ainda exaltou a construção do Trio: “Nós estamos com uma liga muito forte. Tenho sorte de ter dois caras que sabem de música e provocam. Enquanto estamos vivendo um processo subjetivo, também tem o técnico. No fim, estamos falando e celebrando nossa existência”. No palco, os artistas estão acomodados no melhor sentido da palavra: mergulham juntos, improvisam e se conhecem. Segundo Amaro, há um "processo de doação generosa”.

Para Amaro, a música representa uma espécie de cura para os tempos árduos da vida na Terra. “Nada é aleatório. Há um motivo mais profundo. O instrumento me encontra no mesmo nível do som que quebra as barreiras. Do poder da sonoridade rasgando o tempo, como um trovão. A música nos conecta, eleva as pessoas do chão duro. É um remédio, é a cura. É leveza para poder sonhar e ter dias melhores”.

Roda de conversa com Amaro Freitas

Quando: neste sábado, 4, às 16 horas
Onde: Porto Iracema das Artes (rua Dragão do Mar, 160 - Praia de Iracema)
Mais info: @portoiracemadasartes

Show Amaro Freitas Trio

Quando: neste domingo, 5, às 18 horas
Onde: Cineteatro São Luiz Fortaleza (rua Major Facundo, 500 - Centro)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Mais info: www.sympla.com.br

Acompanhe

Instagram: @amarofreitaspiano
YouTube: Amaro Freitas

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